Encontro ocorreu na última quinta-feira (23/5) no auditório da História. Íntegra do debate está disponível no Youtube. A votação acontecerá nos dias 28, 29 e 30/5

A Adusp realizou nesta quinta-feira (23/5), no auditório da História, na Cidade Universitária, um debate entre representantes das duas chapas que concorrem à diretoria da entidade. As eleições serão realizadas nos dias 28, 29 e 30 de maio.

Pela Chapa 1, “Em defesa da universidade pública, dos direitos sociais e da democracia”, participaram os candidatos a presidente, Rodrigo Ricupero (FFLCH), e 1a vice-presidente, Michele Schultz Ramos (EACH). Pela Chapa 2, “Unidade e democracia: renova Adusp”, estiveram presentes os candidatos a presidente, Everaldo de Oliveira Andrade (FFLCH), e 2a tesoureira, Sônia Kruppa (FE). A mediação ficou a cargo do professor César Minto (FE), integrante da Comissão Eleitoral.

O debate teve uma intervenção inicial dos representantes de cada chapa e, a seguir, abriu-se espaço para perguntas da plateia, que foram respondidas por ambas as chapas. Temas referentes à conjuntura política estadual e nacional, ao movimento sindical e à vida da universidade — administração, carreira e avaliação docente, por exemplo — foram abordados no debate, que mostrou a existência de relevantes diferenças programáticas entre as chapas.

A seguir, publicamos a intervenção de cada chapa na abertura do debate. Por sorteio, a Chapa 2 foi a primeira a se manifestar. A íntegra do debate, com duas horas e meia de duração, está disponível no site da Adusp e na página da entidade no Youtube.

Manifestação inicial da Chapa 2

EVERALDO. “A Adusp é uma referência não só para os docentes da própria USP, mas para o conjunto das universidades brasileiras e do movimento sindical. A sua história nasceu na luta contra a ditadura e pela democracia, e ao longo desses anos ela tem dado importantes contribuições para o país, para o movimento sindical e para as liberdades democráticas. Este momento é importante para o fortalecimento da entidade, independentemente de quem vencer as eleições.

Nossa chapa foi construída a partir do esforço de uma militância, nos últimos dois anos, de um grupo de professores que, dentro da universidade, vêm tomando várias iniciativas políticas e sindicais, não só no âmbito da Adusp, em defesa da democracia e dos direitos. Esses professores começaram a se aproximar e a construir um projeto, uma proposta comum, que resultou na formação dessa chapa e também num processo mais comum que é uma luta pela unidade.

Reconhecemos a trajetória da corrente Participação, companheiros de longa data que contrubuíram para a construção da entidade. Nossa chapa não tem oposição à Participação; pelo contrário, tem respeito e reconhecimento pelo trabalho da corrente.

Um ponto que eu queria destacar, e talvez uma identidade da nossa chapa e ponto de divergência com a Chapa 1, é o fato de que neste momento, embora as duas chapas no início dos seus documentos registrem que a democracia, a universidade e as liberdades democráticas estão em risco, as nossas leituras sobre os caminhos para defender a democracia e a liberdade são bem diferentes.

Defendemos, desde o ano passado e nos anos anteriores, que a Adusp deve ter um protagonismo maior, e um protagonismo político também, nas lutas democráticas. Enfatizamos isso ao longo dos últimos dois anos em assembleias e movimentos: que o fato de a Adusp ter posição política, principalmente em momentos de ameaça à democracia, não significa uma partidarização da entidade e não significa que a nossa entidade esteja alinhada com algum partido ou candidato.

É um momento em que não só a democracia enquanto tal está em risco, mas também a própria ideia de universidade tal qual existe hoje, com a possibilidade de liberdade acadêmica, criação e tudo o mais. Então, se neste momento a gente não conseguir mobilizar a nossa categoria, não conseguir colocar a Adusp num protagonismo maior, ela perde a sua relevância como entidade sindical e entidade capaz de mobilizar um setor importante da sociedade, que é referência para outros milhares de intelectuais pelo país.

