Bahiji Haji
Ato de lançamento da greve, em 13/5

Cerca de 400 pessoas lotaram o Auditório Franco Montoro, da Alesp, no dia 25/5, na audiência pública sobre o Centro Paula Souza (Ceeteps) convocada pelo deputado Carlos Giannazzi (PSOL). Convidados, nem a superintendente Laura Laganá, nem os secretários de Gestão e de Desenvolvimento compareceram para explicar os motivos do arrocho salarial no Ceeteps.

“O vínculo com a Unesp sempre engrandeceu a qualidade da educação oferecida para os estudantes do Centro”, enfatizou Zanetic, presidente da Adusp. Ele lembrou que os primeiros ataques ao vínculo, bem como o início da deterioração salarial no Ceeteps, têm nome e sobrenome: Mário Covas. Foi no primeiro governo tucano, a partir de 1996, que deixaram de ser repassados à categoria os mesmos reajustes oferecidos nas três universidades, como exige a lei.

Ataque

Neusa Santana Alves, presidente do Sinteps, acusou a gestão Alckmin (que foi, não por coincidência, vice de Covas) de agir ao arrepio da lei. “Este governo, que diz o tempo todo estar preocupado com a gente de São Paulo, desrespeita a lei há anos no Centro Paula Souza. Não só deixou de pagar os reajustes concedidos nas universidades, como também desrespeita totalmente a própria data-base por ele instituída, que é em março”, destacou.

Emocionada, Neusa disse que o novo ataque do governo, que agora tenta enfraquecer a representação sindical da categoria, “não passará”, pois “os trabalhadores estão respondendo com garra, dignidade e disposição de luta, fazendo uma greve forte e combativa”.

O deputado Giannazi ficou de protocolar ofício na Casa Civil, pedindo audiência e abertura de negociação do governo com o Sinteps. O líder do PT, deputado Enio Tatto, garantiu a presença da direção do Sinteps na reunião do colégio de líderes da Assembleia Legislativa nesta terça- feira, 31/5.

Progressão?

No dia 20/5, 2 mil manifestantes do Ceeteps, da capital e dezenas de cidades do interior, realizaram ato no vão livre do Masp, na Avenida Paulista. Suas palavras de ordem pediam reajuste salarial, melhores condições de trabalho e de infraestrutura nas ETECs e Fatecs. Após o ato, os manifestantes desceram em passeata até a frente das secretarias de Gestão e de Desenvolvimento, onde novo ato foi realizado.

Na manhã do mesmo dia, ocorreu uma tentativa de negociação entre o Sinteps e o governo estadual, representado pelo secretário de Gestão, Júlio Semeghini, secretário adjunto do Desenvolvimento, Ciência e Tecnologia, Luciano Pereira Barbosa, vice-diretor superintendente do Ceeteps, César Silva, e outros assessores.

Embora bastante questionado pelo Sinteps, Semeghini disse que não havia nenhuma proposta nova de reajuste. Os representantes do governo e do Ceeteps limitaram-se a dizer que a progressão funcional vai ocorrer “mesmo”. No entanto, somente 50% da categoria estão aptos a “concorrer” à progressão. Destes, quantos irão progredir não se sabe.

 

Informativo nº 326