No dia 7/3 ocorrerá o segundo turno das eleições para representantes dos segmentos docentes no Conselho Universitário (Co). Tal como o primeiro turno, a votação será eletrônica, sob responsabilidade da Superintendência de Tecnologia da Informação (STI), mas haverá também urnas fixas em 13 diferentes locais, para os casos de dificuldade de acesso à Internet ou de não recebimento, por e-mail cadastrado no Banco de Dados da USP, da senha de acesso para votação.

No maior segmento, dos Professores Doutores (MS-3), o segundo turno será decidido entre duas professoras: Kimi Tomizaki, da Faculdade de Educação (FE), e Tânia Casado, da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA). No segmento dos Professores Associados (MS-5), a disputa se dará entre os professores Marcílio Alves, da Escola Politécnica (EP), e Adrián Pablo Fanjul, da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH). Já a representação dos Professores Titulares (MS-6) será decidida entre os professores Amâncio Jorge Silva Nunes de Oliveira, do Instituto de Relações Internacionais (IRI), e Murilo Araujo Romero, da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC).

O Informativo Adusp entrou em contato com os candidatos que disputam o segundo turno para que comentassem suas principais propostas. Um dos candidatos preferiu, em vez de responder às nossas perguntas, remetê-las ao programa que apresentou. Apresentamos a seguir alguns dados biográficos e as considerações programáticas dos candidatos.

Representação dos Professores Doutores

Daniel Garcia
Professora Kimi Tomizaki (FE)

 A professora Kimi Tomizaki (FE) tem como suplente na sua chapa o professor Márcio Moretto Ribeiro, da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH). Socióloga, Kimi leciona no Departamento de Filosofia e Ciências da Educação e no Programa de Pós-Graduação em Educação. Foi vice-presidente da Adusp durante o biênio 2015-2017.

Ao Informativo Adusp, Kimi afirmou que a candidatura se pauta “pela defesa da Universidade pública e gratuita e por condições apropriadas de trabalho, ensino e pesquisa dos Professores Doutores, o que implica, em primeiro lugar, salários compatíveis com a formação dos/das docentes da Universidade”. Propõe-se, assim, a “efetivar um mandato orientado pelos princípios da democracia e transparência na veiculação de informações, bem como no desenvolvimento de mecanismos de discussão e consulta aos/às Professores/as Doutores/as tendo em vista construir, coletivamente, posições que representem os interesses da nossa categoria de forma independente em relação à administração central”.

A garantia de contratação preferencialmente em Regime de Dedicação Integral à Docência e à Pesquisa (RDIDP), assim como “a reposição dos ’claros’ abertos pelas aposentadorias com contratos em RDIDP, de forma que a contratação de substitutos (temporários) não se torne uma política de recomposição do quadro docente”, é um dos principais pontos do programa da chapa. Kimi também defende avaliações docentes “descentralizadas e não punitivas, de caráter qualitativo, capazes de considerar tanto o conjunto de atividades dos professores (ensino, pesquisa, extensão e gestão) quanto as especificidades de cada área do conhecimento”.

Compromete-se a defender “financiamento exclusivamente público para a USP e gestão democrática e transparente de seus recursos”, bem como rechaçar a “política de eliminação ou precarização de ‘estruturas’ da USP”, que afeta as creches e o HU. Outra questão pautada pela chapa é o combate “ao machismo, sexismo e racismo e demais formas de opressão e discriminação dentro da Universidade e na produção de conhecimento”.

Arquivo pessoal
Professora Tânia Casado (FEA)

 A chapa liderada pela professora Tania Casado (FEA) tem como suplente a professora Fernanda Maria Vanin (FZEA). Psicóloga, Tânia leciona no Departamento de Administração. É coordenadora do Programa de Vida e Carreira (Procar), da Comissão de Ética e da Comissão de Pesquisa da FEA. É diretora do Escritório de Desenvolvimento de Carreiras da USP.

“O Conselho Universitário é instância vital na Universidade. Dentre suas atribuições estão traçar as diretrizes da Universidade e supervisionar a sua execução”, contextualiza a chapa, em declaração ao Informativo Adusp. “Portanto, é imprescindível que os membros tenham não só valores compatíveis com a realidade da nossa USP, como também experiência em assuntos de gestão da Universidade”. E, considerando a pluralidade, “entendemos que os campi da Capital e do Interior precisam estar também representados na categoria Professor Doutor”.

