Daniel Garcia
Professores Daciberg Gonçalves e Rodrigo Ricupero abrem a marcha
Aspecto da manifestação no vão do MASP
Presença dos estudantes: sempre fundamental
Cartaz adverte: ataque à ciência coloca em risco a sociedade
Manifestação da professora Michele Schultz no caminhão de som

Em várias cidades do país manifestantes saíram às ruas, nesta quinta-feira (3/10), em protesto contra a política do governo de Jair Bolsonaro (PSL) para as áreas de educação e ciências. Em São Paulo, apesar do número menor de manifestantes em relação ao #15M e ao #30M, houve participação expressiva de estudantes e docentes das universidades públicas estaduais e federais, como USP, Unesp, Unifesp e UFABC. O protesto contou com importante comparecimento de estudantes e docentes da USP, que se concentraram na Praça do Ciclista, no início da Avenida Paulista, e depois saíram em marcha até o MASP, local do ato público. O Fórum das Seis também se fez presente.

Faixas e cartazes carregados por estudantes expressaram a indignação com os sucessivos cortes de verbas e outros ataques do governo às instituições científicas do país. Dizeres como “Ciência não é gasto, é investimento”, “A ciência salva vidas”, ou “Os cientistas pedem perdão pela falta de comunicação”. Outros faziam referência a aspectos indiretos da ação governamental, como as queimadas na Amazônia e no Cerrado, por exemplo “Parem o piromaníaco”.

Durante a marcha, a professora Michele Schultz, primeira vice-presidente da Adusp, manifestou-se em nome da entidade. Citando Paulo Freire, patrono da educação brasileira, ela defendeu a necessidade de uma universidade aberta aos diferentes grupos da sociedade brasileira: “A nossa coletividade é feminina, a nossa coletividade é negra, a nossa coletividade é indígena, é quilombola, a nossa coletividade é lésbica, é gay, é trans, é universal, e é isso que se espera da universidade: que ela seja universal, que ela garanta a diversidade. É isso que dá qualidade às universidades”.

Michele disse que “a ciência brasileira é única” e que a universidade deve continuar sendo pública, gratuita, com financiamento público. “Nós não vamos aceitar que o mercado regule as atividades da universidade. A sociedade é que vai regular as nossas atividades”, destacou. Ela convocou a sociedade brasileira a defender as universidades públicas e os institutos públicos de pesquisa, “o ensino público e gratuito de qualidade”, e homenageou estudantes, docentes e o funcionalismo das instituições de ensino superior.

O governador João Doria (PSDB) também foi mencionado negativamente pelos oradores da manifestação, porque, embora venha tentando se descolar da figura de Bolsonaro por questões puramente eleitorais (pensando na próxima eleição presidencial), inicialmente foi seu apoiador. Além disso, parte das suas políticas converge com as do governo federal: ataque indireto às universidades públicas via CPI na Alesp, privatização de órgãos públicos (como a FURP) etc.