A greve das três universidades, em função da campanha de data-base, foi deflagrada por funcionários técnico-administrativos, estudantes e docentes em diferentes momentos e, no caso dos docentes da USP, teve início em 30/5. Com uma pauta unificada, em defesa da universidade pública, uniam-se mais uma vez as três cate­go­rias que compõem a comuni­dade acadêmica. O Fórum das Seis avaliou que a magnitude do ataque ao caráter público das universidades estaduais, aliada a uma forte indisposição dos reitores,  e especialmente da Reitoria da USP, para discutir e negociar, tinha assumido uma dimensão que exigia uma reação à altura.

A greve possibilitaria a oportunidade de uma discussão mais aprofundada entre os colegas sobre o processo de desmonte a que estamos submetidos, bem como sobre a necessidade de ampliar a dotação orçamentária da Educação (e, em particular, das universidades) e de defender nossos salários e condições de trabalho, essenciais para a manutenção da qualidade das atividades que exercemos.

No caso dos docentes da USP, somava-se a esse quadro outra questão: a proposta da Reitoria de “Estatuto do Docente” e “Nova CPA”, com previsão inicial de ser votada na reunião do Conselho Universitário (Co) de 28/6. Acreditamos que a proposta em si, conjugada à falta de discussão ampla e democrática de suas implicações no cotidiano dos docentes, foi o estopim para a deflagração da greve.

Muitos colegas podiam até estar relutantes em aderir à greve, por não acreditarem ser possível conquistar um reajuste mais expressivo em uma conjuntura econômica adversa como a atual, mas não estavam dispostos (e seguem não estando) a aceitar calados a implantação de uma proposta que pretende destruir a autonomia acadêmica do trabalho docente, pilar fundamental para o desenvolvimento adequado das atividades de ensino, pesquisa e exten­são. Assim, deflagrada a greve, diretoria e Comissão de Mobilização deram início a um trabalho de visita às unidades, de conversas com colegas, diretores e representantes de congregações junto ao Co, visando à discussão da proposta da Reitoria e à subsequente retirada de pauta.

A Adusp produziu amplo material de análise da proposta, divulgado ao conjunto dos docentes e encaminhado às unidades. Muitas congregações e conselhos departamentais manifestaram-se contrariamente à proposta (vide p. ex. Informativo Adusp 420) — e, diante da pressão generalizada, a Reitoria retirou o assunto da pauta do Co de junho, mas já anunciando que será incluído na pauta da reunião de agosto (que pressa!). A nosso ver, essa foi uma primeira vitória do movimento grevista.

Merece destaque o encontro de professores ocorrido em  6/6, no Centro de Difusão Internacional (CDI). Evento organizado pelos representantes docentes no Co, com apoio da Reitoria, teve como tema  a questão da carreira, ou seja: os documentos “Estatuto do Docente” e “Regimento Interno da CPA”. Representantes da gestão M.A. Zago-V. Agopyan, autores do projeto, ouviram não apenas a fundamentada e impactante análise crítica do professor Ciro Correia, que falou em nome da Adusp (e foi ovacionado por centenas de colegas), mas igualmente as manifestações de muitos professores, que fizeram questão de se inscrever para registrar sua desaprovação às minutas. Por algum motivo, o compromisso da Reitoria de divulgar o vídeo do evento não foi cumprido, até o momento em que fechávamos esta edição.

Reajuste de 3%

No que se refere à campanha salarial de data-base, na primeira reunião de nego­cia­ção o Cruesp propôs um reajus­te de 3%, alegando não ter condi­ções de oferecer nada além disso e  tendo a Unesp avisado que nem esse índice teria condições de garantir a seus servidores. O Fórum das Seis insistiu na necessidade de, em tempos difíceis, priorizar o investimento nos funcionários e professores, condição essencial para o funcionamento adequado das universidades.

As assembleias das categorias em greve, unanimemente, rejeitaram esse percentual, insistindo — pelo menos — na reposição da inflação do período. Na reunião seguinte, os reitores encerraram unilateralmente as negociações, sob veemente protesto dos representantes do Fórum das Seis.