Se a Adusp for capaz de ter um papel relevante com manifestos, posicionamentos etc. ela não influencia só os professores da USP, mas influencia dezenas e dezenas de universidades e de setores do movimento docente nacional. Não estamos discutindo só o destino da universidade e da nossa categoria, mas a possibilidade de jogar um papel importante na defesa da democracia e das liberdades.

Essa postura um pouco tímida da Adusp ficou evidente ao não lutar contra o golpe contra a [ex-presidenta] Dilma [Rousseff, em 2016]. Foi um processo duro, em que muitos aqui lutaram nas ruas contra o golpe parlamentar que a derrubou, e a Adusp se recusou a esse debate; foi uma postura de lavar as mãos em relação a esse debate. E depois lavar as mãos em relação a perseguições e à própria prisão do ex-presidente Lula. Isso também foi objeto de uma luta política dentro da entidade, e os companheiros da Chapa 2 levaram essa luta para fora, buscando constituir um comitê ‘Lula livre’ etc.. Foi uma forma que encontramos de expressar a nossa indignação com as perseguições políticas que acabram levando de maneira fraudulenta à eleição de Bolsonaro e às consequências que agora estão cada vez mais pesadas e difíceis para todos nós.

Estamos num momento em que, apesar das perseguições que ocorreram contra o Lula e contra algumas organizações, as manifestações do dia 15 de maio demonstraram que existe uma situação nova, um transbordamento para além do que os sindicatos e as organizações esperavam. Milhões saíram às ruas em centenas de cidades brasileiras, e o regime político do Bolsonaro entrou numa crise mais profunda.

Esse movimento que teremos no dia 30 pode, com o dia 14 de junho e a greve geral contra a reforma da Previdência, ser o momento em que, espero, o destino do governo Bolsonaro e da política econômica dele seja selado.

Essa pauta e essa ofensiva do governo Bolsonaro contra o conjunto da socieade contém uma ameaça direta contra a universidade, os professores, a ciência e a cultura. É necessário que a Adusp se engaje num movimento que ocorre em outras universidades e entidades em defesa da ciência e da luta pela verba para as pesquisas que vêm sendo cortadas sistematicamente. Há movimentos que vêm congregando uma série de professores que normalmente não participam do movimento sindical e que não atingimos.

A Adusp precisa entrar nesse movimento e articular as universidades. Ela tem a capacidade, pela sua trajetória, de liderar um movimento pela verba para as pesquisas e contra os cortes, e pode superar esse viés muitas vezes estreito das nossas articulações políticas. A Adusp pode ter um papel central nesse movimento em defesa da ciência e da universidade.

Outro ponto que quero destacar é a conjuntura de São Paulo. A Adusp tem um protagonismo também em defesa das universidades de São Paulo, mas eu penso que é necessário fazermos um balanço da trajetória do Fórum das Seis. Até que ponto, depois de anos e anos de mobilização em defesa das universidades e da preservação dos 9,57% do ICMS, o Fórum das Seis consegue articular e mobilizar o conjunto das entidades e das universidades? Há muitos problemas que precisam ser debatidos.

Penso que, além do Fórum das Seis, é preciso haver um plano mais geral, uma articulação também com o funcionalismo público do Estado de São Paulo. Há um esforço pequeno ou inexistente da Adusp em buscar articulação com as centrais sindicais que mobilizam o funcionalismo público — por exemplo, a Central Única dos Trabalhadores (CUT), que tem um papel importante na articulação com os grandes sindicatos estaduais.

Também penso que, no plano da USP, o Fórum das Seis não deveria ser uma camisa de força para que, naquilo que for possível, possamos negociar com a Reitoria pautas que sejam comuns com o Sintusp — por exemplo, na questão do reajuste dos vales refeição e alimentação também para os aposentados.

Em relação à avaliação docente, achamos importante que haja um debate e um processo de avaliação da Câmara de Atividades Docentes (CAD) em que haja a nossa participação, embora acreditemos globalmente que esse processo visa a estabelecer um tipo de controle, autocrático inclusive, sobre os docentes, com pressões absurdas, conforme vários relatos. Enquanto existir esse processo, precisamos combater dentro dele, lutar para que haja participação, para que os professores não sejam perseguidos e para que os critérios produtivistas não se imponham e afastem os professores por motivos que não se justificam.

