A greve dos docentes da USP foi “iniciada e encerrada de forma responsável” e com ganhos modestos, porém importantes. A avaliação é da segunda vice-presidente da Adusp, professora Michele Schultz Ramos (EACH). “O movimento permitiu ao conjunto de docentes envolvidos, que cresceu dia a dia no curto período da greve, reafirmar a defesa da universidade pública, discutir o subfinanciamento praticado pelo governo do Estado, denunciar as precárias condições de trabalho e, talvez o mais importante, criar espaços de diálogo que me parece que serão mantidos”, diz Michele. “Tais espaços serão fundamentais em tempos de construção dos projetos institucionais, que balizarão a avaliação docente”.

No entender da diretora da Adusp, a desestimulante conjuntura do país e os métodos punitivistas de controle da força de trabalho postos em prática na USP afastaram do movimento uma expressiva parcela do corpo docente. “Há na universidade, como na sociedade, um clima de desesperança que, certamente, impediu maior adesão e participação no movimento. Além disso, a política produtivista e persecutória sedimentada na gestão Zago-Vahan tem criado um clima de medo. Muitas e muitos docentes, embora manifestem indignação com a situação, receiam participar mais ativamente das atividades”.

Para Michele, o decorrer do processo de negociação mostrou que a condução do movimento de greve pela Adusp e pelo Fórum das Seis foi essencialmente correta, obrigando os reitores a mudar de tática: “Pude perceber, a cada reunião, que a postura dos reitores e suas equipes mudou. De um clima de quase tripúdio da primeira reunião, passaram a uma cordialidade respeitosa, reconhecendo a competência e lucidez do Fórum das Seis ao apresentar uma contraproposta”. O reitor Vahan, presidente do Cruesp, chegou a comparar com reuniões da gestão Zago, da qual fez parte, e dizer que “nunca” tinha visto uma reunião com uma proposta prática colocada sobre a mesa.

“Apesar de ganhos tímidos, saímos de uma campanha que se iniciou com zero por cento como perspectiva, para um reajuste que repôs alguma inflação e com promessas de revisão no segundo semestre. Outro aspecto que me pareceu importante foi o reconhecimento dos reitores, alguns mais, outro menos, de que há um subfinanciamento das universidades paulistas e de que essa disputa deve acontecer no Palácio do Governo e na Alesp”, completou a segunda vice-presidente da Adusp.