Comissão de docentes entrega abaixo-assinado contrário à reforma

Na reunião, chamou atenção o comportamento agressivo
da secretária geral da Reitoria

Na tarde de 24/6, a comissão de mobilização da Adusp reuniu-se com a reitora Suely Vilela com o intuito de entregar o abaixo-assinado contrário à mudança da carreira docente.

Estavam presentes pela Reitoria, além da professora Suely Vilela, o professor Alberto Carlos Amadio, chefe de gabinete, a professora Maria Fidella Navarro, secretária geral, e Jocélia Castilho, assistente da Consultoria Jurídica (CJ). A assembléia da Adusp esteve representada por dez professores, sendo três deles diretores da entidade.

Logo de início o presidente da Adusp, professor Otaviano Helene, apresentou a reivindicação, aprovada em nossa assembléia, de anulação da decisão do Conselho Universitário (Co) de 4/3/09 que modifica a carreira docente, ao mesmo tempo em que entregou o abaixo-assinado que reafirma esta decisão.

A professora Suely propôs, então, uma alternativa que entendia ser um caminho do meio. Concretamente, ela se comprometeria em ampliar as discussões sobre os critérios de ascensão na carreira e, se essa discussão levasse à necessidade de se rever a decisão, isso seria feito.

AGENDA DA GREVE

6ª feira, 26/6

  • Reunião do Fórum das Seis com a comissão técnica do Cruesp

2ª feira, 29/6

  • 12h - Ato em frente à Reitoria da USP com lançamento do Fórum pela Democratização das Universidades Estaduais Paulistas
  • 14h - Reunião de negociação entre o Fórum das Seis e o Cruesp

3ª feira, 30/6

  • manhã - Assembléias setoriais
    16h - Assembléia Geral da Adusp.*
    Pauta: avaliação do movimento, carreira, democratização da Universidade, Conad (indicação de delegados e observadores)

Vários professores da comissão de mobilização disseram não entender tal proposta como um caminho do meio, na medida em que ela pressupunha a manutenção da mudança na carreira, enquanto nossa reivindicação era de ampliar a discussão, inclusive acerca do já decidido pelo Co.

Parecer da CJ

Frisou-se que o recurso interposto pela Adusp, por decisão de sua assembléia, questionava não apenas a legitimidade da proposta como também a legalidade dos procedimentos de votação adotados na sessão de 4/3 do Co. Ao explicitarmos o fato de que o representante dos mestres não poderia ter votado, na medida em que obteve o título de doutor em 2007, a reitora afirmou que esse aspecto já havia sido devidamente esclarecido por um parecer da CJ e que a decisão do Co não estava comprometida.

Os professores cobraram resposta aos ofícios da Adusp, em particular àquele que solicitava uma cópia do citado parecer. A professora Suely comprometeu-se a enviá-lo.

Houve muitas manifestações que evidenciaram a falta de discussão com a comunidade e questionaram as motivações para as alterações introduzidas na carreira. O debate que houve com o presidente da comissão responsável pela proposta depois aprovada no Co revelou, principalmente, uma preocupação: a de oferecer ganhos salariais com a criação dos níveis intermediários. Todavia, mesmo isso mostra-se duvidoso, diante do alongamento da carreira que advém deste fracionamento, além de incertezas quanto à adoção de cotas que limitem o acesso aos sub-níveis.

A professora Suely terminou a reunião dizendo que, em não havendo acordo em relação à proposta feita inicialmente, ela se comprometeria a discutir os aspectos levantados por nós (e presentes em nosso recurso) com a comissão de mudança de estatutos e com a CLR.

P.S. Merece destaque o modo agressivo com que a secretária geral se dirigiu aos docentes presentes defendendo as decisões ilegítimas e ilegais do Co referentes à carreira.

 

Matéria publicada no Informativo nº 287