Jailton Garcia/RBA (abril/2006)

O professor e economista Paul Israel Singer faleceu no dia 16 de abril, aos 86 anos, quando se encontrava em tratamento no Hospital Sírio-Libanês. Austríaco de nascimento, chegou ao Brasil com oito anos, em 1940 (depois que a Alemanha nazista anexou a Áustria), e se naturalizou em 1954.

Paul formou-se em Economia e doutorou-se em Sociologia pela USP. Tornou-se professor da então Faculdade de Ciências Econômicas (hoje FEA), mas em 29 de abril de 1969 foi aposentado compulsoriamente pelo ditador Costa e Silva, com base no AI-5. Note-se, porém, que a esta altura ele “se afastara da Faculdade de Ciências Econômicas e se ligara ao grupo que, na Faculdade de Higiene e Saúde Pública, sob a liderança de Elza Berquó, propunha toda uma nova linha de pesquisa demográfica” (O Controle Ideológico na USP [1964-1978], p. 57). Anistiado em 1979, passou a dar aulas na PUC, onde se tornou chefe do Departamento de Economia.

Nesse mesmo ano, Paul foi um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores. Mais tarde, engajou-se com entusiasmo nas administrações petistas, onde exerceu cargos que lhe permitiram experimentar suas formulações teóricas. Convidado pela prefeita Luiza Erundina, assumiu a Secretaria de Planejamento da Prefeitura da capital paulista, exercendo o cargo de 1989 a 1992. No governo Lula assumiu, em 2003, a Secretaria Nacional de Economia Solidária do Ministério do Trabalho.

“Meu pai sempre foi um militante, um homem da prática. E ele conseguia aliar essa prática à atividade de escrita, o que é extremamente difícil”, declarou ao jornal O Globo o professor André Singer (FFLCH), um dos filhos de Paul. “Meu pai chegou ao Brasil fugido da guerra. Era extremamente grato ao povo brasileiro. E era um grande batalhador pela justiça social”.

Um aspecto notável da biografia de Paul é que, antes de tornar-se economista, trabalhou como operário metalúrgico. Nesta condição, participou ativamente de um momento histórico do movimento operário brasileiro: a vitoriosa “Greve dos 300 mil”, realizada em São Paulo em 1953.

Viúvo da socióloga Melanie Berezovsky Singer (1932-2012), Paul Singer deixa os filhos André, Helena e Suzana.