Tânia citou como pautas a defender “a valorização da carreira docente, especialmente da categoria Professor Doutor; ética, justiça, transparência e extinção da violência na USP; e participação ativa dos docentes nos destinos da USP”. Como ações imediatas, no tocante à primeira pauta, elencou: “Retomar, urgentemente, a progressão horizontal da carreira docente; elaborar plano de desenvolvimento da Carreira Docente, especialmente para a categoria de Professor Doutor; rever o sistema de avaliação docente, de modo a contemplar os três objetivos da USP: ensino, pesquisa e extensão”.

A segunda pauta exigiria “fortalecer os coletivos e grupos dedicados a causas de combate à violência, discriminação e assédio” e “elaborar programas efetivos e normas a serem aplicadas contra qualquer tipo de discriminação e/ou assédio praticado por ou contra membro da USP”. Quanto à participação, Tânia propõe-se a “divulgar amplamente ao corpo docente, especialmente aos Professores Doutores, os processos em trâmite e as deliberações do Conselho Universitário, por meio eletrônico e reuniões presenciais”, e “convidar todos os Professores Doutores a participarem de grupos de trabalho voltados às demandas e interesses da categoria”.

 Representação dos Professores Associados

Daniel Garcia
Professor Marcílio Alves (EP)

 A chapa liderada pelo professor Marcílio Alves (EP) tem como suplente o professor Luiz Fernando Ramos, da Escola de Comunicações e Artes (ECA). Alves é vice-coordenador do Programa de Pós Graduação em Engenharia Mecânica da EP, membro suplente do Comitê de Assessoramento de Engenharias Mecânica, Naval e Oceânica e Aeroespacial (CA-EM) do CNPq e também fundador e primeiro presidente da International Society of Impact Engineering. É o presidente da Câmara de Atividades Docentes (CAD), órgão da Comissão Permanente de Avaliação (“Nova CPA”) incumbido de realizar a avaliação quinquenal dos docentes.

Ao Informativo Adusp, o professor Marcílio expressou seu compromisso com a defesa do ensino público, bem como do Hospital Universitário (HU) e das creches da USP. “É obvio que tem uma implicação de custos, mas é uma bandeira que precisa ser erguida para reerguer a moral do HU e a importância do HU na formação dos estudantes de todas as áreas da saúde. É uma bandeira que precisa ser levada à frente”, declarou.

Outra pauta central do programa da sua chapa é a criação do segmento de Professor Pleno. “No sistema atual, a escalada ao topo [da carreira] é interrompida pela falta de vagas para ascender a Professor Titular. Com o conceito de Professor Pleno isto não existiria. O professor precisaria das qualidades necessárias e, portanto, a meritocracia seria contemplada. Mas, uma vez que atingisse alguns níveis colocados pelas unidades, o professor poderia então ascender ao cargo máximo”, esclareceu Marcílio. Uma das propostas do candidato é criar uma comissão de Professores Associados para estudo do tema e para propor modificações estatutárias ao Co.

Sua chapa pretende organizar um congresso dos professores da USP para discussão de temas relevantes, entre os quais a criação da categoria de Professor Pleno. Ele também propõe ampliar a atual lista eletrônica de discussão entre professores associados, além de criar um comitê com os outros candidatos a representante dos Professores Associados, de modo a permitir discussões e consultas quando houver reuniões ou problemas que envolvam esse segmento docente.

Daniel Garcia
Professor Adrián Fanjul (FFLCH)

 A outra chapa, liderada pelo professor Adrián Pablo Fanjul (FFLCH), tem como suplente o professor Ernane Xavier da Costa, da Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos (FZEA). Docente do Departamento de Letras Modernas, Fanjul coordena o Programa de Centros Associados para o Fortalecimento da Pós-Graduação Brasil/Argentina, mantido em cooperação com a Universidad Nacional de Córdoba. Presidiu a Associação Brasileira de Hispanistas (2010-2012) e a Comissão Organizadora do I Congresso Internacional de Professores de Línguas Oficiais do Mercosul (2010).

Um dos pontos centrais de seu programa é “que a Universidade reveja e repactue seu financiamento”, declarou o professor Adrián ao Informativo Adusp. “É sabido que no Estado e no país empresas devem grandes fortunas, enquanto se cortam os orçamentos em educação, pesquisa. Então pensamos que a universidade tem que pleitear ao poder público para exigir que seja revisto este financiamento”.

Outra pauta da chapa é a revisão da avaliação institucional e docente. “Tem que haver, obviamente, avaliação institucional e docente, mas os atuais instrumentos têm claramente aspectos de gestão empresarial que devem ser revistos e excluídos”, explicou Adrián. “Aspectos éticos e morais estão se sobrepondo a uma avaliação por desempenho, o que não deveria acontecer”.

