Adriano Favarin, diretor do Sintusp e funcionário da Faculdade de Odontologia (FO), foi advertido e ameaçado no dia 15/9 pelo assessor administrativo da Diretoria dessa unidade, Renato Alves de Moraes. Segundo Favarin, Moraes o avisou para “parar de tratar dos interesses dos terceirizados” e que ele não queria vê-lo “publicando ou divulgando nada”. Se Favarin continuasse, prosseguiu o assessor, “sofreria a consequência de suas atitudes”.

As ameaças aconteceram após Favarin denunciar um caso de discriminação das funcionárias terceirizadas da Clínica Odontológi­ca, setor no qual ele trabalha. De acordo com o sindicalista, desde agosto as terceirizadas estão impedidas de utilizar a copa da Clínica.

Na reunião da Congregação da FO no dia 24/8, Favarin criticou publicamente a restrição às terceirizadas e pediu explicações ao diretor da unidade, professor Waldyr Antonio Jorge. Quem respondeu foi o assessor Moraes, alegando que houve uma solicitação de funcionários da Clínica Odontológica à Assistência Administrativa, porque “não se sentiram à vontade de dividir o mesmo espaço da copa com colaboradoras terceirizadas que, após suas refeições, utilizavam o mesmo espaço para descanso”. Acrescentou que “a denúncia, portanto, não procede, visto que as colaboradoras não foram proibidas de frequentar lugares comuns, como a copa”.

Disposto a provar que a afirmação de Moraes na Congregação não correspondia à realidade, Favarin decidiu fazer circular um abaixo-assinado entre os funcionários da Clínica. “E a maioria dos funcionários assinou esse abaixo-assinado contra a discriminação”. No dia 30/8, o Sintusp enviou o abaixo-assinado à Diretoria da FO, por meio de um ofício, que não foi respondido.

Após 17 dias, Favarin enviou um e-mail para todos os funcionários e docentes da faculdade, comunicando a denúncia feita na Congregação, o abaixo-assinado contra a discriminação e a falta de respostas da Diretoria. Quinze minutos depois, Favarin foi chamado por sua chefe para se reunir com Moraes, ocasião em que sofreu as ameaças.

“Constrangimento”

No dia 17/9, o diretor da FO enviou um e-mail aos funcionários e terceirizados da unidade, segundo o qual “não existe nenhuma ordem ou norma impeditiva de uso de qualquer área de atuação e convívio entre funcionários e terceirizados na FOUSP”.

A mensagem criticou indiretamente as denúncias feitas por Favarin: “Este é esclarecimento que se faz necessário e público para que se evite qualquer tipo de constrangimento e/ou uso indevido de notícias que não proceda que possa ser utilizada de forma irresponsável ou de constrangimento aos cidadãos trabalhadores que atuam no ambiente de trabalho na Centenária Casa de Montenegro”. Entretanto, de acordo com Favarin, o acesso à Clínica ainda não está acessível às funcionárias terceirizadas. Procurados, Renato Alves de Moraes e Waldyr Antonio Jorge não responderam às perguntas enviadas pelo Informativo Adusp.

Este não é o primeiro caso de perseguição política a Favarin na FO. Em 2015, o chefe do funcionário o ameaçou de transferência por ter “funções sindicais que seriam incompatíveis com seu trabalho”. Após uma campanha pelo direito à atividade sindical, a possibilidade de transferência foi revogada.

Informativo nº 443