Por iniciativa do Centro Acadêmico Oswaldo Cruz (CAOC), da Faculdade de Medicina (FMUSP), no dia 28/4 foi apresentado um relatório do Programa de Altos Estudos em Administração Hospitalar e Sistemas de Saúde (Proahsa) sobre o Hospital Universitário (HU). A apresentação, iniciada às 12h30 no anfiteatro da Patologia da FMUSP, ficou a cargo do professor José Manoel de Camargo Teixeira e durou cerca de uma hora. Ao final houve um rápido debate com os presentes, entre os quais se encontravam José Otávio Auler, diretor da FMUSP, Waldyr Jorge, superintendente do HU, José Pinhata Otoch, diretor clínico, e outros gestores do HU.

O relatório parcial, denominado “Análise situacional do Hospital Universitário”, já foi apresentado à Reitoria, à diretoria da FMUSP e ao HU. Seus autores são o próprio José Manoel, Antonio Carlos Silva, Ivana Mara Rodrigues Silva e Sidionira Santos Del Bianco. O documento foi encomendado ao Proahsa, uma parceria entre o HCFMUSP e a Fundação Getúlio Vargas, pela comissão criada pelo Conselho Universitário (Co), em 2014, para discutir a situação do HU, como alternativa à desvinculação proposta pela Reitoria. O relatório final deverá ser aprovado até o final de maio.

Terminado o debate, o Informativo Adusp indagou ao professor José Manoel se os indicadores positivos recolhidos pelo Proahsa não contradizem o relatório anterior, elaborado pelo professor José Sebastião Neto (FMRP) e utilizado pela Reitoria para propor a desvinculação do HU. José Manoel evitou uma resposta direta: “É um bom hospital. Tem um problema complexo, que é a integração na rede. E o gasto com recursos humanos é pesado”.

Segundo o relatório, que trabalhou com dados de outubro de 2014, o HU atende a uma população de 494.343 pessoas da região do Butantã e 109.481 da comunidade USP, possui 236 leitos e conta com uma força de trabalho de 1.784 pessoas. O documento mostra que a maioria dos indicadores exibidos pelo hospital é compatível com os encontrados em instituições semelhantes, tendo como base os indicadores do programa CQH, ou “Compromisso com a Qualidade Hospitalar”, mantido pela Associação Paulista de Medicina e pelo Conselho Regional de Medicina (Cremesp).

“Observa-se boa utilização da capacidade física destas unidades [de tratamento]. Para ginecologia, neonatologia e pediatria evidencia-se certa ociosidade, considerando-se que para o cálculo já está contemplada taxa de ocupação de 85%”, registrou José Manoel ao apresentar o relatório. “A utilização da capacidade física das Unidades de Terapia Intensiva (UTI), de maneira geral, também está adequada, à exceção da UTI Neonatal que apresenta baixa utilização.”

Cirurgias

São suspensas todos os meses 15,8% das cirurgias, mas o professor minimizou esse dado: “Esse número podia ser menor, mas tem uma série de variáveis para poder diminuir esse número. Tem hospitais que chegam a ter aqui 6%; outros, entretanto, chegam a ter 30%”.

O peso da folha de pagamentos foi destacado pelo professor da FMUSP e integrante do Proahsa. “Os gastos com recursos humanos representaram 74% das despesas correntes em 2011; 74% é muito alto para um hospital, qualquer hospital que seja esse número cai para 55% a 60%”.

Waldyr Jorge recorreu a uma metáfora náutica para descrever a situação vivida pelo HU: “É obvio somar toda essa expertise e experiência para fazer com que a nau, adernada e já navegando, consiga ao longo do tempo tomar um rumo em uma velocidade eu diria um pouco mais satisfatória para responder às nossas necessidades”.

O vice-presidente do CAOC, Ivo Jordão Guterman, que também é representante discente na comissão do Co que avalia o HU, considerou positiva a atividade —a terceira de uma série de debates sobre o tema.

Convidado pelo Informativo Adusp a opinar sobre o relatório, o diretor clínico do HU, Pinhata Otoch, relativiza a questão da folha de pagamentos: “Você tem um custo alto com pessoal porque ele é associado à política de recursos humanos da USP, que prefere pagar horas-extra em vez de contratar mais médicos. Além disso, é preciso levar em conta que nos outros hospitais há um achatamento dos salários. É como comparar alhos com bugalhos”.

Não se pode nivelar por baixo, adverte: “O HU é caro porque o seu padrão de atendimento é melhor. Estamos falando de um oásis que existia e está sendo sucateado”. A seu ver, é complicado comentar o documento do Proahasa, na medida em que não conhece sua íntegra: “Ele foi só apresentado, não tive acesso ao relatório como um todo. É interessante quanto aos aspectos de gestão, mas não dá nenhum passo além da gestão”.

Informativo nº 399