Se a situação financeira é assim tão grave, não caberia ao Cruesp lutar pelo aumento do percentual destinado às universidades na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2017?

Sob insistência do Fórum, ao final da greve de 2014 os reitores propuseram que o percentual de repasse às universidades fosse aumentado para 9,907% do ICMS-QPE, mas coube ao próprio Fórum, mais uma vez, a tarefa de garantir que — além da reivindicação de aumento para 10% do “total do produto” do ICMS-QPE, apoiada pelo movimento — também a do Cruesp fosse efetivamente contemplada na forma de emenda ao projeto de LDO-2017 do Executivo.

Cabe lembrar que o reitor da USP só esteve presente à primeira reunião com as entidades, que não tratou do índice de reajuste. Sequer contou-se com a presença do vice-reitor, sendo a USP representada nas reuniões de negociação por pró-reitores. Após muita insistência do Fórum, foi agendada uma reunião com a Comissão Técnica do Cruesp, que tinha por objetivo esclarecer diversos pontos do orçamento das universidades, na qual expuseram a situação de arrecadação do ICMS, que diminuiu em abril, em relação aos primeiros meses do ano.

Corte de ponto

Não bastasse ter encerrado unilateralmente as negociações com o Fórum das Seis, em seguida, a Reitoria da USP intensificou as ameaças (algumas já cumpridas) de corte no ponto dos funcionários técnico-administrativos e desconto nos seus salários. As entidades protestam mas, em diferentes unidades da USP, funcionários que recebem os menores salários sofreram descontos já no início do mês de junho. A ameaça permanece. A gestão M.A.Zago-V. Agopyan é reincidente numa prática ilegal que já lhe custou enorme repreensão do Tribunal Regional do Trabalho (TRT-2) quando da greve de 2014.

Conseguiu-se agendar para 24/6 uma reunião entre Reitoria, representada pela Comissão Permanente de Relações do Trabalho (Copert), e funcionários técnico-administrativos, para tratar da questão do corte de ponto. A Adusp se propôs, com a concordância do Sintusp, a enviar representante para acompanhar a reunião, na qualidade de observador. Ao comunicar previamente essa intenção à Reitoria, teve como resposta: NÃO! A Reitoria recusou-se a aceitar a presença da Adusp na reunião.

Aliás, não há novidade em docentes não serem bem-vindos na Reitoria nesta gestão. Se não, vejamos. Após realizarem uma assembleia em 14/6, os docentes encaminharam-se até a Reitoria, pleiteando ser recebidos para cobrar a resposta a duas solicitações de reunião. Ao chegarem ao prédio, até mesmo em pequena comissão,  foram impedidos de entrar.  Após muita insistência, um funcionário, por uma fresta, recebeu cópias dos ofícios; quase uma hora depois e por meio do mesmo funcionário, chega a resposta: as duas solicitações estavam negadas. E pensar que M.A. Zago-V. Agopyan alardeavam o diálogo com a comunidade como elemento central de seu programa de gestão...

A tamanha intransigência, respondemos com a manutenção da greve. O movimento passou a organizar várias manifestações, visando a pressionar Reitoria e governo estadual a negociarem. No dia 15/6, o Fórum das Seis realizou caminhada seguida de ato no Palácio dos Bandeirantes, e na semana seguinte nova rodada de assembleias manteve a greve. A Assembleia da Adusp de 21/6 aprovou, por unanimidade, o apoio da entidade às Cotas Raciais e Sociais, ponto central da pauta do movimento estudantil.

Realizamos novo ato na Reitoria em 22/6 para entregar a pauta comum das três categorias da USP, com resultado semelhante: uma funcionária recebeu o documento, mas o chefe de gabinete só se dignou a aparecer quando soube da presença do deputado Carlos Gianazzi (PSOL) — e conversou apenas com ele, negando-se a recepcionar os representantes do movimento. Na tarde daquele mesmo dia, um expressivo ato/debate sobre o direito de greve teve lugar no vão da História (vide p. 3), enquanto representantes do Fórum das Seis acompanhavam a reunião da Comissão de Finanças, Orçamento e Planejamento (CFOP) da Alesp.

