Durante a semana de matrículas dos novos estudantes da USP, os funcionários da Higilimp, na sua maioria mulheres, se mobilizaram contra o não pagamento de seus salários e pela manutenção de seus empregos. A Higilimp, empresa que presta serviços terceirizados de limpeza para a USP e que possui outros contratos com o setor público estadual -- com o Metrô, a Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) e o Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN) -- é reincidente nos ataques aos direitos de seus trabalhadores. As infor­ma­ções são do portal Esquerda Diário.
 
Em 11/2, trabalhadoras e trabalhadores resolveram paralisar suas funções, depois que os salários de janeiro deixaram de ser pagos e após denúncia, feita ao Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Prestação de Serviços de Asseio e Conservação e Limpeza Urbana (Siemaco) e ao Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp), de que, na segunda-feira de Carnaval, a Higilimp teria retirado equipamentos de trabalho da USP.
 
Além disso, circulou a notícia de que a Higilimp declararia falência e que outra empresa seria escolhida para prestar serviços de limpeza à Universidade, significando rompimento de contrato de trabalho com as atuais terceirizadas.
 
No dia seguinte, com apoio do Sintusp, uma manifestação foi realizada em frente ao prédio da Reitoria, forçando a administração da USP a reunir-se com os funcionários terceirizados da Higilimp e o Siemaco. O Sintusp, que acompanhou e deu apoio à mobilização, foi impedido pela Reitoria de participar da negociação, sob pena de cancelamento da reunião.

Assédio moral

Os presentes foram informados pelo diretor de Administração da USP em exercício, Marcos Santiago, de que estaria em andamento a rescisão do contrato com a Higilimp, e que outra empresa seria contratada para prestar serviços de limpeza. Ficou acordado um adianta­men­to de R$ 880 a cada fun­cio­nária (um salário mínimo), valor que a USP pagou em 16/2. A USP assumiu o compromisso de recomendar à empresa que substituirá a Higilimp a "absorção dos atuais trabalhadores", segundo ata da reunião.
 
Em assembleia posterior, os trabalhadores decidiram aceitar a proposta da USP. Uma funcionária da Higilimp que preferiu não se identificar informou que o Siemaco os convocou a se apresentarem à sede do sindicato "para fazer a recontratação, pegar os novos uniformes de serviço e resolver a questão dos documentos de contrato". Ainda segundo ela, a Gramapan Comércio e Serviços Ltda é a empresa que assumirá os serviços de limpeza da uni­versidade. Em 2013, ela foi denun­ciada pelo Sintusp por cometer assédio moral contra funcio­ná­rios terceirizados da Reitoria.
 
"As terceirizadas não aceitaram novamente a situação de ficarem sem seus salários e elas têm toda a razão", declarou Magno Carvalho, do Sintusp. Ele denunciou o assédio moral e a perseguição que essas trabalhadoras sofrem diaria­men­te na USP.  "Muitas delas são colocadas numa espécie de 'lista negra' da empresa, sendo vigiadas e perseguidas pelos seus responsáveis".
 
J., funcionária da Higilimp na USP, declarou ao Informativo Adusp que não pretende continuar trabalhando na Universidade para outra empresa terceirizada, após ter seu contrato cancelado. Segundo ela, que apenas recebeu o valor acordado com a Universidade e ficou sem receber os valores referentes à cesta básica e ao vale refeição, "a outra empresa escolhida vai ficar sem pagar do mesmo jeito". J. participou da mobili­zação das terceirizadas: "Isso foi para mostrar como somos tratadas na USP. Por isso, não deixamos ninguém da Reitoria tra­ba­lhar, até que acertassem o acordo do nosso pagamento".