Coletivo Butantã na Luta vai procurar a Defensoria Pública para acionar Vahan Agopyan por não ter utilizado no hospital, em 2018, verba de R$ 48 milhões aprovada pela Assembleia Legislativa. O movimento terá uma reunião com a Superintendência do Hospital Universitário nesta semana e prepara um ato público para o próximo dia 28/8

Fotos: Daniel Garcia
Zilma da Silva, funcionária do ICB, relata dificuldades no acesso ao HU
Professor João Zanetic (IF), da coordenação do Coletivo Butantã na Luta
Mário Balanco, da coordenação do Coletivo Butantã na Luta
Apesar da baixa temperatura, populares compareceram ao encontro
Coordenação do Coletivo Butantã na Luta

O 4o Encontro Popular em Defesa do Hospital Universitário (HU) da USP, organizado pelo Coletivo Butantã na Luta, referendou a proposta de que o movimento entre com uma ação por improbidade administrativa contra o reitor da USP, Vahan Agopyan, por desvio de finalidade. A ação, que deve ser encaminhada pela Defensoria Pública ao Ministério Público de São Paulo, terá como causa a não aplicação no HU da verba de R$ 48 milhões dos royalties do petróleo incluída no Orçamento de 2018 pela Assembleia Legislativa (Alesp). Em vez de aplicar os recursos no hospital, a Reitoria utilizou-os em despesas previdenciárias. “Não vamos deixar isso barato”, diz Lester do Amaral Junior, da coordenação do Butantã na Luta.

Além de referendar a proposta da ação, o encontro — que reuniu cerca de 90 pessoas na fria manhã deste domingo (4/8) na Escola Municipal Amorim Lima — aprovou a realização de um ato público em defesa da reestruturação do HU no próximo dia 28/8. A manifestação vai se concentrar às 17 horas na entrada do Centro de Saúde Escola do Butantã, partindo em caminhada pela avenida Vital Brasil.

De acordo com Amaral, a mobilização será mantida independentemente dos resultados da reunião para a qual a coordenação do movimento foi convidada pela Superintendência do HU. A reunião, que terá a participação de representantes da Adusp, do Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp) e dos estudantes, será realizada nesta quinta (8/8), às 10 horas.

Entre outras ações pontuais, o encontro popular também aprovou a redação de uma carta em defesa dos hospitais universitários brasileiros que está sendo distribuída na 16a Conferência Nacional de Saúde, que se realiza até quarta-feira (7/8) em Brasília.

Projeto de privatização na USP continua a todo vapor”, diz vice da Adusp

Presente ao encontro, a professora Michele Schultz Ramos, vice-presidenta da Adusp, reafirmou o apoio irrestrito da entidade ao movimento e lembrou que o atual reitor “não é exatamente novo na gestão da universidade”: Agopyan “era o vice na gestão de Marco Antonio Zago, o reitor que iniciou o processo de desmonte do HU”, disse.

“Então, apesar de o atual reitor ser uma pessoa mais cordial, mais diplomática, o projeto de privatização na USP continua a todo vapor, assim como em outros órgãos públicos”, apontou. Há muito tempo, prosseguiu a docente, a entidade vem denunciando o subfinanciamento da universidade, o que está diretamente relacionado à precarização do trabalho e à adoção das recentes medidas que permitem o “compartilhamento” de equipamentos, materiais e laboratórios da USP com empresas privadas. João Zanetic, docente sênior do Instituto de Física (IF) da USP e ex-presidente da Adusp, e Lighia Matsushigue, docente colaboradora do IF, também participaram do encontro.

Moradora da região desde 1964 e uma das oradoras da reunião, a servidora do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP Zilma Lúcia da Silva relatou que praticamente viu o HU ser construído. A servidora fazia seus tratamentos e acompanhamentos no hospital — mas, como o HU passou a ser “referenciado” e só atende os casos encaminhados por outras unidades de saúde, Zilma ficou sem a assistência com que contava. “É com muita tristeza que vejo o que aconteceu no HU”, lamentou.

Movimento quer contratação por concurso público

A organização da triagem médica no pronto-socorro, com a retomada do atendimento à população, é um dos seis pontos do projeto de reestruturação do HU defendido pelo Coletivo Butantã na Luta. “Já que a USP não apresenta a sua proposta, nós vamos batalhar pela nossa”, diz Lester do Amaral Junior.

Os outros itens são: reativação dos 250 leitos do hospital (hoje são 150, parcialmente ativados); uso efetivo das oito salas cirúrgicas (por falta de profissionais, atualmente apenas três são utilizadas); contratação imediata de trezentos profissionais por concurso público, com a utilização da verba de R$ 40 milhões destinada pela Alesp em 2019; contratação de médicos para assegurar a recuperação da formação multitemática nos sete cursos e dez carreiras da saúde da USP; e integração efetiva com o sistema de saúde do Butantã para assegurar o direcionamento ao HU dos encaminhamentos feitos por outras unidades da região.