Ausência natural?

Na quinta-feira, 23/6, a Frente Parlamentar em Defesa das Universidades Públicas da Alesp promoveu audiência pública para debater o financiamento das universidades e mais uma vez o Fórum das Seis se fez presente para discutir com deputados e com o Cruesp. Por parte dos reitores, compareceram o vice-reitor da Unicamp e o reitor da Unesp (vide p.4). Onde estavam M.A.Zago e V. Agopyan? Ambos, vejam só, preferiram prestigiar o lançamento do “Centro de Pesquisa em Bem-Estar e Comportamento Humano”, financiado pela Fapesp e pela empresa Natura. Em magnífica demonstração de descaso quanto às questões relativas ao financiamento da USP, não cuidaram para que a Reitoria estivesse sequer representada na audiência da Alesp.

Na mesma tarde, mesa organizada por DCE-Livre, Sintusp e Adusp para tratar de Cotas Raciais contou com a participação de Jupiara Castro, do Núcleo de Consciência Negra da USP, e Silvio Almeida, do Instituto Luis Gama. Na ocasião, aprofundou-se a compreensão do papel das Cotas Raciais no processo de democrati­za­ção da sociedade (em breve, dis­ponível na íntegra no site da Adusp).

A Assembleia de 27/6, mais uma vez aprovou a continuidade da greve. Considerou que o movimento ainda tinha tarefas a cumprir, especialmente quanto a evitar o corte de ponto dos funcionários e à votação da LDO na Alesp.

Nova  manifestação na Alesp, em 29/6, contou com a presença de cerca de 500 estudantes, funcionários e docentes das três Universidades. Visava a pressionar a CFOP a incluir no seu relatório emendas destinando percentuais maiores que os atuais 9,57% do ICMS às universidades públicas paulistas. Mas não foi o que ocorreu: em uma sessão que durou menos que 5 minutos, o rolo compressor da bancada governista aprovou o texto do relator, deixando de fora todas as emendas propostas. Mais uma vez, o executivo fez valer sua vontade. Até o fechamento desta edição, a LDO ainda não havia sido votada. 

 Na assembleia dos docentes realizada em 30/6, decidimos, por ampla maioria, pelo encerramento da greve, na certeza de que a luta contra o desmonte será longa e exigirá de todos nós muita disposição, especialmente no segundo semestre. Consideramos ser o momento de recompor nossas forças, buscando convencer mais colegas a  juntar-se a nós nesse esforço de defesa da universidade pública.

O movimento grevista que se encerra deixou claro que a dupla M.A. Zago-V. Agopyan não está à altura dos cargos que hoje ocupa. Afinal, qual o papel do Reitor de uma universidade pública? Desqualificar seu corpo docente na mídia? Substituir as reuniões do Co por encontros restritos aos diretores de unidades? Pressionar diretores a cortar o ponto de funcionários em greve?  Acomodar-se diante de um crise de financiamento sem precedentes, optando por arrochar salários de docentes e servidores? Aprofundar o desmonte da universidade, desobrigando-se do  HU e das creches, ao mesmo tempo em que se  omite na luta por mais recursos para as universidades e para a educação? Furtar-se ao diálogo e à negociação? Propor modificações profundas na carreira dos docentes e nos processos de avaliação, sem ampla discussão prévia com o conjunto dos profes­sores sobre o que as motivou? Tratar estudantes e funcionários como caso de polícia e, para isso, facilitar e apoiar ações  violentas da PM nos prédios do Crusp, em blocos onde crianças já dormiam com seus pais? 

Este é o Reitor que temos. Até quando? A estrutura absolutamente hierarquizada, fechada e antidemocrática da USP faz com que, a cada quatro anos, o processo sucessório na Reitoria troque  seis por meia dúzia. Dizemos sempre que será  impossível piorar... mas sempre piora!  E esta gestão só reforça esse sentimento, ou melhor dizendo, essa certeza. Sem democratizar a estrutura da universidade, não avançaremos na luta em defesa da universidade pública de qualidade para todos.

