Manifestantes enfrentam veto do superintendente Marcos Felipe e distribuem macarronada para centenas de pessoas em 7/4

No final da manhã de 7/4, Dia Mundial da Saúde, houve distribuição gratuita de macarronada para centenas de pessoas, na entrada principal dos ambulatórios do Hospital das Clínicas da USP de Ribeirão Preto. Participaram do ato estudantes, professores e funcionários da USP e do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina (FMRP). O grupo pediu a instalação de um restaurante “Bom Prato”, equipamento social dirigido à população de baixa renda que, por meio de subsídio, fornece refeições balanceadas ao custo de um real. Ribeirão Preto já possui uma unidade do “Bom Prato”, mas ela está situada no centro da cidade, a cerca de 4 quilômetros de distância do campus.  

Distribuição de macarronada em 7/4 foi um sucesso. A professora Annie representou a Adusp e expressou apoio à luta por restaurante popular no HC-RP

Por dia passam cerca de 3.500 pacientes pelo ambulatório do HC, a maioria de baixa renda e vindos de cidades de várias regiões paulistas e de estados do centro sul. Muitos deles ficam todo o dia sem alimentação regular. As opções no entorno do HC se restringem a cantinas particulares, caras e de qualidade duvidosa. Desse modo, a maior parte dos usuários do hospital, bem como seus funcionários, acabam passando à base de salgadinhos e refrigerantes.  

Em 2013, após abaixo-assinado organizado pelos funcionários do HC, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) acenou com a possibilidade de instalação do Bom Prato no campus, mas o superintendente do HC, Marcos Felipe de Sá — que é professor da FMRP e membro do Conselho Consultivo da Faepa, fundação privada que controla o hospital — descartou a medida, alegando que não há espaço para esse tipo de instalação, embora o campus da USP possua uma área superior a 5 milhões de m2.  

O irônico é que no ano passado o HC inaugurou um estacionamento pago, com centenas de vagas, bem ao lado de sua entrada principal. Preço para estacionar: cinco reais a hora. Outro estacionamento pago do mesmo porte foi erguido em 2012, um pouco mais distante, no lado oposto do hospital, também com segurança, câmaras e preço de três reais a hora. Proibição

O ato de 7/4 não passou despercebido a Marcos Felipe de Sá. O superintendente encomendou parecer de sua Consultoria Jurídica e disparou documento dizendo, em letras maiúsculas, que “NÃO AUTORIZA a realização de qualquer ATO PÚBLICO nas dependências do Hospital (áreas internas e externas)” e nem a distribuição de qualquer tipo de alimentos. Soou para os organizadores como um triste lembrete dos tempos da Ditadura Militar. Apesar de ameaças a dirigentes sindicais do SindSaúde e aos estudantes do Centro Acadêmico Rocha Lima, o ato aconteceu sem incidentes. Vários dos manifestantes lembraram que enquanto Felipe de Sá faz pouco caso do Bom Prato, a “Clínica Civil”, que funciona dentro do HC, realiza consultas particulares que custam até mil reais. A professora Annie Schmaltz Hsiou, coordenadora da Adusp Regional Ribeirão Preto, compareceu ao ato, manifestando-se em apoio à criação do Bom Prato no HC, além de expressar solidariedade às reivindicações salariais e às lutas dos funcionários. A mobilização social em torno de questões desse tipo, destacou ela, pode permitir que a USP deixe de ser apenas mais uma universidade no contexto de Ribeirão Preto, passando a ser parte da cidade. Seria uma forma de superar o grande distanciamento que existe hoje entre a USP elitista, meritocrática, e o restante da comunidade.  

Além da macarronada os manifestantes também distribuíram uma “Carta Aberta pela instalação imediata de um restaurante Bom Prato no HC”, assinada por seis entidades: Centro Acadêmico Rocha Lima, DCE, SindSaúde, Sintusp, Adusp e Associação Amigos do Memorial da Classe Operária-UGT.