Destaco também a necessidade da luta contra as fundações. Essa é uma questão que adquiriu peso maior com a alteração do Estatuto do Docente e a possibilidade de trabalhar em RDIDP e trabalho fora, em cursos de extensão, com limite de até 36 horas. Em várias unidades esse processo vem destruindo não só as relações entre os professores, mas também a possibilidade de funcionamento regular das unidades.

Destaco ainda como uma questão importante a necessidade de a Adusp se reorganizar, com uma campanha de filiações, porque há centenas de professores que nunca foram abordados pela Adusp para se filiar — e realizar o congresso dos professores filiados, para que a gente debata uma série de teses importantes para a nossa entidade e para a nossa carreira”.

SÔNIA. “O meu questionamento não é novo, já o fiz várias vezes, e ele se dá do ponto de vista mais amplo, com a força que considero que a Adusp tenha nos posicionamentos em questões nacionais e estaduais, e não só ligadas à questão da corporação. Num debate na época das ocupações das escolas estaduais, que era mais ou menos o momento do impeachment da Dilma, quando se discutiu se tínhamos uma fragilidade ou não da democracia representativa e do estado de direito, eu disse que tínhamos sim, e que nós precisávamos ir para a rua sim, e nos posicionarmos sim. A Adusp não se posicionou. Continuo achando e continuo cobrando porque considero que o Lula é um preso político. Sou petista, não vou esconder isso, mas essa não é uma questão partidária, assim como o caso da Marielle Franco não é uma questão partidária. É uma questão nacional, da democracia e do estado de direito, e portanto o sindicato tem que se posicionar. Esse é o lado externo.

Do lado interno, temos que fazer um esforço inenarrável pela renovação. Não é fácil, mas temos que fazer isso, porque estamos ficando velhos. O sopro de renovação é uma bandeira importantíssima, e também é importantíssimo que a gente veja algumas questões que afetam a produção do conhecimento e o nosso relacionamento não só com a ciência ou com as questões ambientais ou de energia — mas quero discutir também um questão da minha área, que é a formação de professores. Não vejo a Adusp se movimentar com relação a isso, como a desativação da CIL [Comissão Interunidades das Licenciaturas], e também em relação à modificação das estruturas que organizam a universidade. Continuamos uma universidade de departamentos, cada um cuidando da sua caixinha bem fechadinha e da sua carreira, e acho que a Adusp tem que fazer um jogo de inflexão com relação a essa estrutura de poder e a essa forma de organização”.

Manifestação inicial da Chapa 1

RODRIGO. “Antes de entrar na apresentação, sou obrigado a comentar aspectos em relação à gestão da direção da qual eu sou presidente e a Michele é segunda vice-presidente, candidatos à recondução, porque me parece que há críticas que são no mínimo injustas.

A gestão que eu presido começou em 2017. A discussão sobre o golpe parlamentar e a política daquele momento pode ser feita, mas esta gestão não se considera responsável pela posição da Adusp naquele momento, porque não estávamos na direção do sindicato. A política que adotamos desde o início da gestão foi a de congregar todos e todas que se contrapõem aos ataques que estamos sofrendo a partir do golpe parlamentar, no governo Temer e agora com o Bolsonaro. Essa condição é fundamental: ou seja: não se trata de defender a posição do Rodrigo, da Michele, ou de A, B ou C.

O esforço que fizemos foi o de procurar o denominador comum para uma ação que coloque juntos todos os que estão contra os ataques; que não nos divida, mas que nos unifique. Esse denominador comum é o que permitiu o 15 de maio e o que pode permitir a grande greve geral de 14 de junho.

A unidade se constrói apresentando um plano, uma proposta e uma política de unidade, e não simplesmente falando nela. Acreditamos que o nosso manifesto é a política para a unidade, o que permite unificar todos e todas para lutar contra os ataques que estamos sofrendo.

A Adusp procurou sim o protagonismo e o teve em alguns momentos. Uma semana depois da morte da Marielle Franco a Adusp organizou no Largo São Francisco um ato público exigindo a apuração. No dia 8 de março deste ano, o bloco da Adusp estava com uma faixa com os dizeres ‘Marielle presente’.