Ele também aborda os casos da sindicância aberta contra o professor Marcos Sorrentino (ESALQ), alvo de retaliação por realizar um evento de extensão sobre a reforma agrária, e das incursões da Polícia Federal na Universidade Federal de Santa Catarina. “Parte do nosso programa é rejeitar estas formas de censura ideológica no ensino, pesquisa e extensão”, observou.

Dentre as pautas específicas para a categoria de professores asssociados, a chapa defende a criação da categoria de Professor Pleno, “com acesso por concurso à carreira aberta, sem limitação de vagas”. Outra proposta é aumentar a representação docente no Co: “A Unicamp, que tem cinco vezes menos docentes que a USP, tem 18 representantes docentes em seu Co. Nove são eleitos por todos os docentes e os outros nove divididos dentro de cada categoria”.

 Representação dos Professores Titulares

IRI
Professor Amâncio Oliveira (IRI)

 Uma das chapas é formada pelo professores Amâncio Oliveira (IRI) como representante titular e Geraldo Duarte, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP), como suplente. Amâncio foi presidente da Comissão de Pós Graduação e Pesquisa do IRI (2009-2013) e vice-diretor da unidade (2013-2017). É coordenador científico do Centro de Estudos das Negociações Internacionais (Caeni-IRI) e foi secretário executivo da Associação Brasileira de Ciência Política (2009-2012). Ele preferiu não responder às perguntas enviadas pelo Informativo Adusp, por considerá-las contempladas por seu programa.

Na mensagem enviada aos eleitores, Amâncio diz ter atuado em prol do aumento do teto salarial na Assembleia Legislativa (onde tramita a PEC 5/2016) e assinala que o teto atual “impõe perdas importantes aos docentes sêniores da Universidade”. A questão da reforma constitucional do teto salarial é, assim, uma das frentes principais de seu programa: o professor propõe utilizar sua atuação no Co “não apenas como instância de pressão, mas também com a apresentação de propostas que possam contribuir para a mudança da legislação”. Outra pauta do professor relaciona-se ao sistema de avaliação da carreira docente. Ele espera contribuir “para a criação de um sistema de incentivos ao mérito e que gere impacto positivo para as atividades fins dos docentes”.

Propõe também a criação de um sistema de informação que “facilite o acesso dos docentes aos temas discutidos no Co, para que possam se manifestar antes das reuniões do Conselho”. A chapa compromete-se a atuar nos fóruns e comissões do Co “dedicados a discutir temas de grande relevância acadêmica, como política de fomento à ciência e tecnologia”.

Arquivo pessoal
Professor Murilo Romero (EESC)

 A outra chapa é constituída pelos professores Murilo Araujo Romero (EESC) como representante titular e José Ricardo de Carvalho Mesquita Ayres (FM) como suplente. Murilo foi coordenador do Programa de Pós Graduação da EESC (2001-2004) e chefe do Departamento de Engenharia Elétrica (2009-2013). É coordenador da área de Engenharias IV (Engenharia Elétrica e Engenharia Biomédica) do CNPq, no qual também é membro titular do Conselho Técnico Científico de Educação Superior (CTC-ES).

Murilo declarou ao Informativo Adusp que o primeiro ponto de seu programa é a defesa da universidade pública, gratuita e de qualidade. “Deveria ser um ponto óbvio e consensual, mas quando a grande imprensa faz editoriais semanais pela cobrança de mensalidades em universidades públicas, nos pareceu fundamental deixar este ponto claro”, enfatizou.

Outra pauta do professor é a “valorização da função social na universidade”, como contraponto à política de austeridade fiscal. Ele reconhece que “a crise orçamentária foi grave”, mas ressalta que “a USP só vai manter sua relevância se a gente for capaz de manter operando e funcionando tudo aquilo que nos diferencia: serviços públicos, museus, orquestra, creches e, por certo, o Hospital Universitário”.

Murilo pretende ser ativo na defesa do RDIDP como regime de trabalho preferencial dos docentes, apoiado na indissociabilidade de ensino, pesquisa e extensão. O programa adverte para o risco de se criar “uma artificial separação entre as duas facetas da carreira, ensino e pesquisa, impondo uma ‘especialização’ dos docentes em somente um destes aspectos”. Por fim, a chapa quer fortalecer o protagonismo do Co, “abalado por episódios emblemáticos como o da ‘USP do Futuro’, no qual o acordo de cooperação entre a USP e a consultoria McKinsey só foi comunicado ao Co várias semanas após sua assinatura”.

 Representação dos Assistentes

O professor Danny Dalberson de Oliveira (EP), que no segundo turno concorre solitariamente no segmento dos Assistentes (quadro em extinção com apenas 35 eleitores potenciais) por não ter alcançado maioria absoluta de votos no primeiro turno, não foi localizado para expor suas propostas.