O evento “Análise da Avaliação Capes na USP”, organizado pela Pró-Reitoria de Pós-Graduação e realizado em 25/9, contou com a presença de Rita Barradas Barata, professora adjunta da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo e, há pouco mais de um ano, diretora de Avaliação da Capes.

Já circulam pelas redes sociais relatos, como o da professora Deisy Ventura, do Doutorado em Saúde Global e Sustentabilidade da Faculdade de Saúde Pública, que enfatizam os “ventos de mudança” que foram anunciados. De fato, diante dos coordenadores de Programas de Pós-Graduação da USP, no auditório lotado da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin, a professora Rita apontou os “impasses” do atual sistema e anunciou mudanças significativas na avaliação, garantindo que serão promovidas discussões sobre o tema nos próximos meses e ao longo do ano que vem.

Entre os motivos que tornam insustentáveis os mecanismos de avaliação da Capes agora adotados, a professora mencionou a magnitude da Pós-Graduação brasileira, a diversidade dos Programas e a variedade tanto dos contextos quanto das tradições de pesquisa. Afirmou, portanto, ter como perspectiva a revisão dos instrumentos e a alteração do enfoque.

Na análise apresentada, a magnitude produz como consequência excesso de trabalho e impõe a utilização de critérios quantitativos, muitas vezes esvaziados de sentido real, que acabam se sobrepondo aos qualitativos, dificultando análises pormenorizadas e circunstanciadas e não permitindo perceber que os mesmos indicadores podem ter significados distintos dependendo do contexto.

Distorções

A finalidade da Pós-Graduação, que deveria ser a produção de conhecimentos acadêmicos e aplicados de qualidade e a formação de pesquisadores e docentes para o ensino superior, acaba assim ficando em segundo plano, pois critérios quantitativos e “regrinhas” se sobrepõem à efetiva aferição da qualidade e da relevância social e produzem distorções que precisam ser corrigidas. Entre elas, foi citado o número exorbitante de publicações sem relevância alguma, que alimentam as revistas predatórias e não contribuem para a efetivo avanço do conhecimento.

A professora defendeu a necessidade de estudar uma simplificação, tanto na coleta dos dados quanto na forma de avaliar que, admitiu, têm agora numerosos problemas. Medidas como automatizar certos procedimentos, dar mais peso à autoavaliação dos Programas e facilitar a leitura e a elaboração dos dados deixariam, por exemplo, mais tempo para, de fato, avaliar a qualidade.

Após apresentar esse quadro, a professora Rita encorajou os pedidos de reconsideração relativos aos resultados da avaliação quadrienal, informando que as comissões que os examinarão serão modificadas em 50% para garantir uma efetiva revisão.

Na saída do auditório, os olhares dos coordenadores eram incrédulos. Seria, de fato, qualidade a nova palavra de ordem? Haveria realmente espaço para a construção de uma alternativa ao produtivismo desenfreado? Foram prometidas transparência e discussão com todos os envolvidos. Vamos aguardar os próximos passos.

Informativo nº 441