Apesar de forte em algumas unidades, é importante mencionar que a greve dos docentes da USP não foi uma  unanimidade, nem foi ampla como precisaria ter sido para enfrentar o desmonte da USP em curso. Mesmo assim, possibilitou que ampliássemos o debate e obteve uma vitória importante, ao forçar a Reitoria a retirar da pauta de junho a proposta de avaliação e da “Nova CPA”. Mas não nos iludamos: agosto está aí e essa proposta faz parte de um projeto mais amplo, que visa a tratar o Regime de Dedicação Integral à Docência e à Pesquisa (RDIDP) não como regime preferencial de trabalho na USP, mas como um prêmio destinado a parcela dos docentes. Projeto esse que pensa a avaliação não como um processo contínuo que — a partir de critérios claros e democraticamente estabelecidos — destine-se a aprimorar e corrigir rumos acadêmicos, mas sim como instrumento de controle e punição de docentes que não se adequem ao modelo imposto pela Reitoria, de modo a não lhes permitir a ascensão na carreira — e, pior, de modo a lhes retirar o RDIDP, regime essencial para o desenvolvimento adequado do trabalho acadêmico de qualidade.

Pretende-se, assim, impor um modelo de universidade cada vez menos plural e menos democrático, consequentemente menos rica nos seus mais diversos âmbitos. Por sua vez, o movimento continuará empenhado em reforçar o caráter público e gratuito da USP; em democratizar o acesso a ela e aprimorar os mecanismos de permanência estudantil; em lutar por mais verbas para educação em geral e para as universidades estaduais, para que possam cumprir adequadamente suas funções.

O segundo semestre exigirá um corpo docente unido e forte para enfrentar uma disputa entre dois projetos de universidade efetivamente antagônicos. Temos imensa responsabilidade nesse embate. Não nos furtaremos a ela!

Informativo nº 421

Privatização / Conflito de interesses / Fundações

  • Congregação da ECA homologa resultado de concurso para Titular e professora preterida interpõe recurso

    Marilda de Lara denuncia “ilegalidades insanáveis” e pede anulação. O vencedor foi Eugênio Bucci, superintendente de Comunicação da USP A professora Marilda Lopes Ginez de Lara, do Departamento de Informação e Cultura da Escola de Comunicações e Artes (CBD-ECA), protocolou no dia 13/7 um recurso contra a homologação pela Congregação, na reunião de 28/6, do resultado de concurso para Professor Titular na área de Informação e Cultura, vencido pelo professor Eugênio Bucci, que lecionava no Departamento de Jornalismo e Editoração (CJE-ECA). Caso o recurso seja denegado pela Congregação, será encaminhado ao Conselho Universitário.
  • Congregação da EEFE rejeita recurso de professor

