Polícia e corte de salários: não passará impune a irracionalidade da atual administração

 

Mais uma vez a Reitoria da Universidade de São Paulo (USP) lança mão de força policial para tratar de um conflito social que, como sempre, apenas a interlocução qualificada poderá encaminhar e resolver.

É lamentável que a atual gestão administrativa da USP não se diferencie das anteriores no que se refere à total incapacidade de superar a falta de democracia enraizada na instituição. Essa é uma das principais razões que determinam e agravam o impasse manifesto na greve — e não os piquetes dissolvidos pela Polícia Militar no dia de ontem (3/8), claro que com chancela judicial.

Só faltava chamar a polícia! Isto feito, para além de ultrapassar a última barreira do lugar comum que poderia diferenciá-los das últimas gestões, o que mais farão Zago e Vahan? Ao que tudo indica implantarão o já anunciado corte de salários, violentando os funcionários técnico-administrativos em greve ao cobrá-los com o próprio sustento, justamente pela dignidade de não se conformarem com a imposição de arrocho salarial; e talvez ousem poupar os docentes de semelhante perversidade, na inclassificável tentativa de dividir as categorias!

É muito provável que reitor e vice-reitor busquem legitimar-se, alegando o bloqueio do edifício da administração central pelos funcionários, decidida hoje por eles em reação a tamanho aviltamento de seus direitos, assim como tentarão fazer recair sobre esses mesmos trabalhadores a pecha da intransigência; tudo isto enquanto lhes sonegam qualquer mecanismo de negociação compatível com o ambiente acadêmico, ao mesmo tempo em que se furtam à responsabilidade de apresentar qualquer proposta objetiva, passível de ser democraticamente considerada.

Declaramos nossa firme oposição aos despropósitos desta linha de conduta da atual administração da USP. Não temos dúvidas acerca do peso autoritário dessa estrutura de poder oligárquica e anacrônica que precisa ser completamente democratizada. Não nos calaremos diante de mais essas violências contra a universidade.

 

São Paulo, 4/8/2014

Diretoria da Adusp