A luta contra o projeto ‘Escola sem Partido’ foi uma luta incansável da gestão. Tomamos a iniciativa e chamamos todos os sindicatos de professores da Grande São Paulo e interior, e montamos o Comitê de Luta pela Educação sem Censura, que está atuante — com a Apeoesp, parte do Sinpeem, o Sinpro de várias cidades, o Sinasefe e muitas outras organizações e movimentos. Fomos em atividades de outros sindicatos, organizamos atos, distribuímos um jornal do comitê produzido pela Adusp... Estávamos na Câmara Municipal no dia 20 de dezembro do ano passado, quando se barrou a votação do projeto do [vereador] Fernando Holiday.

Temos sim um protagonismo incansável nessa luta. Jogamos toda a nossa energia nessa luta fundamental, não porque achávamos que a universidade seria atacada centralmente por isso, mas por achar que tínhamos que levar a solidariedade dos professores da USP aos professores da rede pública e do ensino privado. Puxamos esse movimento e o lideramos até agora.

Temos algum problema com a CUT? Nenhum, nenhuma restrição. Na reunião que preparou o dia 15 de maio, eu estava junto com o pessoal dos sindicatos da CUT nessa organização. Estive com a Professora Bebel como presidente da Apeoesp em algumas situações e também conversando com ela como deputada estadual (PT), sobre, por exemplo, a CPI das universidades na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp).

A Adusp nunca tinha se posicionado eleitoralmente, e nós nos posicionamos, antes do primeiro turno, pelo #Elenão e fizemos uma manifestação contra o voto em Bolsonaro.

Temos engajamento sim. No dia 15 de maio, levamos uma faixa da Adusp em defesa da educação e da ciência. Agora, nosso engajamento passa por uma série de fóruns que respeitamos, como o Andes-SN e o Fórum das Seis. É preciso ter claro que isso não impede e não impediu que tenhamos uma ótima relação com os colegas da CUT ou da Apeoesp.

Em relação ao nosso programa: qual a situação política colocada hoje? Temos uma ofensiva da direita, que vem crescendo e levou à eleição do Bolsonaro, com ‘Escola sem Partido’, cortes de verbas, ataque à ciência e à educação. Só que há diferenciações: o [governador] Doria é igual ao Bolsonaro? Nem tanto. Há nuances aí.

E como a Reitoria da USP se coloca? Ela está numa situação curiosa: tem feito falas interessantes pela democracia, contra o ‘Escola sem Partido’, defesa da autonomia etc. Não temos nenhum problema em negociar com a Reitoria. Republicamos, com a Editora da USP, o livro da Adusp sobre o controle ideológico e fizemos um ato de lançamento no Conselho Universitário no final de 2018, no marco dos 50 anos do AI-5, logo depois da vitória do Bolsonaro.

Foi importante? Sim, foi. Mas é preciso lembrar: a Reitoria tem outro projeto de universidade, que começou na gestão do Marco Antonio Zago, o projeto ‘USP do Futuro’, organizado pela consultoria McKinsey, que é um projeto privatista. Quem era a responsável pelo projeto ‘USP do Futuro’ na McKinsey? A Patricia Ellen. Quem ela é hoje? Secretária de Desenvolvimento Econômico do Doria. Quem é o secretário-adjunto dela? O professor Américo Sakamoto, de Ribeirão Preto, responsável da USP no projeto. E quem é o chefe de gabinete dessa secretaria? O chefe de Gabinete do Zago e do Vahan Agopyan, o Tiago Liporaci. Qual é o discurso deles? A favor do empreendedorismo, startups, inovação… Noutro dia o Jornal da USP disse que a inovação tem que ser o quarto elemento da universidade, junto com ensino, pesquisa e extensão.

Temos o novo Marco da Ciência e Tecnologia, as fundações… isso se casa com o projeto da Reitoria de Zago-Vahan — eles têm diferenças, mas esse projeto, de incentivo ao empreendedorismo, startups, inovação, eles defendem conjuntamente, assim como o Doria. Isso vale para a universidade e vale para os institutos de pesquisa do Estado, como o IPT, o Butantã e outros.

