foto: Bahiji Haji

Mesmo debaixo de chuva, professores, estudantes e funcionários técnico-administrativos das três universidades estaduais paulistas se reuniram na manhã de 5/6 para protestar em frente à sede do Conselho de Reitores das Universidades Estaduais de São Paulo (Cruesp), na rua Itapeva, em São Paulo, onde acontecia a terceira rodada de “negociação” desta data-base entre o Fórum das Seis e os representantes dos reitores.

Bahiji Haji
The Pulpit Rock

Na reunião, o Cruesp manteve sua proposta de “reajuste” salarial zero para as três universidades. “Os reitores mais uma vez colocaram na mesa de negociação, unilateralmente, a redução do poder aquisitivo dos nossos salários, que atinge, nos últimos dois anos cerca de 10% para a USP e a Unicamp e de 13% para os trabalhadores da Unesp ”, declarou o professor João Chaves, presidente da Adunesp e um dos coordenadores do Fórum das Seis. “Mais uma vez vão confiscar nossos salários para manter as universidades funcionando”.

Durante a reunião, os representantes do Fórum das Seis reiteraram a necessidade de que os reitores ajudem a pressionar o governador Geraldo Alckmin e sua base aliada na Assembleia Legislativa (Alesp) para solucionarem a crise de financiamento que assola USP, Unesp e Unicamp. Atualmente, parte dos 9,57% do ICMS-QPE dedicado ao financiamento das universidades sofre descontos indevidos. Outro problema é que o Tesouro do Estado não arca com o pagamento da “insuficiência financeira”, isto é: não cobre o montante dispendido com o pagamento de aposentados e pensionistas, para além do que se arrecada por meio da contribuição dos servidores (11%) e das universidades (22%).

Resposta pífia

“Os reitores ainda têm muito medo de se dirigirem ao governador e à Alesp para exigir aquilo a  que as univer­sidades tem direito”, disse Chaves. “Nós convidamos os reitores a fazerem  o movimento junto com o Fórum das Seis, a levar as massas para a Alesp. A resposta deles foi pífia, não deram respostas definitivas para essas questões”.

Ainda segundo o coordenador, os membros do Cruesp foram evasivos quando o Fórum das Seis pediu garantias de que não haverá punições aos funcionários e docentes que decidiram paralisar suas atividades para participar do protesto. O professor Vahan Agopyan, vice-reitor da USP, chegou a mencionar a decisão do Supremo Tribunal Federal de outubro de 2016, de que servidores públicos podem ter o ponto cortado em caso de greve.

“O problema do salário é apenas a ponta do iceberg no que está em curso hoje nas univer­sida­des paulistas”, advertiu o pro­fessor Rodrigo Ricupero, presi­dente eleito da Adusp e presente ao ato da rua Itapeva. “O que está colocado é a destruição da universidade como a gente conhece. Destruir a pesquisa, criar uma categoria de professores precários com salários baixíssimos e com isso destruir a qualidade das nossas universidades. A dedicação exclusiva e a indissociabilidade de ensino e pesquisa, isso tudo está em questão hoje. O projeto das reitorias é muito pior do que apenas o rebaixamento dos salários”.

Informativo nº 437