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• Arminda reage à acusação de inexperiência e “caos” e denuncia “financeirização da crise”

• Grades e violência em 7/3 simbolizam “negação do diálogo”, destaca Sauer nos debates

Ao aproximar-se a reta final do processo eleitoral de reitor(a) e vice-reitor(a) na USP, o candidato situacionista Vahan Agopyan, da Chapa 1, sinalizou um possível enfraquecimento, ao enviar à comunidade, em 16/10, e-mail no qual ataca as candidaturas de oposição. Todos os candidatos têm direito a enviar mensagens pelo correio eletrônico da universidade. Na mensagem citada, o vice-reitor licenciado anuncia que “já é possível constatar claramente a existência de duas visões de universidade completamente antagônicas entre as chapas candi­datas”, a saber: “A nossa e a dos opositores”. Em seguida, adverte: “A Universidade de excelência, que dá prioridade às atividades fim [...] que entende que qualquer deslize na gestão, praticado por pessoas sem experiência, pode trazer de volta o caos” (os destaques são nossos)

Mais adiante, afirma: “É primordial que a lista tríplice a ser apresentada ao Governador diferencie claramente a vontade da assembleia eleitoral da USP. Por isso, embora cada eleitor possa votar em até três chapas, idealmente deve limitar seu voto a uma única concepção de universidade, aquela que representa os seus ideais, e cujos gestores possuam competência e experiência demonstradas”

A última frase foi percebida como um nítido sinal de preocupação do candidato do reitor M.A. Zago. Alguns apoiadores importantes da atual gestão estariam migrando para outra candi­datura, fazendo soar os alarmes na campanha de Vahan, cuja postura nos debates oficiais tem sido a de parecer ignorar as críticas contundentes externadas pelos candidatos Ildo Sauer, da Chapa 3, e Maria Arminda, da Chapa 2. 

“Pequeno grupo”

Maria Arminda enviou pelo correio eletrônico, em 17/10, longa mensagem em resposta indireta às acusações de Vahan: “A comunidade uspiana se caracteriza por ter um quadro extremamente qualificado de docentes, funcionários e alunos, a sua imensa maioria com históricos individuais de superação e determinação. Não compartilhamos, portanto, da opinião de que apenas um pequeno grupo de gestores experientes representaria a única solução para a grave crise enfrentada pela Universidade”, iniciou

“A nossa crise universitária não se caracteriza apenas pelo seu aspecto financeiro”, destacou a professora. “Nos últimos anos, a necessidade de equilíbrio financeiro da USP levou a Administração Central a adotar duras medi­das, que resultaram em uma apa­rente reversão do descompasso orçamentário. Todos nós temos consciência da necessidade urgente de recompor as contas da universidade. Mas isso não pode ser feito em detrimento de seus valores fundamentais. ‘Financeirizar’ a crise universitária [...] nos levou inexoravelmente à perda de qualidade no ensino, na pesquisa e na extensão universitárias”

A seguir ela elenca os prejuízos provocados pela “financeirização”: “o sucateamento da infraestrutura de pesquisa, tendo como exemplo emblemático os cortes orçamentários e de funcionários dos laboratórios e biotérios”, “o funciona­mento precário da maioria dos museus universitários, a eliminação de estruturas de apoio à comunidade mais carente, com o fecha­mento das creches e o sucatea­men­to do Hospital Universitário [HU]”, a “degradação dos meios de comunicação e do diálogo”

Ainda segundo Maria Arminda, “a corrosão dos salários com redução efetiva de mais de 10% do poder aquisitivo nos últimos dois anos, a falta de atuação estratégica na Assembleia Legislativa do Estado visando rever as políticas de dotação orçamentária e de progressão salarial e, por fim, a perda de prestígio acadêmico expressa pelo rebaixamento de sua posição nos rankings nacionais e internacionais são aspectos que se conjugam ao discurso do corte horizontal de despesas”

“Renovar a USP”

Uma novidade na disputa eleitoral foi a entrada em cena do ex-reitor J.G. Rodas, que publicou em 11/10 texto intitulado “Urge a participação de todos para renovar a USP!”. O ex-reitor critica a Chapa 1: “Se examinarmos o plano de gestão apresentado em 2010 pelos então candidatos Zago e Agopyan, veremos que ambos, auxiliados pelo pró-reitor [Antonio] Hernandes, fizeram o contrário do que prometeram. Agora o plano de gestão dos candidatos Ago­pyan/ Hernandes volta a prometer as mesmas coisas, constantes do plano Zago/Agopyan, que eles mesmos não concretizaram!”

J.G. Rodas também mencionou a Chapa 4: “Fica claro da leitura do plano de gestão da chapa do prof. Terra tratar-se de chapa coadjuvante da chapa oficial Agopyan/Hernandes”. No entender do ex-reitor, a proposta inicia-se “por louvar desmedida e epicamente a gestão atual”. Em men­sagem postada em 16/10, Terra rebate esses comentários, além de atacar Maria Arminda e Sauer, os quais designa como “populistas”

Os candidatos que “se alinham com o populismo e o corporativismo que combatemos”, principia o professor da FFLCH, “insistem em propalar inverdades, prometer irresponsabilidades e transigir com uma visão sindical e política da universidade que quase faliu a USP no passado”. Em seguida, ataca J.G. Rodas: “É sintomático que dirigentes ultrapassados, que inclusive tiveram suas contas rejeitadas manifestam-se pelas can­di­daturas populistas pretendendo que a USP volte ao passado”

“Cenas de violência”

Nos debates oficiais realizados nos campi de São Carlos (5/10) e Ribeirão Preto (11/10), a defesa da gestão atual coube muito mais a Terra (e ao candidato a vice-reitor Hernandes) do que a Vahan, que vem se furtando de responder às acusações formuladas pelos candidatos de oposição. “As lamentáveis cenas de violência que aco­meteram a USP não são dignas do que é uma universidade responsável pela construção de futuro”, registrou Sauer em São Carlos a respeito das agressões praticadas pela Polícia Militar no dia 7/3, por ocasião da votação dos “Parâmetros de Sustentabilidade” no Conselho Universitário

“Nós tivemos, então, uma negação daquilo que é o princípio fundamental e os valores fundadores da universidade”, avaliou Sauer, que comprometeu-se com a retirada das grades erguidas ao redor da Reitoria (“símbolo supremo da negação de diálogo”) e destacou a crise do HU, que revelou “a profunda ausência de liderança e de capacidade de articula­ção da administração da USP”. O candidato do reitor ouviu tudo em silêncio

Informativo nº 442