A professora Lia de Alencar Coelho, da Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos (FZEA-USP), considera-se vítima de assédio moral, depois de ver lançadas em seus holerites nada menos do que 14 faltas “justificadas” (não abonadas), vinculadas a “saídas não autorizadas”, de 13/6 a 21/6, e depois 27, 28 e 29/6, e 8 e 9/8.

“Não tive nenhuma ciência disto, fui saber da primeira leva de faltas ao receber, em setembro, o holerite com o salário de agosto. Só na segunda leva recebi comunicação do Serviço de Apoio ao Usuário do DRH-USP”, diz a docente.

Lia realiza, no Laboratório de Neurobiologia do Departamento de Fisiologia e Biofísica do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB), em São Paulo, pesquisa aprovada em projeto da Fapesp, sob sua coordenação. A realização da pesquisa no ICB foi devidamente comunicada em memorando encaminhado ao Departamento de Zootecnia em dezembro de 2010 e registrada em ata da reunião do Conselho Departamental de fevereiro de 2011.

As datas registradas como faltas no holerite correspondem, em sua maior parte, aos dias em que se encontrava no ICB. Nos dias 21/6 e 9/8 ela estava no campus de Pirassununga, inclusive em sala de aula no dia 9/8.

Recurso

Docente em RDIDP, na USP desde 1998, professora associada desde 2002, Lia também afirma que no dia 8/8 recebeu uma convocação por e-mail do chefe do Departamento, para estar no gabinete da chefia no mesmo dia às 14 horas, para justificar “suas ausências nas últimas semanas”. Também foi advertida de que as faltas não justificadas seriam apontadas à Seção de Recursos Humanos da FZEA, para desconto em folha. Lia respondeu dizendo que não poderia comparecer, pois encontrava-se em São Paulo, e que se houvesse desconto recorreria.

Ela apresentou um recurso administrativo à direção da FZEA, em 17/10/11, e em 31/10 solicitou também que o recurso fosse encaminhado à Procuradoria Geral da USP. O recurso foi encaminhado à PG no dia 3/11.

O Informativo Adusp pediu ao professor Evaldo Titto, chefe do Departamento de Zootecnia, que se pronunciasse quanto às denúncias da professora Lia. “Todas as respostas a essas questões já foram registradas em atas do Conselho do Departamento e as ações em questão também foram deliberadas por esse colegiado”, disse o docente. “Após a solução do caso poderemos dar declarações mais detalhadas”.

 

Informativo nº 342