Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, Vahan Agopyan avalia que Bolsonaro e Doria não representam risco à universidade “se a autonomia não for retirada” e defende a gratuidade do ensino superior público

O reitor da USP, Vahan Agopyan, declarou em entrevista à repórter Renata Cafardo, do jornal O Estado de S. Paulo, que “é impossível” implantar na USP um projeto como o “Escola sem Partido”, porque a universidade “é um local de debate”. Ele lembrou que, mesmo no auge da Ditadura Militar, a universidade era palco de intensos debates.

“Obedecemos às leis, mas coisas que ferem a autonomia da USP, a USP não precisa seguir. Isso fere. Porque a universidade é um locus de debate. Você não pode impedir. O debate é importante porque estamos formando cidadãos, nós formamos profissionais, mas o grande objetivo da USP é formar excelentes cidadãos e excelentes líderes”, afirmou.

“E se houver um clima de denuncismo?”, perguntou a jornalista. Agopyan respondeu: Denunciar para quem? Eu não vou criar um mecanismo de controle ideológico dentro da universidade”.

Agopyan afirmou também que não vê nenhum risco à universidade com a eleição de Jair Bolsonaro (PSL) para a Presidência da República e de João Doria (PSDB) para o governo estadual — “se a autonomia não for retirada”, ressalvou.

O reitor considera natural que os problemas da sociedade repercutam dentro da universidade. Entretanto, salientou que está preocupado com o clima “de extremismo absurdo” que começa a se refletir no seu interior.

USP, Unesp e Unicamp “são muito baratas”, diz sobre financiamento

Em relação ao debate sobre financiamento do ensino superior, Agopyan citou diferentes modelos existentes no mundo e afirmou que um dos problemas no Brasil é a falta de compreensão dos políticos e da sociedade em relação ao papel de uma universidade de pesquisa como a USP. “As três universidades paulistas (USP, Unesp e Unicamp) são muito baratas. A USP é uma das dez maiores universidades em produção científica do mundo e, comparando com as outras nove, nós somos uma fração do orçamento”, apontou.

Para o reitor, não defender o ensino superior gratuito “é falta de informação”. Depois de dizer que a cobrança de anuidades representaria uma receita “insignificante” e que “o grosso dos nossos alunos é classe média baixa”, Agopyan afirmou: “A última vez que fizemos umas contas, para cobrar em proporção com o que o aluno tem, as mensalidades não davam nem 8% do orçamento da USP. Como agora já temos um número maior de alunos de escolas públicas, pior ainda. A gente tem que entender: a universidade está contribuindo para o desenvolvimento do País? Se está, é um investimento”.

A entrevista, publicada nesta segunda (12/11), pode ser lida na íntegra aqui