foto: Daniel Garcia

O Fórum das Seis, composto pelas associações de docentes, sindicatos de funcionários técnico-administrativos e diretórios centrais dos estudantes das três universidades estaduais paulistas e do Centro Paula Souza (Ceeteps), realizou um ato em frente à sede do Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas (Cruesp) para exigir um reajuste salarial capaz de recuperar o poder aquisitivo de maio de 2015.

foto: Marcelo Chaves
Forte presença dos estudantes no Ato...
 
foto: Daniel Garcia
... que contou com a participação também de muitos docentes e funcionários

Realizado simultaneamente à negociação com o Cruesp, o ato obteve apoio expressivo de estudantes, funcionários e docentes das três universidades, contando inclusive com caravanas de diversos campi do interior. A notícia de que o Cruesp propôs apenas 1,5% de reajuste salarial, transmitida pelos negociadores do Fórum aos manifestantes, foi recebida com vaias intensas e com a reiteração das possibilidades de greve.

“Nós viemos aqui para exigir dos reitores que parem com o processo de destruição das universidades e do Centro Paula Souza. Temos um arrocho salarial sem precedentes!”, afirmou o professor João Chaves, presidente da Adunesp e coordenador do Fórum das Seis. Chaves também destacou a situação vivida pelos servidores da Unesp, que não chegaram a receber o reajuste de 3% (portanto já inferior à inflação do período), que a USP e a Unicamp concederam em maio de 2016. “Aprofundaram ainda mais a diferença salarial entre os servidores das três universidades. O que se passa é que o trabalho dos docentes da USP e Unicamp está valendo mais para o Cruesp do que o trabalho do docente da Unesp”.

Magno de Carvalho Costa, diretor do Sintusp, relembrou que além do arrocho salarial as universidades também sofrem com a falta de funcionários e congelamento de contratações. “Sucatearam as universidades: na USP, o último reitor retirou mais de quatro mil funcionários, sem reposição. Nós perdemos inclusive muitos dos mais preparados funcionários”, disse Magno. “Aprendemos nestes anos todos que só com luta e só com greve é que conquistamos tudo o que temos, e que agora estamos perdendo”, concluiu.

“O reitor esteve na Alesp e as perguntas que fizemos ontem, nós faremos de novo nessa sala: Vahan, cadê os R$ 48 milhões para o Hospital Universitário? Porque isso é permanência estudantil!”, protestou o estudante David Paraguai Molinari, diretor do DCE da USP, antes de subir com outros diretores para participar da negociação com o Cruesp.

“500 professores efetivos a menos na USP”

Adrián Fanjul, professor da FFLCH e membro da Comissão de Mobilização da Adusp, também reiterou que o arrocho salarial é só uma parte do desmonte da educação pública. “Temos 500 professores [efetivos] a menos na USP, substituídos por professores temporários, em uma proporção que tende a crescer cada vez mais, precarizando o trabalho dos docentes”, explicou.

Fanjul também relembrou a obscura relação da Reitoria da USP com a consultoria McKinsey&Company, cujas recomendações em um relatório final são de “mais terceirização e uma crítica à uma postura que chamam de ‘passiva’ nas contratações de docentes”. “O que eles chamam de ‘passiva’ é ter que respeitar concursos públicos. Parte do plano é substituir uma porcentagem de docentes por diferentes formas de precarização”, alertou o docente da FFLCH.

Presente ao ato, o deputado estadual Carlos Giannazi (PSOL) afirmou que no final do ano passado foi aprovado um orçamento, para o Estado de São Paulo, de mais de R$ 216 bilhões, dinheiro que “está sendo disputado pelos setores empresariais, que tem desonerações fiscais: só no ano passado o governo Alckmin transferiu mais de R$ 20 bilhões para empresas”. “Há dinheiro no orçamento, e temos que disputar para que esse dinheiro seja investido nas universidades, no Centro Paula Souza, na saúde e na educação básica. Os reitores têm que fazer pressão e exigir que o governo canalize esses recursos para suas universidades”, afirmou o deputado, que em seguida relembrou o depoimento do reitor Vahan Agopyan na Alesp no dia anterior, caracterizando sua fala como “deprimente”, por tripudiar da emenda orçamentária que destina R$ 48 milhões à contratação de funcionários para o HU.

Sâmia Bomfim, vereadora de São Paulo (PSOL) e funcionária licenciada da USP, também prestou solidariedade ao movimento e utilizou sua fala para ligar o desmonte das universidades ao que chamou de “projeto de destruição” do presidente golpista Michel Temer. Sâmia também caracterizou o desmonte como um novo obstáculo às cotas recém conquistadas na USP: “A conquista das cotas permite popularizar a universidade, colocar mais trabalhadores nas universidades, mas eles tentam impedir isto ao não investir em permanência e ao sucatear o Hospital Universitário”.