foto: Daniel Garcia

Centenas de pessoas participaram de nova manifestação em defesa do Hospital Universitário da USP (HU), iniciada na manhã do dia 2/3 com o objetivo de entregar ao reitor Vahan Agopyan o abaixo-assinado com mais de 50 mil assinaturas pela imediata reativação do hospital. O protesto foi organizado pelo Coletivo Butantã na Luta, Adusp, Sintusp e Diretório Central dos Estudantes. Apesar da mobilização, o reitor recusou-se a receber pessoalmente o abaixo-assinado e escalou um assessor para representá-lo. Os manifestantes, por sua vez, não aceita­ram entregar o documento, exigindo a presença de Agopyan.

Com concentração no Portão 3 da USP, a manifestação passou pela Avenida Corifeu de Azevedo, atravessou a comunidade São Remo, o Hospital Universitário e percorreu a Cidade Universitária até a Reitoria. O protesto também realizou uma parada no Restaurante Central, para expressar a solidariedade dos manifestantes aos trabalhadores do “Bandejão”, que corre risco de ser terceirizado.

“O neoliberalismo conta muitas mentiras e os reitores desta universidade são uns de seus maiores porta-vozes. Existe a mentira de que o que é público não presta. Mas as avaliações do Hospital Universitário, a partir de seus usuários, colocam em xeque esta afirmação, porque as pessoas consideram o serviço excelente. Então eles precisam desqualificar. A próxima mentira foi de que não havia recursos para custear este hospital. Mas no momento que a população se levantou e conseguiu os recursos com o poder público, agora eles entram em curto-circuito”, afirmou Gerson Salvador, diretor do Sindicato dos Médicos de São Paulo (Simesp) e médico do HU.

Salvador referiu-se à emenda ao Orçamento Estadual no valor de R$ 48 milhões, que a Assembleia Legislativa (Alesp) aprovou no dia 27/12/2017, destinada expressamente à reposição de funcionários no HU. Em reunião realizada no dia 22/2, Agopyan declarou a parlamentares do PT e do PSOL que desconhecia a emenda aprovada pela Alesp.

Hospital-escola

“O HU é fundamental para a área de Saúde desta universidade. Não é só um hospital, é um hospital-escola, é um hospital que tem pesquisa. O que está colocado pela Reitoria da USP é destruição da excelência da universidade pública. Para defender a USP é fundamental defender o HU”, concluiu o presidente da Adusp.

“A solicitação com audiência hoje com o reitor foi protocolada na sexta-feira passada e durante todos os dias desta semana, reiteradamente afirmada, sem nenhuma resposta”, explicou Lester Amaral Jr., representante do Coletivo Butantã na Luta. “Este movimento não vai parar, não vai descansar nem um segundo. Já estão articuladas medidas judiciais, porque nós aprovamos R$ 48 milhões por unanimidade na Alesp, por força do movimento. E isso vai ter que ser cumprido, de um jeito ou de outro!”.

 

Agopyan alija comunidade, mas convoca fundações privadas para “propor soluções”

Ao noticiar a posse, em 2/3, do novo superintendente do Hospital Universitário (HU), o professor Luiz Eugênio Garcez Leme, da Faculdade de Medicina, o Jornal da USP, órgão oficial da Reitoria, indicou que os novos planos do reitor Vahan Agopyan para o hospital continuarão a alijar a comunidade da USP e, em vez disso, incluem a possível participação de fundações privadas ditas “de apoio”, possivelmente em busca de uma fórmula de privatização do HU.

“Uma das primeiras missões do novo dirigente será montar uma comissão que proporá soluções para o hospital, a ser composta de professores da FIA, Fipe e Faculdade de Medicina. Com isso, a Reitoria da USP demonstra seu empenho em analisar a fundo a questão do HU e definir estratégias que garantam a perenidade da unidade”.

Ao mesmo tempo em que cabe indagar se tal comissão será mesmo composta por docentes externos à USP (“professores da FIA, Fipe”, sic), surgem novos indícios de que a Reitoria pretende fazer contratações terceirizadas para o hospital, por meio da Fundação Faculdade de Medicina (FFM), qualificada como “organização social”.