Passados três dias, site da Escola Politécnica não faz referência ao acidente, e os nomes dos integrantes da comissão de sindicância criada para apurar as circunstâncias do caso não foram divulgados. Também não há qualquer menção à morte do aluno no portal da universidade ou no Jornal da USP

Três dias depois do falecimento do aluno Filipe Varea Leme, vitimado no dia 30 de abril por um acidente num elevador enquanto trabalhava numa mudança interna no prédio da administração da Escola Politécnica, a direção da Poli mantém-se em silêncio a respeito do caso. Filipe, de 21 anos, era aluno do curso de Geografia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) e trabalhava como monitor no Serviço Técnico de Informática da Poli.

De acordo com as informações iniciais, para que pudessem descer um andar do prédio com um armário carregado de livros, ele e um colega dirigiram-se a um elevador utilizado por pessoas portadoras de deficiência. Apenas Filipe entrou no elevador, porque não havia espaço para as duas pessoas e o móvel. Na descida, o equipamento não teria sustentado o peso, e o armário teria caído sobre o estudante, provocando os ferimentos fatais.

O caso está sob investigação do 93o Distrito Policial, no Jaguaré. A Poli criou uma comissão de sindicância para investigar o ocorrido. A professora Sueli Angelo Furlan, chefe do Departamento de Geografia (DG) da FFLCH, vai representar a unidade na comissão. O Informativo Adusp solicitou à assessoria de imprensa da Poli a nominata completa dos integrantes da comissão de sindicância, mas até o final da tarde desta sexta-feira (3/5) não havia recebido retorno.

No site da Poli, até a tarde de sexta não havia nenhuma referência ao caso. Nem mesmo a nota assinada em conjunto com a USP e a FFLCH e enviada a listas de e-mail no dia do acidente foi publicada na página. O portal da USP e as páginas do Jornal da USP e da assessoria de imprensa da Reitoria na Internet também omitem qualquer menção à morte do aluno. O reitor Vahan Agopyan é professor da Poli e ex-diretor da unidade.

Essa postura está em flagrante contraste com a adotada pela escola em que Filipe estudava, na qual deixou muitas marcas entre colegas, professores e funcionários. O DG organizou duas reuniões na quinta-feira (2/5) para que a comunidade expressasse sua dor e seu luto pela morte do jovem. Docentes e alunos, muitos deles em lágrimas, deram testemunhos emocionados sobre sua convivência com Filipe.

Os encontros tiveram a presença da chefe do DG e da vice-chefe, professora Valéria de Marcos, além da diretora e do vice-diretor da FFLCH, Maria Arminda do Nascimento Arruda e Paulo Martins, respectivamente. Uma cerimônia em homenagem ao aluno, com a participação da família, será organizada pelo departamento.

Maria Arminda e Martins assinam nota divulgada nesta sexta sobre o caso. O texto diz: “A comunidade da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo está de luto em função do falecimento de Filipe Varea Leme, aluno do curso de Geografia. Morto de maneira trágica no último dia 30 de abril, Filipe era um estudante brilhante, filho único e orgulho de seus pais. Aos 21 anos, estava prestes a concluir o bacharelado neste ano de 2019. A direção da Faculdade se solidariza com a família e amigos.”