Foto: Daniel Garcia

Moradores da região, membros do coletivo Butantã na Luta, funcionários do Hospital Universitário e estudantes em greve da Medicina e Enfermagem realizaram um novo ato contra o desmonte do HU no dia 7/12. A manifestação também contou com o apoio da Adusp, do Sintusp, do DCE e do Sindicato dos Médicos de São Paulo (Simesp).

Foto: Daniel Garcia

Mesmo debaixo de chuva, o ato partiu do Centro de Saúde-Escola Butantã e percorreu a Avenida Vital Brasil com gritos contra o governador Geraldo Alckmin e o reitor M. A. Zago. A passeata se encerrou no metrô Butantã, onde os manifestantes realizaram uma série de falas para conscientizar a população sobre a precarização do hospital.

“É muito importante este momento em que nós estamos aqui reunidos. Saibam que o Butantã tem mais ou menos 450 mil pessoas. E nós temos apenas um hospital. E é este hospital público que eles estão querendo acabar, devagarinho. Estão demitindo funcionários, acabando com departamentos, plantões. Sabe o que eles querem que o povo faça? Eles querem que compre plano de saúde privado!”, afirmou João Paulo Fernandes, conselheiro de saúde da região Oeste.

O HU sofre um processo de desmonte desde 2014, com o início da gestão reitoral de M. A. Zago e V. Agopyan. O reitor Zago chegou a caracterizar o hospital como “parasita” da universidade e defendeu sua desvinculação da administração da USP, barrada graças à mobilização da comunidade universitária. Entretanto, desde o primeiro Programa de Incentivo à Demissão Voluntária (PIDV), o quadro de funcionários tem sofrido redução e as contratações estão congeladas. Além de dificultar a escala de plantões e prejudicar o atendimento da população, o congelamento de contratações sobrecarregou a equipe restante, gerando ainda mais pedidos de demissão.

Por causa da falta de profissionais, o Pronto Socorro Infantil do hospital está com seu atendimento suspenso desde o dia 21/11, o que foi o estopim para a greve estudantil nos cursos de Medicina e Enfermagem. No dia 4/12, os médicos residentes de Pediatria do HU também decretaram greve.

“Toda a pediatria está tão inconformada com essa situação que a gente teve que procurar a rua e a ajuda da população”, declarou Eric Sakai, médico residente de Pediatria no HU. “O Pronto Socorro de Pediatria está fechado, estamos sem conseguir atender ninguém, já estou cansado de procurarem qualquer serviço e eu não ter para onde enviar a população”.

“Nós estamos sofrendo com perda de funcionários médicos e o hospital está atendendo a poucos da população. Agora a intenção é passar o hospital para uma OS [Organização Social, de iniciativa privada], que a gente sabe que não funciona porque já tomaram conta da UBS do Butantã. Então nossa luta é contra o Alckmin, que não ajudou a preservar o hospital, e contra o Zago, que é contra a saúde pública”, explicou Zelma Fernandes Marinho, diretora do Sintusp. “Temos que lutar para que o HU continue dentro da USP, com a qualidade que ele tem e que os estudantes possam continuar a fazer seus cursos dentro do hospital”.