    Recurso do professor Bruno Gualano contra decisão do Conselho do Departamento de Biodinâmica do Movimento do Corpo Humano — que recusou, em 9/2 e novamente em 6/4, seu pedido de transferência para a Faculdade de Medicina (FM) — foi denegado em 9/6 pela Congregação da Escola de Educação Física e Esportes (EEFE). Agora, o docente pretende recorrer ao Conselho Universitário (Co). Em razão de denúncias de irregularidades que encaminhou em 2015 à própria USP e, posteriormente, ao Ministério Público (MPE-SP), as quais envolvem o suplente da chefia daquele departamento, o professor Gualano vem sendo alvo de hostilidades que levaram-no a pedir transferência para outra unidade, no caso a FM, cujo Departamento de Clínica Médica deu aval à solicitação. No entanto, o Departamento de Biodinâmica do Movimento do Corpo Humano da EEFE alegou que há “disciplinas descobertas”, que “não é interesse disponibilizar o docente”, que ele “como docente, é muito importante” e que portanto não pode ser liberado. A chefe do departamento, professora Edilamar Menezes, sustentou na Congregação que “a transfe­rência sem permuta implica a perda de um docente”, e ao responder à pergunta de um dos membros do colegiado sobre “qual fato novo foi apresentado no pedido do interessado”, afirmou que “não foi apresentado fato novo”. O professor Valmor Tricoli, diretor da EEFE, alegou que “há atividades de graduação, pós-graduação e pesquisa que ficariam descobertas se abríssemos mão de um docente [...] seria um contrassenso liberar um docente se hoje a situação já é precária”. O recurso foi rejeitado por 18 votos, com uma única abstenção, do professor Hamilton Roschel. Depreende-se da leitura da ata da reunião de 9/6 que a Congregação não procedeu à leitura e discussão do recurso apresentado por Gualano. Portanto, não houve oportunidade de contraditório em relação à manifestação da chefe do departamento de que não há “fato novo” no recurso. Sequer houve discussão das questões de mérito apontadas no documento. Na mesma reunião, a solicitação de um professor titular para exercer consultoria remunerada ao Hospital Sírio Libanês, particular, e o relatório de afastamento do professor Herbert Lancha Jr. para uma viagem à França foram aprovados por unanimidade pela Congregação. O relatório de Lancha Jr., suplente da chefia do Departamento, recebeu parecer favorável do professor Alberto Carlos Amadio, ex-chefe de Gabinete da Reitoria (gestões Suely Vilela e J.G. Rodas). A viagem à França, custeada com recursos da Fapesp, é objeto de investigação pelo MPE-SP. Informativo nº 438
  • Estrutura de poder oligárquica e lógica mercantil criam cenário favorável a desmandos e perseguições

    Há muito que a Adusp se preocupa com a crescente influência de interesses privados em questões que deveriam ser tratadas com isenção no âmbito de uma instituição pública como a USP — e, nesse caso, sob a lógica da ética acadêmica. Isso parece cada vez menos provável numa universidade que cada vez mais deixa-se capturar pela lógica e pelos interesses do mercado, como tão bem demonstra a iniciativa da Reitoria em buscar orientações junto a instituições privadas, evidenciada nos obscuros contratos com a Mckinsey&Company e a Comunitas, negociados e firmados à revelia do próprio Conselho Universitário (Co). Igualmente escandalosa é a presença nas suas unidades de trinta fundações privadas ditas “de apoio”, a gerar patente conflito de interesses, a começar pela figura do reitor que preside uma delas, a FUSP, mas sem que se possa esquecer do Co, onde docentes vinculados a tais entidades ocupam 30% dos assentos. Esse cenário tende a se agravar com a contribuição de recente decisão do Supremo Tribunal Federal, permitindo cursos pagos lato sensu nas universidades públicas, em afronta à previsão de gratuidade do ensino nos estabelecimentos oficiais expressa na Constituição Federal (Artigo 206, inciso IV), fruto das lutas sociais da década de 1980. Ainda assim, e ainda mais frente a tal estado de coisas, a Adusp reafirma seu compromisso de continuar na luta por uma universidade de fato pública, onde os interesses privados não prevaleçam; onde a estrutura de poder não seja oligárquica; onde não haja espaço para o sem número de perseguições e assédios que essa estrutura autoritária e anacrônica  propicia, como infelizmente o caso ocorrido na EEFE é mais um exemplo. É por entender que a publicidade é uma arma importante contra toda sorte de desmandos que a Adusp assume o compromisso de dar acolhimento e, sempre que possível, divulgação das situações enfrentadas, a todos que a procuram quando se veem dessa forma hostilizados e perseguidos. E assim continuará a proceder. Diretoria da Adusp
  • Juíza atende ao MPE-SP, recebe ação e cita professor titular e sua empresa como réus

