As greves e mobilizações impactam positivamente os salários dos servidores das univer­sidades estaduais paulistas (Unesp, Unicamp e USP), como pode ser visto no gráfico. Os valores absolutos mostrados são referentes ao salário bruto inicial de professor doutor, mas as porcentagens de ganho das mobilizações são as mesmas para as três universidades, tanto para professores quanto para funcionários técnico-administrativos. Os dados referem-se ao período de jan/2000 a jun/2016.

Tendo como referência as propostas iniciais do Cruesp, o número principal que resume este impacto é + 47 %, que é a diferença entre o salário recebido atualmente (R$ 10.675) e o que seria o salário (R$ 7.260) se os trabalhadores tivessem simplesmente aceitado as propostas iniciais de reajuste, ou seja: R$ 3.415 é 47% de R$ 7.260. Se a referência usada for o salário recebido, sem mobilização, o salário seria 2/3 do que é hoje.

A faixa amarela do gráfico refere-se aos valores acumulados no período para um professor doutor, que são de aproximadamente R$ 347 mil em valores absolutos ou R$ 541 mil se corrigidos pelo índice ICV do Dieese. Este acumulado refere-se àqueles que já trabalhavam em 2000, mas é apenas um limite mínimo, pois no período de 16 anos já receberiam mais 3 quinquênios, sobre os quais incidiriam também os reajustes maiores devido às mobilizações. Se o docente teve outras promoções, o valor seria ainda maior.

A diferença acumulada no período para quaisquer servidores (docentes ou técnico-administrativos), pode ser estimada da seguinte forma: a cada R$ 1.000 do salário-base recebido hoje, este acumulado seria cerca de R$ 34 mil ou R$ 53 mil se corrigidos.

  Proposta inicial % Conquistado %
2000 greve 0

24,52

2002 6,43 8,00
2004 greve 0 4,18
2005 0 2,76
2006 0 1,79
2007 greve 0 1,5
2014 greve 0 5,20

A tabela mostra os índices de reajustes conquistados ao lado das propostas iniciais do Cruesp, quando o que se conquistou foi maior que a proposta inicial. No período de 2000 até hoje, houve greve nas universidades estaduais paulistas durante as campanhas salariais dos seguintes anos: 2000, 2003, 2004, 2005 (no segundo semestre por conta da LDO), 2007, 2009, 2010, 2013 (somente na Unesp), 2014 e 2016. Como é possível perceber, em 2002, 2005 e 2006 não houve greve: a possibilidade de realização de greve foi suficiente para que as negociações do Fórum da Seis com o Cruesp ensejassem reajustes salariais maiores que a proposta inicial das reitorias.

Em tempos de descrença nas lutas coletivas é sempre bom lembrar que só elas podem garantir nossos direitos.

Informativo nº 428