foto: Daniel Garcia

A Associação de Docentes (Adusp), o Diretório Central dos Estudantes da USP (DCE) e o Sindicato dos Trabalhadores (Sintusp) organizaram um protesto nesta terça-feira, dia 11/4, em frente à Reitoria. Dentro do prédio acontecia a reunião do Conselho Universitário (Co) convocada pelo reitor M.A. Zago para votar os destaques à sua proposta de “Parâmetros de Sustentabilidade Econômico-Financeira da USP”, conhecida também como “PEC do fim da USP”, repudiada pelos manifestantes.

fotos: Daniel Garcia

A reunião do Co foi convocada repentinamente pelo reitor às vésperas da Semana Santa, quando não há aulas na universidade. Mesmo assim, o ato teve a participação de estudantes, professores e funcionários e entidades como o Sindicato dos Trabalhadores do Centro Paula Souza (Sinteps), o Sindicato dos Trabalhadores e a Associação dos Docentes da Unesp (Sintunesp e Adunesp) e a Comissão de Creches Mobilizadas da USP. Esteve presente ainda, a vereadora Sâmia Bomfim (PSOL), que prestou solidariedade aos manifestantes.

Durante todo a manifestação, um numeroso contingente da Polícia Militar esteve presente ostensivamente com viaturas e motocicletas, inclusive com policiais dentro da Reitoria. Na reunião anterior do Co, em 7/3, quando houve um primeiro ato contra o pacote de ajuste fiscal da Reitoria, os manifestantes foram brutalmente reprimidos pela PM com o uso de bombas de gás lacrimogênio, balas de borracha e cassetetes. Pelo menos cinco pessoas foram detidas, algumas enquanto eram atendidas no HU.

Teto para a folha

Nas suas falas, os manifestantes expressaram o seu repúdio aos “Parâmetros”. O projeto propõe o contigenciamento de recursos da universidade para as próximas gestões, estabelecendo um teto para a folha de pagamentos que, uma vez ultrapassado, a Reitoria fica autorizada a exonerar servidores e docentes concursados. Outras tentativas de desmonte também foram citadas pelos manifestantes, como a pretendida desvinculação do Hospital Universitário (HU) e o fechamento da Creche Oeste.

Para Alberto Souza, diretor do Sintunesp, “o que acontece hoje na USP já aconteceu na Unesp”. Ele citou o aumento de parcerias com organizações sociais (OS) e fundações privadas, assim como o congelamento de contratações. “Diminuindo-se o quadro de servidores técnicos administrativos, substituindo-os por terceirizados, caminhamos para a privatização das universidades”, disse Alberto.

João Chaves, um dos coordenadores do Fórum das Seis, relacionou o projeto da Reitoria em votação no Co com a PEC do teto dos gastos públicos do presidente Michel Temer, que limita os investimentos federais durante os próximos 20 anos. Chaves convocou os manifestantes a participar da greve geral marcada para o dia 28/4, organizada por diversas centrais sindicais contra a reforma da previdência e a lei da terceirização defendidas por Temer.