A nova diretoria da Adusp, presidida pelo professor César Minto, tomou posse em 26/6, no auditório da Faculdade de Educação, para um mandato de dois anos. A mesa do evento (foto) foi composta pelos professores Ciro Correia e Francisco Miraglia, da gestão que se despedia; pelo presidente eleito, professor César Minto, que tomava posse para o mandato que se iniciaria em 1/7/2015; pelo deputado federal Ivan Valente (PSOL-SP); e por representantes de entidades: João Batista Gomes, se­cre­tário de políticas sociais da CUT-SP, Neusa Santana, diretora da Fasubra, Denise Rykala, diretora do Sinteps, professor João Chaves, presidente da Adunesp, professor Nilo Rodrigues, diretor da Adunicamp, Guilherme, diretor do DCE-Livre da USP, Reinaldo de Sousa, diretor do Sintusp.

Exclusão

O professor Ciro Correia, que presidiu a Adusp na gestão 2013-2015, lembrou em seu discurso de transmissão do cargo e de saudação à nova diretoria a conjuntura de dois anos antes -- "grave cenário de exclusão das parcelas majoritárias da sociedade quanto aos direitos sociais básicos diante da crescente apropriação da estrutura do estado republicano por interesses particu­laristas" -- e o quadro "não menos preocupante que se desenhava em relação às nossas instituições públicas de ensino superior sob constante ameaça, tanto por falta de financia­men­to adequado pelo Estado, quanto pela privatização interna e pelo controle exercido pelas agências financiadoras de pesquisa".
Quanto à USP, Ciro historiou os problemas e distorções com que se deparou, em 2013, a gestão por ele presidida: "não se admitem eleições ou consultas que efetivamente envolvam os docentes, funcionários e estudantes; a estrutura de poder se desfigura frente à presença desinibida de gestores das fundações privadas autodenominadas 'de apoio'; o fetiche da propalada 'excelência' e as últimas mudanças introduzidas na estrutura da carreira impõem a competição ao invés de favorecer a cooperação entre pares; cada vez mais, os ocupantes da Reitoria sentem-se à vontade para tratar questões reivindicatórias à base de repressão ao invés de diálogo e negociação", e outros.
"Passados dois anos e mesmo tendo em mente a tenacidade com a qual a Adusp e parte do corpo da universidade enfrentaram essas questões e aquelas que estavam por se colocar, como a gravidade da crise e dos crimes ambientais havidos -- e ainda não solucionados -- na EACH, esse quadro não melhorou. Lamentavelmente, agravou-se",  frisou Ciro. "Nesse enfrentamento ganharam lugar de destaque os embates da greve de 2014, que além de vitoriosa na conquista de pautas específicas do movimento foi fundamental para desvelar o mesmo e velho caráter oligárquico da atual administração".

A tirania da atual gestão, denunciada, durante a greve, pelo então presidente da Adusp "revela-se cada vez mais destruidora ao incidir em questões fundamentais para a USP", por meio do PIDV e de ataques aos hospitais universitários. A instituição do GT Atividade Docente (e seus planos ela­bo­rados à revelia da comunidade) e a atuação da CERT solapam a relevância do RDIDP.
Ciro lembrou, ainda, que a gestão M.A. Zago-V. Agopyan silenciou, até aquela data, "quanto à proposição da pena simbólica de 30 dias de suspensão para o ex-diretor da EACH, comprovadamente um dos responsáveis pelo crime ambiental perpetrado contra aquele campus e sua comunidade".
 

Neoliberalismo

Ao tomar posse como presidente da nova diretoria, o professor César Minto, que atuou como vice-presidente na gestão anterior, assinalou que nas últimas décadas os movimentos sociais defrontaram-se com um inimigo poderoso: "em especial, a partir dos dois mandatos de Fernando Henrique Cardoso (FHC), os setores dominantes empreenderam [...] uma reforma do Estado de cunho neoliberal, cuja principal conseqüência foi tornar estrutural a exclusão". A universidade pública não foi poupada.

"Uma vez adotada a 'administração pública gerencial [que] inspira-se na administração de em­presas...'", conforme formulação do então ministro Bresser Pereira (1995), passou-se a estru­tu­rar, explicou César, "sob os signos da 'modernidade' e da 'governabilidade', um 'novo' Estado: mínimo, no que se refere aos anseios da maioria da sociedade e máximo, no que diz respeito aos interesses da elite predatória, brasileira e internacional".
Nesse contexto, certas reformas realizadas pelo governo federal têm sido muito prejudiciais à sociedade e às universidades públicas, que são "alvo de campanhas de descrédito, apontando-se para a sua privatização, em particular via incentivo às fundações de direito privado, ditas 'de apoio', falaciosamente consideradas como recurso para a melhoria de sua qualidade". A par disso, "a intensidade do nosso trabalho continua aumentando e os salários permanecem insatisfatórios".
Ao mesmo tempo, prosseguiu César, "o governo Alckmin tenta posar de bom-mocismo, mesmo exacerbando no trato de políticas neoliberais, encontrando nas autoridades universitárias constituídas uma subserviência oportuna".
O novo presidente da Adusp convocou a categoria a combater esse estado de coisas: "Para muitos colegas, a dificuldade de resistir a esse processo pretensamente inexorável induz a perspectiva de buscar saídas individuais, que além de não resolverem problemas estruturais, reforçam distorções contra as quais se faz necessário continuar a lutar". Sucessivas administrações universitárias "tudo fazem para que vingue tal modelo individualista, indutor de produtivismo a qualquer custo".

César explicou que a nova gestão considera fundamental a organização de todos os docentes para persistir na luta por uma universidade pública, gratuita e democrática; defender as nossas condições de vida e trabalho; promover propostas de interesse geral da sociedade.
"E não é demais registrar aqui o posicionamento cotidiano e firme da Adusp no duro embate entre Reitoria e corpo da universi­dade: criminalização do movi­mento social, desvinculação do Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais (HRAC), estrangulamento do Hospital Universitário (HU), implantação do Programa de Incentivo à Demissão Voluntária (PIDV) sem nenhum estudo de impacto, entre tantos outros despropósitos".
Ele citou ainda as greves vitoriosas de 2000, 2004, 2007 e 2014, os embates contra as punições arbitrárias da CERT, a luta contra os contratos precários e a defesa de professores injustamente punidos como exemplos constantes e também recentes da atuação da Adusp.
As lutas contra as fundações privadas na USP e contra os cursos pagos permanecerão como eixos importantes de atuação. César destacou, ainda, a contribuição da Adusp à construção do PL 1.035/2015.
Por fim, mencionou a necessidade de fortalecer os laços de companheirismo, solidariedade e atuação conjunta na USP, de docentes, funcionários e estudantes. "Uma de nossas principais qualidades é a de persistir na luta pela utopia que defendemos -- isso tudo nos é muito caro... continuaremos!"