Protesto realizado em 11/2 mobilizou estudantes e funcionários, que se reuniram com a vice-prefeita do Campus da USP. Nova manifestação está convocada para 19/2 em frente ao Bandejão

Estudantes e funcionários do Campus de Ribeirão Preto da USP realizaram nesta terça-feira (11/2) um primeiro protesto contra a interrupção dos serviços do Restaurante Universitário (RU), prevista para ocorrer a partir de 19/2. Representantes do Diretório Central dos Estudantes (DCE Livre “Alexandre Vannucchi Leme”), da Associação dos Pós-Graduandos de Ribeirão Preto e do Sindicato dos Trabalhadores (Sintusp) estiveram à frente da manifestação organizada com a finalidade de “pedir esclarecimentos e providências efetivas” à Prefeitura do Campus (PUSP). Nova manifestação está convocada para 19/2.
 
Uma nova reunião entre representantes da PUSP e as entidades representativas, com o intuito de discutir o edital de aquisição de marmitas a ser publicado, está agendada para sexta-feira (14/2), segundo nota emitida pelo DCE Livre. Até agora, a PUSP alega que só poderá providenciar o fornecimento de marmitas para os alunos de perfil P 1, que são os de maior vulnerabilidade social. Na prática, isso deixará sem refeições diárias um grande número de estudantes.
 
Embora afirme que a PUSP “se mostrou aberta ao diálogo”, a nota do DCE Livre reitera a necessidade de continuação da mobilização discente “para demonstrar a insatisfação diante da situação e também a urgência” de soluções efetivas, de modo que “é de extrema importância a pressão para que o processo tenha sua resolução o mais rápida possível”.
 
Durante a manifestação de 11/2, a vice-prefeita do Campus, professora Carla da Silva Santana Castro, reuniu-se com os cerca de trinta manifestantes, levando junto o funcionário da PUSP responsável pelos pregões, para que explicasse os detalhes das licitações. “Foi uma conversa impressionantemente calma, aberta e sem amarras”, relatou ao Informativo Adusp o jornalista Luís Ribeiro, diretor do Sintusp e também presente ao encontro. “No final os alunos concluiram que o problema não é do funcionário, nem da licitação: o problema é a terceirização, sujeita a esse tipo de acontecimento. Quem terceiriza pensa no lucro”, disse Ribeiro.
 
Bandejão foi terceirizado por Américo Sakamoto em 2017, na gestão Zago
 
O RU de Ribeirão Preto foi terceirizado em 2017, quando o prefeito do Campus era o professor Américo Ceiki Sakamoto (FMRP), coordenador do projeto “USP do Futuro” encomendado pela gestão M.A. Zago-Vahan Agopyan à consultoria norte-americana McKinsey&Company. Sakamoto é o atual secretário-executivo da Secretaria de Desenvolvimento Econômico do governo Doria (PSDB).
 
Ribeiro observou que o problema hoje vivido em Ribeirão Preto também aconteceu no Campus de Piracicaba, que ficou seis meses sem restaurante. “O funcionário responsável explicou que, pelo contrato, é preciso esperar que a empresa diga se vai continuar ou não fornecendo os serviços. Mas o prazo é de 90 dias, muito curto para uma licitação de R$ 6 milhões, ainda mais no período de férias”.
 
O diretor do Sintusp lembrou que a entidade sempre se colocou contra a terceirização. “A gente falou que essas coisas iam acontecer. Outras piores podem acontecer. Terceirização não é um ‘mal necessário’, é um mal mesmo. Está sujeita a problemas de continuidade em qualquer área: saúde, ônibus,  jardinagem. Correremos sempre esse risco”, advertiu. Na USP de Ribeirão Preto, além do RU os serviços de limpeza, vigilância e transporte interno são terceirizados.
 
“Os próprios estudantes e o Sintusp vão colocar isso no Conselho Universitário. A ideia de que os setores estratégicos não podem ser terceirizados, e é claro que alimentação dos estudantes é um setor estratégico”, enfatizou Ribeiro. Assim, explicou, será desfechada uma campanha pela “desterceirização” dos serviços que hoje se encontram em mãos de empresas privadas, para que voltem a ser prestados pela própria universidade diretamente.
 
Confira aqui a íntegra da nota do DCE
 
“Hoje, dia 11 de fevereiro, o DCE Livre da USP, Gestão Nossa Voz, em conjunto com a APG e Sintusp, com apoio da Adusp, realizou uma manifestação urgente para pedir esclarecimentos e providências efetivas para a Prefeitura do Campus. A importância dessa manifestação é em relação à problemática de permanência universitária sem o apoio para a alimentação para alunos de graduação e pós-graduação fora do perfil 1 de bolsistas do PAPFE.
 
Durante a manifestação, a Prefeitura se mostrou aberta ao diálogo para solucionar os questionamentos dos presentes sobre as medidas que estão sendo tomadas. Nos informes, eles argumentaram que por motivos burocráticos - limite de verba para licitação de emergência - a medida paliativa, que é a distribuição de marmitex (que terá seu edital publicado na próxima quinta, 13) só pode auxiliar os alunos de maior vulnerabilidade social (bolsistas P1). Já sobre a nova empresa que assumirá os serviços do bandejão, a licitação para defini-la tem um processo de tramitação mais demorado.
 
Nesse sentido, a preocupação de um período sem acesso ao restaurante universitário que deve ser solucionada após a conclusão do processo de definição da nova licitante. Na próxima sexta-feira (14), haverá reunião com as entidades para encaminhar as questões relativas ao edital do marmitex. Repassaremos este informe nas redes sociais.
 
Diante disso, é evidente a necessidade da continuação da mobilização discente para demonstrar a insatisfação diante da situação e também a urgência do assunto. Além disso, é de extrema importância a pressão para que o processo tenha sua resolução o mais rápida possível. Participem da grande manifestação no dia 19/2, às 12h, no bandejão!”