foto: Folhapress

A manifestação realizada por estudantes e funcionários da USP, convocada como parte da greve geral do dia 28/4, foi reprimida duas vezes pela Polícia Militar e terminou em confronto na ECA.

O protesto começou em frente ao Portão 1 da USP às 6 horas da manhã e seguiu em direção à Ponte Bernardo Goldfarb, onde foi montada uma barricada. Por volta das 10 horas, os manifestantes decidiram voltar até a universidade. A Tropa de Choque da PM, entretanto, reprimiu nesse momento o ato pela primeira vez, iniciando uma perseguição aos manifestantes pelas ruas do Butantã até a entrada da USP.

Após a dispersão de parte dos manifestantes, estudantes que participaram do protesto decidiram derrubar a grade instalada na ECA pela Reitoria, que cerca o pré­dio onde estão a vivência estudantil e a antiga sede do Sintusp, além de isolar a maior parte do perímetro da “Prainha”. Enquanto os estudantes tentavam derrubar as grades com as próprias mãos, a PM os cercou por trás utilizando cassetetes, bombas de gás e spray de pimenta.

O estudante Gabriel Martins, aluno da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA), foi agredido a pontapés por policiais militares do “Sistema Koban”, ao tropeçar enquanto fugia da repressão. O jovem foi detido, arrastado pelo cabelo e colo­ca­do dentro de uma viatura do “policiamento comunitário” da PM. Pelo menos cinco policiais militares participaram da episódio.

Jaula

“Embora eu não tenha participado da derrubada das grades, eu estava tocando tambor na agitação do protesto, considero muito importante a ação dos estudantes, porque a Reitoria colocou aquelas grades no nosso espaço de maneira completamente arbitrária, com um dinheiro que alega não ter”, disse Gabriel ao Informativo Adusp. “É uma situação em que a Reitoria se mostra autoritária como sempre, nos colocando nesta jaula, vigiados pela Koban”.

Gabriel foi acusado em Termo Circunstanciado por supostos crimes de resistência à prisão e lesão corporal, por supostamente ferir três policiais. Um representante da USP registrou um Boletim de Ocorrência contra o estudante por dano ao patrimônio. Além disso, policiais ameaçaram o estudante, que é indígena, de incriminá-lo por falsidade ideológica ao recusar-se a se declarar branco.

 

Procurado pelo Informativo Adusp, o diretor da ECA, professor Eduardo Monteiro, fez a seguinte declaração: “A Diretoria da ECA repudia qualquer tipo de violência e informa que não há registro de que policiais tenham entrado em qualquer um dos prédios da Escola à procura de manifestantes”.

Nota do CALC

O Centro Acadêmico Lupe Cotrim, da ECA, emitiu nota a respeito do episódio, intitulada “Não toleramos repressão. Todo apoio à luta dos estudantes!”. A seguir, a íntegra da nota:

“Hoje aconteceu o ato unificado da USP em apoio a greve geral. Desde às 6h da manhã, estudantes, trabalhadores e membros de movimentos sociais organizaram uma manifestação pacífica, que ocupou as ruas do Butantã em defesa dos direitos trabalhistas e contra as reformas de Michel Temer.

A resposta da Polícia Militar foi a mesma de sempre: bombas e cassetetes, desrespeitando o caráter democrático e plural dos protestos.

Esgotados pelo autoritarismo que estamos enfrentando, desde a Reitoria da USP até o Planalto, os estudantes partiram para a ação direta. A ideia era derrubar as grades da ECA, símbolo maior da intransigência do reitor.

A repressão foi retomada, os estudantes foram dispersados na base da porrada, e um estudante da FEA foi detido, mais uma vez sem motivo. Detido por lutar por um país melhor.

Não vamos mais admitir.

As ações e reações de hoje deixam claro que o grito dos estudantes é uníssono: não mais arbitrariedade, não mais autoritarismo e abaixo as grades!”

Informativo nº 435