A atual Reitoria da USP insiste em seu discurso de que há, na universidade, um número excessivo de funcionários e, com isso, pretende empregar parte substancial dos parcos recursos ainda restantes em novo Programa de Incentivo à Demissão Voluntária (PIDV2). Note-se que esse Programa obteve aprovação em reunião do Conselho Universitário (Co) em 12/07 sem prévia discussão nas unidades. Note-se ainda que diversos membros do Co compreenderam essa proposta como "não afetando" o HU, pois não atingia as categorias funcionais de médicos e enfermeiros. Muito ao contrário, o PIDV2 revelou-se como mais um potencial golpe à sobrevivência desse hospital, não apenas como prestador de atendimentos médicos, mas como produtor de ensino e pesquisa, em diversas áreas, inclusive em levantamentos internacionais, como o projeto Elsa. Terminado o prazo de adesão, constatou-se que mais de 20% dos funcionários do HU potencialmente elegíveis para o PIDV2 (da ordem de 80 em 400) se inscreveram no programa.

Universidades que realizam pesquisas em tantas áreas com componentes experimentais, como foi, desde o começo a USP, necessitam de importante apoio técnico (da ordem de 3 a 5 estudantes por funcionário técnico-administrativo, enquanto que atualmente na USP esse número é por volta de 6).

Seria inadmissível, em qualquer organização, apresentar novo Programa de Incentivo à Demissão sem fazer um levantamento preciso e produzir o respectivo diagnóstico das consequências do PIDV1! Em toda a USP, em 2014, demitiram-se profissionais altamente qualificados, sem um correspondente prazo de treinamento para potencial substituto - isso afetou áreas de pesquisa, em particular aquelas que se apoiam em informações experimentais, com consequências irreparáveis.

O Co precisa cobrar esse diagnóstico, antes de dar encaminhamento a quaisquer outras providências quanto a demissões, "voluntárias" ou não. Antes de tudo, é inadmissível que se empregue dinheiro adicional, além daquele que o Co já havia colocado à disposição para esse tipo de programa. O desmonte adicional precisa ser interrompido: conselheiro vote não a qualquer pretensão de ampliação de recursos para o PIDV2!

Informativo nº 424