    Depois que o professor titular Antonio Herbert Lancha Junior, sua empresa Quality Life e o Instituto Vita apresentaram suas respectivas defesas prévias, na ação civil por improbidade administrativa e enriquecimento ilícito ajuizada contra eles pelo MPE-SP na 15ª Vara da Fazenda Pública, o promotor de justiça Marcelo Milani protocolou sua réplica, na qual reitera as acusações ao docente da EEFE. No documento, datado de 7/4/17, diz Milani: “Inicialmente não foi possível a citação e intimação do demandado Lancha Junior [...] no sentido de encontrar-se o demandado no exterior, sem, à época, previsão de volta”. Ainda segundo o promotor, Lancha Junior “furtava-se de ser citado e intimado do teor do mandado expedido por esse Juízo”. De acordo com a réplica do promotor, na defesa prévia Lancha Junior “discorre sobre fatos que constituiriam uma trama” contra sua pessoa, “com a única finalidade de desabonar e macular a sua imagem perante a comunidade acadêmica e a sociedade”, de tal modo que o MPE-SP teria sido utilizado “para resolver desavenças acadêmicas”. Prossegue Milani no documento: “De forma a desabonar a conduta e as afirmações do Professor Doutor Bruno Gualano, ao longo de sua contestação [Lancha Junior] tenta demonstrar o suposto esquema formulado pelo citado professor [...] em conjunto com outras testemunhas que prestaram depoimento no bojo do inquérito civil que ensejou esta ação”. Esquema esse que consistiria em “retirar o demandado Lancha Junior da cadeira do Departamento de Biodinâmica da EEFE-USP”, com a ajuda do professor Guilherme Artioli e outros, e com esse fim “teria engendrado uma narrativa para respaldá-lo”. A réplica do promotor conclui, no entanto, que a versão de Lancha Junior é infundada. “Ora, são diversos os fatos narrados que demonstram à saciedade a prática, pelo demandado Lancha Junior, de ato de improbidade administrativa, tornando-se parte legitima para figurar no polo passivo desta demanda. O responsável pela aquisição do aparelho e pedido de sua alocação no Instituto demandado é o demandado Lancha Junior. Ainda, o aparelho localizava-se em sala anexa à do demandado, somente tendo acesso ao Bod Pod aqueles que fossem devidamente autorizados por ele. E, por fim, sendo as situações aqui elencadas apenas a título exemplificativo, informou o Instituto demandado que Lancha Junior cobrava pela realização de exames na máquina Bod Pod, inclusive juntando aos autos cópias de notas fiscais emitidas relativas à prestação de tal serviço”. “Meios coercitivos” Milani manifesta-se também, na réplica, sobre o pedido de Lancha Junior de revogação do seu afastamento temporário e sobre a concessão, apenas, de efeito suspensivo pelo desembargador Marcelo Martins Berthe, da 5ª Câmara de Direito Público. Assim, o promotor reitera as razões que o levaram a pedir que o professor fosse afastado do cargo na EEFE: “Em razão da posição por ele ocupada na Escola de Educação Física e Esportes [...] utilizava-se o demandado de meios coercitivos e ameaças para constranger os profissionais a não denunciar os atos por ele praticados”. Assim, reforça, além das provas citadas que embasam o pedido de condenação pela prática de ato de improbidade administrativa, “foram devidamente comprovadas nos autos a existência de ameaças veladas e obstáculos impostos para acesso de alunos e professores da Universidade de São Paulo às dependências do laboratório que demandado Lancha Junior considera como de sua propriedade”. Portanto, esclarece o promotor, o pedido do deferimento da medida cautelar não se baseia somente nos atos ímprobos praticados pelo demandado, “mas também em suas atitudes abusivas, desprovidas do mínimo bom senso e urbanidade, demonstradoras de que o demandado entende, em razão de seus feitos acadêmicos e reconhecimento público, que pode agir da forma como bem entender”. O acusado desrespeita “não só princípios constitucionais, mas também autoridades públicas envolvidas no caso de forma desmedida, deturpando os fatos relatados e efetivamente comprovados”. Ao final da réplica, pede-se a citação dos denunciados. O que a juíza Cynthia Thomé acatou no seu despacho de 10/4/17, no qual determina: “Não sendo caso de rejeição da ação, vez que neste momento preliminar não é inequívoca a inexistência de ato de improbidade, tampouco se tratando de inadequação da via eleita, recebo a petição inicial e determino a citação dos réus nos termos do art. 17, § 9º da Lei 8.429/92, para contestarem a ação no prazo legal, servindo a presente como mandado”.
  • “Não temos medido esforços para superar impasse”, diz professora Edilamar Menezes

