foto: Daniel Garcia

Reitoria receberá um abaixo-assinado com mais de 50 mil assinaturas em defesa do Hospital Universitário da USP

Um grande ato público em defesa do Hospital Universitário da USP (HU) está previsto para a próxima sexta-feira, 2/3, a partir das 10 horas. A concentração inicial será no Portão 3 da Cidade Universitária (próximo à Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia). Os manifestantes, convocados pelo Coletivo Butantã na Luta, Adusp, Sintusp e Diretório Central dos Estudantes, caminharão até a Reitoria, onde pretendem ser atendidos pelo reitor Vahan Agopyan, cujas diretrizes para o hospital vêm sendo fortemente contestadas por essas entidades.

Os organizadores da manifestação entregarão ao reitor, ou a seus representantes, o “Abaixo-Assinado Em Defesa do HU”, subscrito pelos moradores dos bairros e comunidades de todo o Distrito do Butantã, onde vivem mais de 500 mil pessoas. O documento, que exige a reabertura plena do hospital, já conta com mais de 50 mil assinaturas. A aplicação da verba adicional de R$ 48 milhões, garantida por emenda aprovada pela Assembleia Legislativa (Alesp), permitiria a reativação dos Prontos-Socorros e dos centros cirúrgicos.

O desmonte do HU iniciou-se na gestão reitoral anterior, de Marco Antonio Zago, cujo Programa de Incentivo à Demissão Voluntária (PIDV) levou o hospital a perder 406 funcionários. No entender dos grupos que promovem o protesto, é “assustador” o comportamento do atual reitor (que foi vice-reitor naquela gestão), pois em recente entrevista ao portal UOL tenta eximir a USP de responsabilidade pelo HU. Chega a declarar, referindo-se ao atendimento médico-hospitalar da população: “Estamos fazendo uma coisa que não é nossa função”.

“Enorme redução do atendimento”

Agopyan, dizem os organizadores da manifestação, “parece desconhecer o Regimento do HU, que no seu artigo 1o afirma que o hospital “órgão previsto no Título II, artigo 8o do Estatuto da Universidade de São Paulo [...] tem por finalidade promover o ensino, a pesquisa e a extensão de serviços à comunidade” — o que o define como hospital-escola. E acrescentam: estarão “firmes na batalha pela aplicação adequada dos recursos extras no HU, de conformidade à Emenda votada pelos deputados na Alesp” no Orçamento do Estado para 2018, a qual reserva especificamente para o HU a quantia de R$ 48 milhões, oriunda dos royalties da Petrobras, ou seja: “do montante da compensação financeira da exploração do petróleo para a USP”.

A preocupação dos organizadores se justifica: em audiência que concedeu a deputados estaduais do PSOL e do PT, realizada na Reitoria em 22/2, Agopyan declarou desconhecer a Emenda aprovada na Alesp. Enquanto isso, mantém sua política de absoluto abandono do HU, que sofre até com falta de água, como ocorreu nos dias 23, 24 e 25/2.

“O orçamento [do HU] passou de R$ 353 milhões para R$ 401 milhões [graças à emenda da Alesp] necessários para o HU recuperar seu equilíbrio financeiro e voltar a contratar profissionais diretamente pela USP. Com isso, reabriria os Pronto-Socorros, reativaria leitos e recolocaria em funcionamento os centros de cirurgia”, diz boletim do Coletivo Butantã na Luta. “Há uma enorme redução do atendimento: só com relação às cirurgias, por exemplo, passou de uma média de 20 para menos de 5 por dia”.