A decisão da Reitoria de definir como teto salarial de funcionários técnico-administrativos e docentes a remuneração do governador, conforme a Constituição Estadual, afetou o atendimento e o ensino no Hospital Univer­sitário (HU). Se antes da decisão a USP adotava como teto o salário de um procurador, de R$ 28 mil, agora o teto passou a ser de R$ 20,6 mil. Por causa do déficit de funcionários do HU, muitos deles faziam horas-extra para cobrir os plantões. Em razão do novo teto salarial muitas dessas horas-extra não poderão ser pagas, o que está obrigando o hospital a readequar seu atendimento.

“Até agora estamos conseguindo cobrir as escalas, mas é necessário fazer novas contratações”, explica Ana Lúcia Sassaki, médica do HU. “Tem muitos funcionários antigos e havia três tetos diferentes na USP”, comenta ela, que acredita que a situação ainda está muito confusa para todos, principalmente porque não se sabe quando as novas contratações serão feitas, tendo em vista as dificuldades financeiras enfrentadas pela universidade.

Lúcia Mendes, também médica do HU, conta que a medida foi implementada no início de setembro, mas os médicos só foram avisados na segunda quinzena do mês. “A medida é retroativa e muita gente estava fazendo hora-extra ainda sem saber que não podia mais”, relata. “Com a redução dos plantonistas, não só o atendimento ao público será afetado, mas o ensino também, porque não tem equipe médica suficiente”.

José Pinhata, diretor médico do HU, explica que desde 1990 o trabalho no hospital foi estruturado de forma a que o reduzido corpo clínico fosse responsável por cobrir todas as emergências, consultas e outros acompanhamen­tos médicos, resultando em uma elevada carga horária para os profissionais que, além das jornadas de 24 horas, vinham arcando com um ou dois plantões por semana.

“A necessidade de cobrir tantos plantões acabou fazendo com que muitos salários ultrapassassem o teto salarial de R$ 20,6 mil”, comenta Pinhata, “na verdade, os plantões cobrem a não contratação de novos médicos”. Ele confirma que muitos médicos deixaram de fazer plantões para que seus salários não ultrapassem o teto, mas informa que apenas em novembro será possível ter a noção exata do que foi afetado pela medida. “Mas é óbvio que com menos médicos fazendo plantão, o atendimento e o ensino serão afetados”, acrescenta.

Novo superintendente

Em meio à greve da USP, que se estendeu por quase quatro meses, a professora Sandra Grisi, então superintendente do HU, colo­cou seu cargo à disposição devido aos atritos com os funcionários e médicos, porque ela se alinhava às posições políticas do reitor M.A. Zago.

Sandra foi substituída pelo professor Waldyr Antonio Jorge, que tornou-se um dos mais polivalentes gestores da universidade, pois acumula também os cargos de superintendente de Assistência Social (ex-Coseas) e de diretor da Faculdade de Odontologia.

Procurado pela reportagem para comentar a situação do HU, Waldyr Jorge informou que não poderia atender ao Informativo Adusp em 24/10 (data de fechamento desta edição), mas se dispôs a responder, já na próxima semana, aos nossos questionamentos. Também procurada para esclarecer sua saída, Sandra Grisi, que se encontra em licença-prêmio, não foi localizada.

Plebiscito no HRAC

A desvinculação do Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais (HRAC, ou Centrinho), propos­ta da Reitoria irregularmente apro­vada pelo Conselho Universitário em 26/8, foi massivamente rejeitada em plebiscito realizado no campus da Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB) nos dias 6, 7 e 8/10. Dos 1804 votantes, 1.795 manifestaram-se contra a desvinculação. Participaram do plebiscito  508 populares, 765 funcioná­rios, 198 estudantes e 333 pacientes.

Informativo nº 392