Depois do enorme sucesso da Greve Nacional da Educação em 15/5, que envolveu multidões de manifestantes em cerca de 250 cidades brasileiras, as entidades gerais dos trabalhadores do ensino e dos estudantes preparam-se para uma nova demonstração da capacidade de mobilização das suas bases em 30/5. Desta vez, claramente como uma etapa de preparação da greve geral agendada para o dia 14/6, que tem como eixo principal rechaçar a reforma da Previdência (PEC 06/2019) e defender os direitos da classe trabalhadora frente à política econômica ultraliberal do governo Bolsonaro.

“A luta em defesa da educação pública, gratuita e de qualidade terá uma nova rodada no dia 30 de maio. As entidades representativas de estudantes, professores, técnicos-administrativos preparam para a data mais um dia de lutas da educação, em nível nacional”, diz o site do Andes-Sindicato Nacional. A preparação da nova mobilização do setor foi definida em reunião no dia 17/5.

O encontro contou com a participação de representantes do Andes-SN, Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), Federação de Sindicatos de Trabalhadores Técnico-Administrativos em Instituições de Ensino Superior Públicas do Brasil (Fasubra), Federação Nacional dos Estudantes do Ensino Técnico (Fenet), Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica, Profissional e Tecnológica (Sinasefe), União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES) e União Nacional dos Estudantes (UNE).

De acordo com a CNTE, em nota publicada em 23/5, a estratégia do governo de aliviar 20% os cortes na educação, além de insuficiente, não conseguirá desmobilizar os trabalhadores em educação, os estudantes e as comunidades escolares e universitárias, “que estarão engajadas no dia 30 de maio contra as desmedidas de Bolsonaro e sua equipe na educação, e depois na Greve Geral da Classe Trabalhadora, dia 14 de junho”.

Ainda segundo a CNTE, o protesto nacional de 15/5 foi decisivo para convocar a sociedade e cobrar do governo os investimentos necessários na educação, assim como para alertar os parlamentares sobre os perigos da reforma da Previdência. “Ambas as medidas só acarretarão retrocessos sociais e econômicos ao país e precisam ser barradas! Daí porque o movimento educacional e a classe trabalhadora não sairão das ruas até que derrotemos essas e outras pautas prejudiciais ao Brasil e à maioria do povo!”

A CNTE reitera que “a recomposição parcial do orçamento do MEC está longe de atender às necessidades das universidades, dos institutos federais e das escolas públicas de nível básico, sendo que essas últimas tiveram subtraídos 33% dos investimentos oriundos da União (foram cortados programas de manutenção e infraestrutura na educação infantil; alimentação e transporte escolar; livro didático; alfabetização e EJA, entre outros).

O dia 15 de maio entrou para a história como o tsunami em defesa da Educação, ao levar para as ruas de norte a sul do país milhões de manifestantes, e a luta não vai parar por aí”, afirma a CSP-Conlutas. “Estudantes, professores e trabalhadores da Educação estão convocando para o dia 30 de maio um novo dia de protestos. Será mais um dia de luta para repudiar os cortes que o governo Bolsonaro está impondo no Orçamento da Educação, da educação básica às universidades, e vários outros ataques que atentam contra a liberdade de cátedra e de expressão e qualidade do ensino no país”

A CSP-Conlutas chamou ainda atenção para as agressões do presidente aos estudantes e às universidades. “Em resposta aos atos, o governo editou o decreto 9.794/2019, que estabelece que a Secretaria de Governo, sob o comando do general Santos Cruz, irá investigar a vida pregressa de candidatos a reitorias e diretorias de universidades federais, com o auxílio da Abin (Agência Brasileira de Inteligência). O decreto retira ainda dos reitores a autonomia para designar vice-reitores, pró-reitores e outros cargos de gestão e as indicações também deverão ser aprovadas pelo ministro chefe da Secretaria de Governo, general Santos Cruz”.

Em São Paulo, o ato de 30/5 está marcado para o Largo da Batata (Pinheiros), a partir das 16 horas. A Adusp apoia a manifestação, conforme decisão de sua Assembleia Geral de 16/5. Também já estão marcados os atos do Rio de Janeiro (15h), Porto Alegre (18h), Belo Horizonte (9h), Brasília (10h), Salvador (10h), Curitiba (18h), Fortaleza (10h), Goiânia (15h), Belém (13h), Recife (15h), Manaus (15h), Natal (10h), São Luís (15h00).