Organizações de docentes, alunos e funcionários promoveram aula pública na FFLCH que abordou os ataques ao ensino superior e ao financiamento da pesquisa, como os cortes de bolsas de pós-graduação

Daniel Garcia
Na mesa de abertura, exposição do professor Rodrigo Ricupero, presidente da Adusp
Ato unificado fez parte da mobilização para ato desta quinta (3)
Intervenção do professor Pierluigi Benevieri (IME)
Professor Otaviano Helene (IF)
Intervenção de Raquel, aluna do IF

A Adusp, o Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp), o Diretório Central dos Estudantes (DCE-Livre) “Alexandre Vannucchi Leme” e a Associação dos Pós-Graduandos (APG-USP Capital) organizaram nesta quarta-feira (2/10) um ato unificado no auditório da História da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP. A atividade fez parte da mobilização nacional em defesa da educação e da ciência.

O principal orador do encontro foi o professor Otaviano Helene, do Instituto de Física (IF) da USP e ex-presidente da Adusp. Helene apontou algumas das inverdades sobre as quais se sustentam políticas públicas educacionais no Brasil, como a afirmação de que o custo de um aluno das universidades privadas seria mais baixo do que nas públicas.

O professor ressaltou o fato de que na maior parte do mundo o ensino superior é público e gratuito. Nos Estados Unidos, por exemplo, cerca de 75% das matrículas estão nas universidades públicas. No Brasil, esse é o percentual de estudantes das instituições privadas. Em São Paulo, o número é ainda maior, ultrapassando os 80%. Isso ocorre não porque faltem recursos ao Estado mais rico do país, mas porque “o governo se afasta da oferta de ensino público para abrir espaço para o setor privado”, disse Helene.

Os representantes das entidades que organizaram o ato citaram os vários ataques que a educação pública vem sofrendo especialmente a partir da posse do governo Bolsonaro, como o corte das bolsas de pós-graduação e as medidas privatistas anunciadas no programa “Future-se”, do Ministério da Educação. Em São Paulo, está em andamento desde o primeiro semestre uma CPI que investiga “irregularidades” na gestão das universidades públicas estaduais. “Essa CPI é uma inquisição”, afirmou Juliana Godoy, coordenadora-geral do DCE-Livre.

“A resistência dá um trabalho tremendo, mas é necessária. Temos que fazer da universidade um locus da resistência”, defendeu por sua vez Caiãn Receputi, da APG-USP Capital.

O presidente da Adusp, professor Rodrigo Ricupero, lembrou que a USP também é palco da ênfase crescente no discurso empreendedor e inovacionista e que os professores são cada vez mais cobrados e avaliados por índices de produtividade e pelos recursos que consigam trazer à universidade por meio de parcerias e convênios.

Ricupero lembrou que os desafios da defesa da universidade, da educação pública e da ciência estão interligados e que é preciso organizar a resistência. “Em alguns momentos, como o #15M e o #30M, nós acertamos, mas acabamos perdendo esse impulso. Para fazer essa luta é preciso ter um diálogo pela base, e não por cima”, afirmou, apontando a necessidade de seguir organizando atos unificados entre todos os setores da universidade.

Outras atividades também foram realizadas na mobilização em defesa da educação e da ciência. Uma delas foi a “Universidade na Rua”, organizada pelo DCE-Livre e pelo Centro Acadêmico XI de Agosto, da Faculdade de Direito, na Praça do Patriarca, no Centro de São Paulo. Os alunos apresentaram vários trabalhos e iniciativas da USP e também distribuíram panfletos aos cidadãos.

Nesta quinta (3/10), as entidades participam de ato público na Avenida Paulista. O ponto de encontro será na Praça do Ciclista, às 15h.