A Superintendência de Prevenção e Proteção Universitária organizou, em 20/10, o primeiro semi­ná­rio com a Guarda Universitária (GU) aberto à comunidade. Modelos de segurança adotados pela USP e por outras universidades foram debatidos, tendo como base o texto “Segurança no campus: um breve levantamento sobre as políticas de segu­ran­ça na USP e em universidades estrangeiras”, escrito por Viviane Oliveira Cubas, Renato Alves, Denise Carvalho, Ariadne Natal e Frederico Castelo Branco, pesquisadores do Núcleo de Estudos da Violência da USP (NEV). Ariadne e Frederico compareceram para apre­­­sen­tar a pesquisa, assim como a superintendente, professora Ana Lúcia Pastore Schritzmeyer.

 

Daniel Garcia

O debate lotou a sala do Co, contando com professores, funcionários, estudantes e guardas universi­tários de diversos campi. A ideia é que outros semi­nários ocorram  mensalmente, em especial para discutir as propostas de segurança apresentadas em dezembro pela superintendente Ana Lúcia, para os próximos três anos da gestão Zago.

Dentre as propostas já trazidas por ela estão a criação de um conselho consultivo que conte com a participação da comunidade e de um conselho deliberativo formado prioritariamente pela GU. Outras propostas estão sendo elaboradas por um grupo de trabalho externo à GU, formado por docentes.

Polícia comunitária

Foi a partir dos debates gerados pela morte do estudante da FEA, Felipe Ramos de Paiva, em  2011, e da decisão do reitor J.G. Rodas de assinar o polêmico convênio com a Secretaria de Segurança Pública do Estado para aumentar a presença da Polícia Militar (PM) dentro do campus, que o estudo apresentado no seminário começou a ser desenvolvido.

Os pesquisadores se preocuparam com a implementação de um modelo de segurança em ambiente universitário. Para tanto, estudaram os modelos adotados pelas universidades de Toronto, de Chicago, de Warwick e pela Universidade Nacional da Colômbia, levando em consideração as seme­lhan­ças e diferenças entre os campi dessas universidades em relação aos da USP.  O modelo que os pesquisadores acharam mais adequado foi o da polícia comunitária, adotado por várias universidades.

Atualmente, a segurança na cidade universitária é feita por 55 guardas (apenas uma mulher), distribuídos por três turnos. Os turnos da noite e do fim de semana possuem menor número de guardas. A GU é auxiliada por seguranças terceirizados e pela PM, que atua no campus com uma base comu­nitária e duas motocicletas (Rocam).

Pequeno efetivo

Das 84 câmeras de segurança, nenhuma está em funcionamento. A principal dificuldade apontada por Ana Lúcia para qualquer reformulação da GU é o pequeno efetivo, que não recebe treinamento há 10 anos. Novas contratações estavam previstas, mas foram cortadas devido à contenção de despesas.

Com base na apresentação, alguns dos presentes fizeram questionamentos e sugestões aos pesquisadores, mas principalmente à superintendente. O guarda universitário José Augusto Tonhá da Costa, que atua na EACH, falou da necessidade de investimento em novas tecnologias: “Em segurança, tudo é possível. A segurança hoje em dia é feita através de tecnologia. Na Universidade de São Paulo, a segurança só vai ser resolvida não se blindando o campus, mas instalando dispositivos e criando uma cultura tecnológica”.

Maria, estudante do 5º ano da Filosofia, acredita que assim como a universidade é elitista a política de segurança implementada por ela também será. “A política de segurança da USP é sim uma segregação de raça e classe, assim como a atuação da Polícia Militar”, disse. “A violência contra a mulher é institucio­na­lizada na Universidade de São Paulo”.

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