Na manhã de 7/4, Dia Mundial da Saúde, dezenas de manifestantes saíram em caminhada do bairro do Rio Pequeno em direção à Reitoria da USP, passando pelo Hospital Universitário (HU), para mostrar ao reitor M.A. Zago a grande insatisfação com a atual situação do hospital. Trabalhadores da saúde pública, estudantes, moradores da região do Butantã e lideranças de movimentos populares deram continuidade assim à agenda traçada em reunião no Circo-Escola São Remo, em 24/3.

fotos: Daniel Garcia
Manifestantes deslocam-se no interior do campus do Butantã, entre o Hospital Universitário e a Reitoria: protesto reuniu funcionários, estudantes e moradores da região Manifestantes deslocam-se no interior do campus do Butantã, entre o Hospital Universitário e a Reitoria: protesto reuniu funcionários, estudantes e moradores da região
Manifestantes deslocam-se no interior do campus do Butantã, entre o Hospital Universitário e a Reitoria: protesto reuniu funcionários, estudantes e moradores da região Manifestantes deslocam-se no interior do campus do Butantã, entre o Hospital Universitário e a Reitoria: protesto reuniu funcionários, estudantes e moradores da região
Manifestantes deslocam-se no interior do campus do Butantã, entre o Hospital Universitário e a Reitoria: protesto reuniu funcionários, estudantes e moradores da região

O Sindicato dos Médicos de São Paulo (Simesp) e o Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp) contribuíram com a organização e a realização do protesto. A pauta tem quatro eixos de reivindicações: contratação imediata dos profissionais de saúde necessários ao pleno funcionamento do HU; não autarquização do HU; pleno funcionamento do Centro Saúde Escola-Butantã; e a saída do reitor. 

Durante o protesto, M.A. Zago recebeu duras críticas por medidas que tomou e que resultaram no desmantelamento do hospital, como o corte das horas-extras dos médicos plantonistas e o Programa de Incentivo à Demissão Voluntária (PIDV), que fez com que 213 profissionais de saúde deixassem repentinamente o HU. 

56 leitos fechados

“Hoje, Dia Mundial da Saúde, nós estamos reivindicando que o HU volte a ter o atendimento normal e atenda à população que está desassistida”, relatou à reportagem do Simesp a funcionária do HU (e moradora da região) Rosane Meire Vieira, que é diretora do Sintusp. Foram fechados 56 leitos no hospital. “O Simesp apoia o protesto contra o desmonte sofrido pelo HU nos últimos anos. A situação está crítica”, disse Gerson Salvador, diretor do Simesp e vice-diretor clínico do hospital.

As demissões também estão afetando o ensino, como informou Glauco Cabral Marinho, estudante do quarto ano da Faculdade de Medicina (FMUSP): “O HU é um espaço importante para estágios do internato, onde aprendemos o que vamos encontrar no dia a dia. E estamos perdendo tudo isso com o sucateamento do hospital: vários serviços estão sendo fechados e o pronto-socorro está reduzindo os atendimentos. Nós sofremos, mas a população é quem sofre mais”, declarou à reportagem do Simesp.

“Se o HU fechar, para onde a gente vai?”, indaga Maria de Jesus, moradora da comunidade São Remo. A região do Butantã possui apenas 13 unidades básicas, que funcionam em condições precárias, e seriam necessárias mais 12 para atender satisfatoriamente as necessidades da população. “A unidade mais recente foi construída há 25 anos. Então, se o HU fechar as portas o Butantã ficará à deriva”, resume Oscar Martins, do Conselho Gestor Distrital.