Há muito que a Adusp se preocupa com a crescente influência de interesses privados em questões que deveriam ser tratadas com isenção no âmbito de uma instituição pública como a USP — e, nesse caso, sob a lógica da ética acadêmica. Isso parece cada vez menos provável numa universidade que cada vez mais deixa-se capturar pela lógica e pelos interesses do mercado, como tão bem demonstra a iniciativa da Reitoria em buscar orientações junto a instituições privadas, evidenciada nos obscuros contratos com a Mckinsey&Company e a Comunitas, negociados e firmados à revelia do próprio Conselho Universitário (Co).

Igualmente escandalosa é a presença nas suas unidades de trinta fundações privadas ditas “de apoio”, a gerar patente conflito de interesses, a começar pela figura do reitor que preside uma delas, a FUSP, mas sem que se possa esquecer do Co, onde docentes vinculados a tais entidades ocupam 30% dos assentos. Esse cenário tende a se agravar com a contribuição de recente decisão do Supremo Tribunal Federal, permitindo cursos pagos lato sensu nas universidades públicas, em afronta à previsão de gratuidade do ensino nos estabelecimentos oficiais expressa na Constituição Federal (Artigo 206, inciso IV), fruto das lutas sociais da década de 1980.

Ainda assim, e ainda mais frente a tal estado de coisas, a Adusp reafirma seu compromisso de continuar na luta por uma universidade de fato pública, onde os interesses privados não prevaleçam; onde a estrutura de poder não seja oligárquica; onde não haja espaço para o sem número de perseguições e assédios que essa estrutura autoritária e anacrônica  propicia, como infelizmente o caso ocorrido na EEFE é mais um exemplo.

É por entender que a publicidade é uma arma importante contra toda sorte de desmandos que a Adusp assume o compromisso de dar acolhimento e, sempre que possível, divulgação das situações enfrentadas, a todos que a procuram quando se veem dessa forma hostilizados e perseguidos. E assim continuará a proceder.

Diretoria da Adusp