No dia 13/10, os professores das Instituições Federais de Ensino Superior (IFES) retomaram suas atividades, após realizarem uma greve com duração de 139 dias. A saída unificada foi decidida após rodada de assembleias no início do mês, quando foi organizada uma agenda de atividades para manter a mobilização da categoria. Entre as reivindicações, destacam-se: reajuste salarial de 27,3%, reestruturação da carreira, garantia de autonomia universitária, melhoria nas condições de trabalho e defesa do caráter público da educação.

O Comando Nacional de Greve do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes-SN) divulgou em 11/10 uma avaliação final do movimento paredista. Segundo a nota, a greve aconteceu em “um ambiente acadêmico em que as consequências nefastas da precarização em várias IFES assumiram maior visibilidade”.

O comunicado lembrou a repressão policial ocorrida em 5/10, em frente ao Ministério da Educação (MEC). Na ocasião, representantes dos docentes tentavam, uma vez mais, ser recebidos por dirigentes da pasta. Porém, face à troca de ministros, com a saída de Renato Janine Ribeiro, o MEC comprometeu-se a realizar uma reunião assim que Aloizio Mercadante reassumisse o cargo (o que aconteceu em 5/10). Ainda não há uma data definida para que isso ocorra.

Andes x Janine

Depois que a presidenta Dilma Roussef anunciou a saída de Janine, em 2/10, o professor da FFLCH concedeu entrevista ao jornal Zero Hora, na qual afirma ter deixado o cargo “chocado com a atitude dos grevistas”. Para Janine, houve dificuldade no diálogo com os docentes, já que estes “declararam greve antes da negociação”.

Ele alegou que o Andes entregou um documento ao MEC, exigindo redução na verba para a Educação Básica e aumento para o Ensino Superior: “Nunca tinha visto isso, um movimento exigir a redução de verbas na Educação Básica”.

O Andes-SN emitiu nota em que desmente Janine: “Essas informações não cor­res­pondem à verdade. Sendo assim, exigimos que ex-ministro retrate-se ou cite a fonte dessa informação inexistente”. Observa que a greve nacional dos docentes federais “se desenrolou na completa omissão do ex-Ministro”, e destaca: “Vale ressaltar que, ao longo de toda história de greves protagonizadas pela base do Andes-SN desde 1981 (ainda durante a ditadura), esta foi a primeira vez que o Sindicato Nacional não foi recebido pelo ministro da Educação em gestão”. Confira a íntegra da nota.

Informativo nº 409