A Congregação da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) decidiu em 21/10, por unanimidade, permitir que o cursinho pré-vestibular mantido por estudantes da unidade dê continuidade a suas atividades cotidianas, inclusive aos sábados. O desfecho reflete a mobilização dos estudantes e anula a cruzada empreendida pelo diretor da FEA, professor Adalberto Fischmann, para quem o cursinho deveria deixar de funcionar na unidade.

O ultimato do diretor foi trans­mitido aos coordenadores do cursinho, logo após estes terem elaborado um levantamento dos problemas da FEA em rela­ção às suas atividades, já que no final de julho Fischmann declarara que o cursinho — por razões administrativas e por atrair um grande fluxo de pessoas desconhecidas — não poderia mais realizar suas atividades aos sábados.

Em 2/10, o diretor informou que havia se reunido com a Procuradoria Geral (PG-USP), que proíbe a existência de entidades com fins privados na universidade — e apontou que o cursinho funcionava de forma irregular, tendo de encerrar as atividades permanentemente.

Repercussão

A reação dos coordenadores do cursinho veio através de uma nota de apoio lançada em 13/10, que aponta a decisão de Fischmann  como “arbitrária”, por ignorar “os 15 anos de existência da entidade que, com o objetivo de democratização do conhecimento e transformação da universidade em um espaço de acesso a todos, consolidou-se como uma das maiores entidades feanas [...] que levam o nome da FEA e do Cursinho para o mercado de trabalho”.

Assinada por mais de 60 entidades, a nota teve grande repercussão, como afirma Gabriel Terhoch, estudante da FEA e coordenador do cursinho: “Depois que a gente soltou a nota, começamos a falar com a mídia, alguns pais de alunos nos envia­ram e-mails e várias pessoas questionaram a decisão do diretor”.

A legalidade do cursinho foi discutida entre seus coordenadores, a PG-USP e Fischmann, em 19/10. Após apresentação do projeto, ficou atestado que não ocorre exploração comercial do espaço da universidade, já que não há lucro nem cobrança de mensalidades.

Mesmo assim, Fischmann insistiu em proibir as aulas oferecidas aos sábados. Os coordena­dores contra-argumentaram que as atividades de sábado são essenciais à sobrevivên­cia do projeto, já que a maioria dos estu­dantes só pode frequentar o cursinho nesse dia.

Uma assembleia de estudantes da FEA decidiu apresentar à Congregação moção pelo reconhecimento do cursinho.

E as fundações?!?

O episódio expõe a notável contradição entre a trajetória de Fischmann, como um dos principais dirigentes da Fundação Instituto de Administração (FIA) e suas alega­ções contra o cursinho.

Ex-presidente da FIA, coordenador de projetos e atualmente membro do Conselho Curador, Fischmann foi um dos idealizadores da “Faculdade FIA de Administração e Negócios”. A fundação privada, que cresceu dizendo-se “de apoio” à USP, mas depois suprimiu de seu estatuto essa definição, arrecadou centenas de milhões de reais ao longo de décadas.

Não consta que o diretor da FEA tenha questionado a realização de atividades privadas pelas fundações que lá atuam: FIA, Fipe e Fipecafi. Fischmann incorre em claro conflito de interesses, tanto na unidade como no Conselho Universitário (Co).

Informativo nº 410