No dia 27/6, o Conselho de Graduação (CoG) aprovou a proposta de criação de um Plano Institucional da USP para atingir as metas do Programa de Inclusão com Mérito no Ensino Superior Público (Pimesp) até 2018. A apreciação da medida pelo Conselho Universitário (Co) foi marcada para a reunião do dia 2/7. O processo de dis­cussão do assunto foi acelerado e teve início em maio, após a pró-reitora de graduação, professora Telma Maria Zorn, ter encaminhado, no dia 22/5, ofício aos diretores de unidade informando sobre a criação da proposta. O documento estabelecia o dia 17/6 como prazo para que manifestações das congregações fossem encaminhadas à Pró-Reitoria de Graduação (PrG).

Questionada, antes da aprovação da medida pelo CoG, sobre quais unidades encaminharam manifestações à PrG, a assessoria de imprensa da USP disse:  “O tema ainda está em discussão e, por esse motivo, as informações só serão divulgadas após a conclusão do processo”.

A  Adusp enviou a todas as unidades um primeiro texto de análise da proposta, elaborado pelo  Grupo de Trabalho de Educação e pela diretoria da entidade (vide http://goo.gl/pC2kK). Entre outras coisas, o documento pontua que a proposta não traz “nenhuma referência que distinga cursos e turnos”, uma vez que os bônus previstos nela “são genéricos”.

Repúdio

Em nota de repúdio ao Plano (leia em http://goo.gl/WL5sC), a Frente Pró-Cotas da USP diz que “além de ser mais uma tentativa da Reitoria de se esquivar do debate das cotas”, a proposta é problemática, porque seus eixos “não garantirão a inclusão de estudantes negros ou oriundos da escola pública [na universidade]”.

Para ampliar a inserção desse público na USP, o documento indicado pela PrG aposta, entre outras coisas, na criação de um Programa de Preparação para o Vestibular da USP (PPVUSP). “A criação de um cursinho pré-vestibular não é, a princípio, um problema, no entanto, o recorte feito para os possíveis candidatos é excludente e prejudica os próprios candidatos”, diz a nota da Frente Pró-Cotas.

Em texto de análise da proposta, os professores da FFLCH Lilia Schwarcz, Maria Helena Machado e Vagner Gonçalves, chamam atenção para contradições com relação ao bônus “de apenas 5%” para alunos negros, pardos e indígenas na pontuação do vestibular. “Ao mesmo tempo em que o novo projeto reconhece a necessidade de inclusão étnico-racial, ele não enfrenta a questão, em suas propostas mais efetivas. Uma universidade do porte da USP, que detém tal responsabilidade social, quando chamada a responder aos desafios da inclusão universitária, necessita reagir à altura, gerando um projeto de alto nível e que atenda necessidades acadêmicas e sociais” (http://goo.gl/0zQAy).

 

Informativo nº 366