O Instituto de Biociências (IB) poderá eleger novo diretor em 6/11 ou data próxima. O antigo diretor, professor Carlos Falavigna da Rocha, deixou oficialmente o cargo em 18/10, data em que foi publicada no Diário Oficial do Estado portaria do reitor declarando “cessados, a pedido”, os efeitos da sua designação. Em 3/10 fora divulgada uma “Carta Aberta” a ele dirigida por uma plenária da comunidade do IB, realizada nos dias 19 e 22/9, na qual foram criti­ca­das as atitudes autoritárias que ele teria cometido durante o movimento de greve e pedida a sua saída.

É possível que a manifestação da comunidade não tenha relação direta com a saída de Rocha ou não seja sua causa exclusiva, porque antes de pedir para deixar o cargo ele afastou-se por razões de saúde. Procurado pelo Informativo Adusp, o ex-diretor não quis explicar a razão pela qual renunciou. Ele disse desconhecer o teor da carta aberta: “Eu nem estou sabendo disso”.

A plenária de 19 e 22/9, que reuniu 71 pessoas (13 docentes, 29 funcionários técnico-administrativos, 29 discentes), reconheceu por unanimidade, segundo a carta aberta, “que esses fatos criaram uma crise de governança em nosso Instituto”; indicou que a solução “passa por ampliar a representatividade e a transparência da gestão do IB, em todas as instâncias”; e concluiu por ampla maioria (com quatro votos contrários e cinco abstenções) que “um pedido de renúncia ao cargo de diretor, emanando por V. Sa., seja um caminho adequado para que se possa procurar restabelecer relações ora abaladas em nosso Instituto”.

No período da greve, obser­va, “a comunidade do IB teve a oportunidade de promover discussões e outras iniciativas no sentido de colaborar, de maneira ativa, na solução da situação que se configurava como insustentável”, ou seja, mobili­zou-se de forma proativa.

Lógica autoritária

No entanto, prossegue a carta aberta, “a contrapartida da sua direção [do Instituto] se deu no sentido oposto aos anseios dessa comunidade, replicando a lógica autoritária praticada pela Reitoria da USP durante a crise”. O documento pontua uma série de “fatos muitos graves” que tiveram Falavigna como protagonista:

“1. O diretor quebrou um acordo prévio com os chefes de departamento e representantes de funcionários, delegando aos chefes imediatos a responsabilidade sobre o corte de ponto de funcionários em greve;

“2. O diretor tomou posição contrária às deliberações da reunião extraordinária da Congregação do Instituto, autocon­vo­ca­da para discutir o corte de pon­tos, que por ampla maioria reco­men­dou que tal corte não ocor­resse”;

“3. O diretor não apresentou soluções concretas a anseios importantes da comuni­da­de como a acessibilidade e a permanência estudantil”;

“4. A direção ignorou a solicitação de maior transparência na tomada de decisões orçamentárias”;

“5. Houve, em diferentes ocasiões, destempero emocional por parte do diretor interrom­pen­do o diálogo com a comunidade do IB, incluindo episó­dio de violência física contra um funcionário”;

“6. Finalmente, o diretor cancelou reunião ordinária da Congregação sem qualquer justifica­tiva e afastou-se da direção do Instituto em meio à crise então vigente”.

Adiamento

Nova plenária conjunta, realizada em 21/10 com participação de 74 pessoas (10 docentes, 40 funcionários, 24 estudantes), debateu o processo eleito­ral no IB, assinalando questões como a necessidade de maior envolvimento da unidade no processo; o fato de a comunidade desco­nhe­cer quais dos “elegíveis” ao cargo de diretor — apenas professores titulares e professores associados 3 — estão dispostos a candi­da­tar-se, o que limita a transpa­rên­cia e o debate do processo; a necessidade de se questionar os candidatos a respeito de aspec­tos impor­tan­tes da gestão do IB.

A plenária de 21/10 tomou as seguintes decisões: por ampla maioria, propor ao vice-diretor do IB, Welington Delitti, que está presidindo o processo eleitoral, o adiamento das eleições por uma sema­na, “para aumentar o tempo para debate de propostas”; por unanimidade, 1) solicitar aos elegíveis dispostos a assumir a direção que se manifestem e apresen­tem propostas, 2) envio, aos elegíveis, de questões sobre a gestão do IB, 3) debate, com data indicativa de 3/11, 4) consulta eleitoral à comunidade em 4/11.

Informativo nº 392