A Diretoria da Associação dos Docentes da Universidade de São Paulo vem a público manifestar seu mais veemente repúdio à investidura do ex-reitor M. A. Zago no cargo de secretário estadual da Saúde.

Ao nomeá-lo, o governador Márcio França certamente não desconhecia o trágico legado da gestão Zago-Vahan na Reitoria da USP: déficit de 500 professores efetivos, salários congelados desde 2016, perda de centenas de funcionários qualificados mediante a adoção de duvidosos planos de demissão voluntária, desativação de creches, incentivo às fundações privadas e a outros mecanismos de privatização da universidade, acordo nebuloso com a McKinsey&Company, desvinculação do Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais de Bauru (HRAC), desmantelamento deliberado do Hospital Universitário (HU).

Portanto, parecem ter sido essas as “qualidades” que credenciaram o ex-reitor a se tornar secretário estadual da Saúde! Pois somente assim se entende tal nomeação: a necessidade de colocar à frente da pasta um burocrata desprovido de sensibilidade social, incapaz de dialogar com os movimentos sociais, inclinado a satisfazer o “mercado” e ampliar a privatização dos equipamentos públicos de saúde (ou da gestão desses equipamentos), implantada pelos governos do PSDB e aliados na contramão dos direitos e reivindicações da população.

O comportamento perverso de Zago frente ao HU, hospital que ele designou, em entrevista ao jornal Valor Econômico, como “parasita”, dá bem a medida da adequação do ex-reitor ao perfil desejado pelo novo governador. Além de ser hospital-escola há décadas, formando futuros profissionais de sete cursos da USP pertencentes à área da saúde, o HU atendia a cerca de 600 mil habitantes da região do Butantã, na capital paulista.

Deve ser encarada como sintoma de desconhecimento a definição do jornal Folha de S. Paulo, que atribuiu a Zago “perfil discreto e apaziguador”. Ao contrário: quando reitor, além de desdenhar da interlocução respeitosa com a comunidade universitária e recorrer aos meios de comunicação para dar “recados”, usou a Polícia Militar para reprimir protestos e atacar violentamente manifestantes, como ocorreu em 7 de março de 2017 e outras ocasiões.

A nomeação do ex-reitor representa, assim, profundo escárnio à consciência democrática e aos defensores da universidade pública, gratuita e de qualidade socialmente referenciada, merecendo a nossa repulsa.

São Paulo, 24 de abril de 2018

Diretoria da Adusp