A primeira reunião da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) criada na Alesp com a finalidade declarada de “investigar irregularidades na gestão das universidades públicas do Estado de São Paulo” foi realizada na tarde desta quarta-feira (24/4). A CPI foi instalada pela deputada Leci Brandão (PCdoB), por ser a mais idosa. Foram eleitos como presidente e vice-presidente da CPI, respectivamente, os deputados Wellington Moura (PRB) e Carla Morando (PSDB).

O centro dos debates entre os deputados e deputadas foi a definição do foco da CPI. Isso porque, em entrevista concedida a O Estado de S. Paulo, o deputado Moura, vice-líder do governo Doria e principal autor do requerimento de criação da comissão, apresentou uma fundamentação diferente da que consta daquele documento. “Vamos analisar como as questões ideológicas estão implicando no orçamento. Eu percebo um predomínio da esquerda nas universidades. Infelizmente, muitos professores levam mais o tema ideológico do que o temático para a sala de aula”, disse Moura ao jornal.

Ainda segundo Moura, a CPI poderá propor mudanças na gestão das instituições: “Um projeto de decreto legislativo pode alterar a forma de escolher os nomes da lista tríplice. Pode ser um nome indicado pelo governo, outro pelos deputados e um terceiro pela universidades”. Na mesma matéria do Estadão, a deputada Carla Morando afirmou que as universidades públicas são “dominadas pela esquerda” e que as universidades são uma “caixa-preta”.

Durante a reunião inaugural, deputados pediram a Moura que registrasse por escrito para publicação no Diário Oficial o objeto e foco da CPI, mas ele se negou, alegando que esse requerimento não poderia ser feito porque aquela sessão tinha como finalidade específica a eleição de presidente e vice-presidente da comissão.

Na véspera, o deputado Barros Munhoz (PSDB), membro titular da CPI, já havia se dirigido ao plenário da Alesp para criticar as afirmações feitas por Moura ao Estadão. Por sua vez, a deputada Bete Sahão (PT) ajuizou mandado de segurança no Tribunal de Justiça contra a abertura da CPI, argumentando que ela foi criada de maneira ilegal, por não apresentar fato determinado que a justifique, mas apenas fatos genéricos.