foto: Marcos Santos/USP imagens

Ricardo Terra

Ricardo Ribeiro Terra é, desde 2004, professor titular do Departamento de Filosofia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH). Membro, por duas vezes, da Comissão Especial de Regimes de Trabalho (CERT), entre 1998 e 2002 e entre 2011 e 2014, quando a presidiu, Terra foi o nome escolhido por M. A. Zago para liderar a primeira tentativa da gestão de uma avaliação centralizada.

Já no início de 2014, o reitor o nomeou presidente do Grupo de Trabalho-Atividade Docente (GT-AD). Composto por 24 professores, todos nomeados diretamente pelo reitor, o GT-AD  se sobrepôs às discussões referentes à reforma do Estatuto, conduzidas pela Comissão Assessora Especial do Conselho Universitário (Caeco), órgão eleito pelo Co. O GT-AD elaborou suas propostas durante um ano sem abrir debate, até divulgar um documento preliminar em março de 2015.

Os relatórios do GT-AD foram duramente criticados pela maioria das congregações e as propostas não foram sequer levadas à votação no Co._Merece destaque a defesa que fez de que todos os docentes recém-concursados ingressassem na USP sob o Regime de Turno Parcial (RTP), de 12 horas semanais e a atitude arrogante e, não raro, desrespeitosa para com o público durante as apresentações dos relatórios do GT-AD._

Em setembro de 2015, Terra foi novamente nomeado pelo reitor, desta vez para compor a chamada “Comissão dos Sete”, incumbida de “analisar e propor alterações estatutárias e regimentais no âmbito da USP”. Poucos meses depois, esse novo grupo ad hoc apresentou sua primeira proposta, a “Nova CPA” ou nova Comissão Permanente de Avaliação. Por trás do novo órgão, que inicialmente prometia substituir a CERT, estavam recicladas as ideias do GT-AD, como avaliação quinquenal e sanções para docentes “improdutivos”.

Ao lado da superintendente jurídica Maria Paula Dallari Bucci, Terra foi escalado pela Reitoria para apresentar a “Nova CPA” em ocasiões como o “Encontro de Docentes” realizado em junho de 2016, quando voltou a ser objeto de repúdio ao utilizar expressões como “cirquinho da Adusp” para referir-se depreciativamente às críticas do sindicato.

Ildo Sauer

Ildo Luís Sauer, professor titular desde 2005, é vice-diretor licenciado do Instituto de Energia e Ambiente (IEE), unidade da qual foi diretor de 2011 a 2015. Formado em engenharia civil pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, cursou mestrado em Engenharia Nuclear na Universidade Federal do Rio de Janeiro e doutorou-se no Massachussetts Institute of Technology.

Sauer foi Diretor de Gás e Energia da Petrobras entre 2003 e 2007, tendo sido um dos responsáveis pela decisão de investir na prospecção das reservas de petróleo existentes em águas profundas, que ficariam conhecidas como “Pré-Sal”.  Exonerado ao fim desse período e substituído por Maria das Graças Foster, declarou em carta pública que “me dei conta de que posso não ter sido afastado da Petrobras por meus defeitos, mas pelas virtudes das pessoas de cujas lutas participei e vou continuar participando”.

 Recentemente, em razão do anúncio da privatização da Eletrobras, Sauer fez duras críticas a Michel Temer: “O que esse governo está fazendo [...] é um acinte à democracia porque é um aprofundamento da cleptocracia”, disse a Carta Capital. Ao mesmo tempo, não poupou a ex-ministra de Minas e Energia e presidenta destituída Dilma Rousseff, por “des­tru­ir o valor econômico da Eletro­bras para manter os privilégios dos grupos privados que vendiam energia a custos altíssimo”.

No final do segundo governo de FHC, notabilizou-se como um dos críticos da política de energia que resultou no “Apagão”, envolvendo-se numa disputa pública com Pedro Parente, então ministro da Casa Civil e responsável pela Câmara de Gestão da Crise de Energia Elétrica. Sauer denunciou “o aumento das tarifas de energia para repor as perdas das distribuidoras e o seguro antiapagão”, registrou a Folha de S. Paulo de 30/4/2002.

O professor do IEE e outros três especialistas entregaram ao Ministério Público Federal relatório no qual acusavam o governo FHC de improbidade ao alugar, por três anos e meio, 58 usinas termelétricas para garantir o abastecimento, a um custo de R$ 16 bilhões, ao passo que construir essas usinas teria custado R$ 2,5 bilhões. Parente cobrou explicações à Reitoria da USP e ameaçou processar Sauer judicialmente.

