foto: Daniel Garcia

Para debater a “Nova CPA” e o “Estatuto do Docente”, a Adusp convidou os representantes de categoria junto ao Conselho Universitário (Co). Atendendo a esse convite, os professores Marcílio Alves (EP) e José Renato Araújo (EACH), respectivamente representante suplente dos professores associados e representante titular dos professores doutores no Conselho Universitário (Co), participaram da mesa realizada em 15/9. O representante dos professores titulares justificou a ausência.

“É um documento mal preparado e mal concebido. Tem erros de lógica”, sintetizou o professor Marcílio. “De modo geral as opiniões são sempre contrárias a esta CPA do modo como está”, admitiu, referindo-se à lista eletrônica dos professores associados. Ressaltou, porém, que a maioria é favorável a um processo de avaliação e destacou que vem conversando sobre o assunto com a representante titular dos associados, professora Simone Hage (FOB), e que procura encaminhar a questão em comum acordo com ela e, na medida do possível, em diálogo com os cerca de 1.200 docentes que representam.

O professor preferiu não revelar como se posicionará no Co, na eventualidade de vir a substituir a professora Simone e caso o projeto seja posto em votação. Fez, porém, uma série de críticas ao projeto da Reitoria. Destacou aspectos como a subjetividade dos textos da “Nova CPA”, que exige dos porta-vozes da Reitoria, quando chamados a explicá-los, interpretação ou remissão a outras fontes: “A proposta da Reitoria deve ser votada pelo que está escrito e não pelas intenções da equipe, ou suposições. Você pede onde está um determinado artigo e ele não está bem lá”.

Mais grave ainda seria a centralização num pequeno grupo: “A avaliação bem feita não pode ser realizada por nove pessoas”, disse a respeito da Câmara de Avaliação Docente (CAD). “Esse é o ponto mais fraco. Serão 1.200 docentes avaliados por ano, vinte e cinco a trinta avaliados por dia. Mas a comissão também vai deliberar sobre liberações, renovação de contratos”, observou.

“Minha tendência atual é votar contra a proposta, não só por minha posição pessoal, mas pelo que estou ouvindo dos colegas”, declarou o professor José Renato, que representa no Co mais de 3.000 professores doutores. Ele resumiu no debate o relato, que já publicara no seu blo­gue, acerca de reunião com a “comissão dos sete” (autora da proposta de “Nova CPA”), para a qual foi convidado pela Reitoria, juntamente com os demais representantes de segmentos docentes no Co.

Baseando-se no que ouviu na reunião, o representante dos professores doutores acredita que a “comissão dos sete” dificilmente fará mudanças na forma de composição da nova estrutura: “Ao colocarem que o Co vai indicar outros membros, eu disse claramente que a decisão do Co é quase sinônimo de decisão do reitor”. Considera, no entanto, que a Reitoria trata a questão como “inegociável”. Abordou também a amea­ça de punições aos docentes, destacando o receio manifestado por colegas em relação à mudança de regime de trabalho. Enquanto, na citada reunião, foi negada essa intenção, no debate realizado na EACH o professor Vitor Wünsch admitiu a possibilidade.

Foi “a primeira vez que me chamaram para explicar algo que seria votado no Co”, registrou, lembrando que a Reitoria precisa de maioria qualificada para aprovar essa proposta e busca conquistar votos no colegiado. “O reitor não está conseguindo. Se tivesse maioria, ele já teria votado”, afirmou, após comentar a indefinição de uma data para votação: “O silêncio para mim é significativo”.

Depois de assinalar que, embora considere interessantes alguns aspectos da proposta, “é impossível votar a favor, pois a centralização é excessiva”, o professor José Renato citou a colega da EACH, Gladys Barreyro,  para deplorar que uma universidade do porte da USP “não tenha nenhum especialista em avaliação na comissão”.

Informativo nº 424