A chapa M.A. Zago-V. Agopyan foi eleita para a Reitoria da USP prometendo diálogo e negociação. No entanto, dialogar e negociar é tudo que a Reitoria não faz!
Não faz porque não quer, porque não sabe e, principalmente, porque não pode.
 
Afinal, o projeto de sucateamento dos hospitais universitários, de fechamento anunciado das creches, de ataque ao RDIDP e à Carreira Docente, de diminuição do quadro de docentes e de técnico-administrativos, de "adequação" da universidade a condições impraticáveis de financiamento, não pode ser colocado em discussão com a comunidade universitária sob risco de não ser implementado.
 
Sorrateiramente, como sempre, a Reitoria cancela a reunião do Conselho Universitário (Co) de junho, reúne-se apenas com diretores de unidades e depois, sem nenhum aviso prévio, convoca uma reunião em julho (!) para tentar aprovar mais um Programa de Incentivo à Demissão Voluntária (PIDV) e também um Programa de Incentivo à Redução de Jornada (PIRJ) - ambos para funcionários técnico-administrativos -, que só reforçarão o desmantelamento ao qual já estamos sendo submetidos.
 
Mais uma vez, a Reitoria busca impor mudanças importantes sem divulgação prévia das propostas, sem permitir sua discussão nas unidades, enfim, sem qualquer respeito para com a comunidade universitária.
 
Não bastassem as propostas de avaliação docente e institucional que conseguiram desagradar generalizadamente às unidades, nos deparamos agora com mais uma pérola: a Reitoria quer retomar as contratações docentes, conforme anuncia a Circular GR/CIRC/285, de 30/6/2016.
 
Segundo a Circular, estão previstos três tipos de justificativa para contratação docente: a primeira delas deverá atender às mais urgentes necessidades de ensino de graduação. As outras se vinculam à existência de coordenação de um Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepid) ou de bolsistas do Programa de Jovens Pesquisadores da Fapesp na unidade. Para essa última modalidade, serão distribuídas até 65 vagas a partir de janeiro de 2017.
 
Curiosamente, ou não, a Reitoria da USP não especifica o regime de trabalho em que as contratações serão feitas e tampouco motiva ou justifica o que a levou a fazer tais escolhas.
 
Algumas perguntas que não querem calar:
  1.  As contratações serão todas em RDIDP?
    Pelo que conhecemos do projeto de M.A. Zago-V. Agopyan para a instituição, não seria improvável que aquelas destinadas à graduação pudessem ocorrer em RTP, como já indicava o relatório do Grupo de Trabalho - Atividade Docente (GT-AD). Mais ainda, estaria essa decisão indicando, por exemplo, que só receberão vagas em RDIDP aquelas unidades envolvidas com os mencionados programas da Fapesp? Estaria a USP delegando a agências externas a ela a definição do perfil docente em RDIDP?
  2. Quais critérios serão utilizados na distribuição das vagas para atender às necessidades da graduação? Quem os definirá? Eles serão tornados públicos para discussão?
    Considerando que diversas unidades já padecem da falta de docentes, inclusive pela não reposição de vagas decorrentes de aposentadorias e mortes, seria insustentável que a definição de critérios e a distribuição de claros ocorressem a portas fechadas e que viéssemos a tomar conhecimento dos resultados apenas a posteriori.
  3. Qual é o número total de vagas que a Reitoria planeja abrir para contratação? A universidade pretende apresentar um quadro atualizado com as aposentadorias e mortes por departamentos e por unidades? As demandas e justificativas das unidades serão tornadas públicas?
  4. A quem caberá a decisão final? Qual o papel da Pró-Reitoria de Graduação nesse processo?

Mais uma vez, nada se explicita e sequer se discute com aqueles que estão diretamente envolvidos com o trabalho cotidiano da universidade. Ao contrário, apenas decreta-se como será.

A esta Reitoria parece que não importa ficar na história da USP como uma das que mais aprofundou o sucateamento da instituição; como aquela que nada fez para evitar o pior; como a protagonista de uma verdadeira fraude eleitoral; como uma Reitoria autoritária que conduziu sua gestão a partir de seu gabinete, reunida apenas com alguns, cada vez mais poucos, que ainda lhe prometiam obediência.

Diante de tudo isso, não há como não reconhecer que, de fato, M.A. Zago-V. Agopyan não estão à altura dos cargos que ocupam!
 
São Paulo, 12 de julho de 2016
Diretoria da Adusp