Maria Arminda

Professora titular desde 2005, Maria Arminda do Nascimento Arruda é diretora licenciada da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH). Cursou sua graduação em Ciências Sociais e obteve mestrado e doutorado em Sociologia na USP.

Maria Arminda compôs a equipe de J.G. Rodas, que a nomeou pró-reitora de Cultura e Extensão em 2010. Ela permaneceu no cargo até o fim da gestão (2013), apoiou a candidatura de M.A. Zago a reitor e, com a vitória deste, foi mantida à frente da Pró-Reitoria de Cultura e Extensão (PRCEU). No entanto, em 2016, quando seu terceiro mandato consecutivo de dois anos terminou, o reitor não a reconduziu, fato inusual na USP.

A saída da professora foi precedida por intervenções do reitor M. A. Zago na PRCEU. Em 2015, ele já obrigara a pró-reitora a adiar, e depois desfigurar, um seminário sobre direitos humanos que teria entre os conferencistas representantes da Adusp e do Sintusp. Como noticiado no Informativo Adusp 414, “o objetivo [da troca] é desmantelar os modestos avanços levados a cabo por Maria Arminda, bem como reverter a tentativa de impor algum controle sobre os cursos pagos e as fundações privadas”, uma vez que “antes mesmo da exoneração, a Reitoria já obrigara Maria Arminda a dispensar alguns grupos que havia montado na PRCEU, como a Comissão de Cursos de Extensão”, que vinha fazendo um levantamento dos cursos pagos.

Após deixar a PRCEU, candidatou-se à diretoria da FFLCH em agosto de 2016. Concorrendo contra o professor Osvaldo Coggiola, ela perdeu a consulta eletrônica realizada entre as três categorias. Entretanto, no colégio eleitoral, Maria Arminda derrotou seu adversário por três votos.

Enquanto foi pró-reitora (2010 a 2016), Maria Arminda exerceu o cargo de membro do Conselho Curador da Fundação USP (FUSP), entidade privada dita “de apoio”.

Vahan Agopyan

Vahan Agopyan é professor titular da Escola Politécnica (EP) desde 1994. Nesta mesma unidade cursou sua graduação e mestrado. É doutor em engenharia civil pela University of London King’s College. Diretor da EP de 2002 a 2006, Vahan estimulou a expansão dos cursos pagos do Programa de Educação Continuada em Engenharia (PECE, que oferece “selo USP”). Integrou a gestão reitoral de J.G. Rodas, de 2010 a 2013, como pró-reitor de Pós-Graduação. Elegeu-se vice-reitor na chapa de M.A. Zago, em fins de 2013, compartilhando o discurso do “diálogo”. Desincompatibilizou-se agora para disputar o processo eleitoral, no qual desponta como o candidato da continuidade.

O relatório da gestão 2014-2017 buscou projetar a figura de Vahan. Por exemplo: “O vice-reitor deixou de ser apenas o substituto eventual do reitor e passou a dirigir a administração da universidade”. Exageros à parte, Vahan realmente é coautor do desmonte da USP: apoiou os “Parâmetros de Sustentabilidade”, as duas edições do PIDV, a desvinculação do HRAC, a criação da “Nova CPA”, o arrocho salarial etc.

Vahan envolveu-se no projeto “USP do Futuro”, resultado de tratativas obscuras entre a Reitoria, a consultoria multinacional McKinsey&Company e a organização Comunitas. Participou da reunião entre o governador Geraldo Alckmin, o reitor, diretores da McKinsey e empresários dos grupos Natura, Itaú e Ultrapar, realizada no Palácio dos Bandeirantes em 5/9/2016.

Seus contatos com a iniciativa privada antecedem sua ascensão ao cargo de vice-reitor. Vahan foi membro do Conselho Deliberativo do Fundo Amigos da Poli, lançado em 2012 com o objetivo de captar recursos da iniciativa privada para a EP. Entre os fundadores do Amigos da Poli estão Roberto Setúbal (Itaú Unibanco), Rubens Ometto (Cosan) e Pedro Wongtschowski (Grupo Ultra). Coincidentemente, os três viriam a financiar a parceria entre USP e McKinsey.

Informativo nº 442