Na noite do dia 16 de junho, mais uma vez assistimos, indignados, uma ação policial violenta na USP. A Universidade novamente foi tomada pela nuvem de fumaça de gases lançados contra estudantes. Em vez de ser o lugar da discussão, do diálogo, da crítica social e da diversidade, balas de borracha substituíram o bom senso.
 
O diálogo, ainda que anunciado desde a campanha eleitoral do atual reitor da USP, continuou ausente. A violência institucionalizada ocupou seu lugar, e desta vez atingiu blocos de moradia estudantil, incluindo os que abrigam mães e seus filhos, surpreendidos com bombas de efeito moral. E mais vergonhoso ainda é a reitoria ter enviado um email à comunidade, no dia seguinte, justificando a ação policial.
Lamentavelmente esse ataque foi anunciado. Dois dias antes, os professores que andaram até a reitoria depois da assembleia da Adusp foram recebidos com as portas fechadas e a visível presença de policiais militares em torno do prédio.
 
 
 
 
No dia 15, em manifestação pacífica pelas ruas de São Paulo, verificou-se a iminência de outro enfrentamento com a Polícia Militar do Estado de São Paulo, não fosse a intervenção direta de diversos professores da USP. 
 
 
Qual é o objetivo desse tipo de ação? O que deseja quem autoriza que a repressão armada seja empregada contra estudantes e demais manifestantes? Que interesses se beneficiam com isso?
 
Iniciativas da reitoria, como a revisão autoritária dos modos de avaliação institucional e docente, o corte de ponto de funcionários em greve -direito legítimo-, e a falta de escuta das demandas dos estudantes sobre cotas, espaços e permanência são rejeitadas por parte significativa da comunidade, como ficou claro em encontros públicos recentes. A falta de diálogo leva a uma radicalização das partes e às agressões verificadas na noite de 16 de junho.
 
Diante disso, os docentes da USP, reunidos em assembleia da Adusp no dia 21/6/2016, condenam veementemente o uso da violência policial contra manifestantes, responsabilizam a reitoria por todas suas consequências, bem como apelam mais uma vez ao retorno do diálogo.
 
 
 
 
 

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