    Em resposta a questões que lhe foram encaminhadas pelo Informativo Adusp, a professora Edilamar Menezes de Oliveira, chefe do Departamento de Biodinâmica do Movimento do Corpo Humano da EEFE, voltou a declarar que tentou “intermediar uma conciliação” entre o professor Lancha Junior, acusado de assédio moral e de improbidade administrativa, e o professor Bruno Gualano, autor de denúncias contra Lancha Junior, e que “as partes não entraram em acordo”. A seguir, as perguntas e as respostas: Informativo Adusp: “A ata da reunião de 9/2/17 do Conselho do Departamento de Biodinâmica do Movimento do Corpo Humano nas quais foi apreciado e recusado o pedido de transferência do professor Gualano para a FM registra o seguinte comentário da Sra. sobre a reportagem intitulada “Juíza afasta provisoriamente docente da EEFE acusado de uso indevido de equipamento da USP”, publicada na página digital da Adusp em 26/1/17: “A profa. Edilamar esclarece que com relação à matéria da Adusp, [nem] o departamento e nem a diretoria foram procurados para se manifestar sobre o assunto [e] só souberam quando a matéria foi publicada”. No entanto, a matéria trouxe declarações do professor Tricoli, diretor da EEFE, prestadas com exclusividade ao Informativo Adusp; e informou que o professor Lancha, vice-chefe do Departamento, foi procurado repetidas vezes para se manifestar sobre o caso. A Sra. tem algo a declarar a esse respeito?” Professora Edilamar: “Manifesto que foi um equívoco em relação ao Diretor da EEFE-USP, mas não em relação ao Departamento, o qual não foi procurado para manifestar-se naquele momento”. Informativo Adusp: “O recurso do professor Gualano à Congregação destaca o fato de que, na condição de chefe do Departamento, tendo recebido as denúncias de assédio moral feitas por ele contra o professor Lancha Junior, a Sra. minimizou-as, classificando a situação como mero ‘desentendimento entre docentes’, e ao invés de investigá-las ou de tomar medidas, buscou uma ‘conciliação entre as partes’. Ainda conforme o recurso, a atitude do Departamento atenta contra a moralidade administrativa. Como a Sra. avalia tais afirmações?” Professora Edilamar: “Eu estou sendo informada a respeito do conteúdo do recurso encaminhado pelo Professor Bruno Gualano à Congregação neste momento pelo Sr., uma vez que a reunião do colegiado onde possivelmente esse recurso será apresentado será no dia 8/6/2017. Na qualidade de membro da Congregação, por ser Chefe do Departamento de Biodinâmica, somente terei acesso aos documentos da pauta da reunião após o envio da convocação para a reunião pela Direção da EEFE-USP”. “Manifesto que o desentendimento entre os docentes nunca foi minimizado nem desprezado pelo Departamento, que em conjunto com a Direção da EEFE-USP tentou sim, por inúmeras vezes, contornar e intermediar uma conciliação entre os docentes. Nós não temos medido esforços para solucionar o impasse e causar o menor transtorno possível ao desenvolvimento das atividades de ensino, extensão e pesquisa, buscando garantir a continuidade de todos os trabalhos de iniciação científica dos alunos da graduação, dissertações e teses dos alunos na Pós-Graduação, bem como projetos de pesquisadores orientados e supervisionados pelos docentes envolvidos. Infelizmente, apesar das diversas tentativas, as partes não entraram em acordo”. “Quanto ao documento encaminhada pelo Prof. Bruno Gualano ao Departamento, mencionando assédio moral, este foi encaminhado à Direção da EEFE-USP para que tomasse as providências cabíveis, que abriu processo de sindicância, que está em andamento”.