Por isso estamos reconstruindo a articulação com os institutos estaduais. A partir de uma iniciativa da Adusp foi feita uma reunião no Instituto de Energia e Ambiente (IEE), aqui na USP, em que se relançou esse movimento. Nós temos protagonismo nisso. Depois fomos articular inclusive com deputados do PT, como a Beth Sahão, e participamos do lançamento da Frente Parlamentar em Defesa das Instituições Públicas de Ensino, Pesquisa e Extensão na Alesp. Nós estamos dispostos a participar em tudo o que somar.

O que o projeto ‘USP do Futuro’ coloca para a universidade? Ele está ligado, primeiro, ao projeto de destruição que o Zago empreendeu — atacando o Hospital Universitário (HU) e as creches, fazendo os Programas de Incentivo à Demissão Voluntária (PIDV), com a falta de contratações e adoção dos Parâmetros de Sustentabilidade.

E está ligado também à nova avaliação docente. Qual é o papel dessa avaliação? Criar centros de excelência, como a McKinsey apontava, a partir do que interessa ao mercado. O primeiro elemento é criar um ranqueamento na universidade; o segundo é o controle ideológico, e o terceiro é a punição dos professores. Como a Comissão Especial de Regimes de Trabalho (CERT) funciona.

Então não seremos avaliados como professores ou pesquisadores, mas como captadores de recursos e pelo empreendedorismo. Essa é a divisão que se constrói com a avaliação docente em curso: dividir a universidade em cursos que vão ganhar tudo e cursos que não vão ganhar nada.

Como foi a última leva de contratações? Quem tinha jovem pesquisador ganhou claro docente. Se você tem, vai ganhar, e vai ganhando outras coisas. Cada edital leva a ganhar o outro, e quem perde um vai perder o outro. No final vai se abrir um fosso.

Para quê serve a avaliação docente? Para justificar essas coisas.

Estamos discutindo isso. Fizemos uma campanha contra a nova avaliação, pelo que ela estrategicamente representa, sem deixar a prática de retomar reuniões com a Reitoria para defender professores que estavam sendo atacados pela CERT, para defender nossas condições de trabalho, para questionar a política de férias que a Reitoria impôs.

Existe esse esforço para fazer reuniões com negociação de questões pontuais. Temos que entender qual é a política da Reitoria sem nos negarmos a publicar com a Reitoria o livro sobre a ditadura militar, nem nos negarmos a defender em conjunto alguma bandeira correta, mas sem esquecer que a Reitoria tem sim uma política para a univesidade que nós condenamos”.

MICHELE. “A nossa gestão faz parte de um momento de transição da entidade. Contamos com o apoio de alguns colegas que integravam a Participção, mas é um momento de transição.

Uma das pautas que colocamos no sindicato se refere às questões da violência de gênero. Por ocasião do 8 de março do ano passado fizemos uma roda de conversa com a Rede Não Cala, e conseguimos uma aproximação com esse coletivo que resultou neste ano na elaboração de um material que juntou também representantes do Sintusp e do DCE sobre a questão das mulheres na universidade. Esse material foi ‘superbem’ recebido e teve outra dimensão exatamente por conta do movimento #Elenão, que foi protagonizado pelas mulheres. Participamos com o Andes em discussões sobre gênero, raça, etnia, cotas etc.

Ainda que alguns dos grupos de trabalho (GTs) não estejam funcionando como gostaríamos, temos trabalhos funcionando. O GT Saúde, por exemplo, tem acompanhado constantemente todos os movimentos pela defesa do HU, participando das reuniões no Ministério Público, com o coletivo Butantã na Luta, apoiando essa defesa do hospital.

Outra ação que fizemos foi um grande número de visitas às unidades, cerca de quarenta, inclusive no interior, para aproximação da base. Temos que entender que a nova geração de docentes tem outro entendimento do que é o sindicato, e achamos necessário estar mais próximos e fazer um corpo a corpo. A diretoria, especialmente o Rodrigo, esteve em várias unidades conversando com os colegas. Além disso, a gente fez kits para os docentes ingressantes com um material apresentando a entidade, o que resultou em algumas filiações.

O GT sobre Políticas Educacionais também realizou um ciclo de debates discutindo temas como o financiamento da educação. Temos acompanhado muito de perto a questão das licenciaturas e as discussões sobre a CIL”.