Foto: Daniel Garcia

Na Cidade Universitária do Butantã, o Dia Internacional da Mulher, 8/3, foi marcado por mais uma atividade da rede Não Cala! USP, constituída, em 2015, por professoras e pesquisadoras da instituição. Além de festejar e relembrar as lutas realizadas pelas mulheres por sua emancipação política, social e econômica, a Passeata-ato de 8/3 também tinha entre seus objetivos entregar à Reitoria cópia do manifesto “Pelo fim da violência sexual e de gênero”.

Na concentração que precedeu a manifestação, no vão do edifício da História e Geografia (FFLCH), foi realizada uma oficina de produção de cartazes, cujo conteúdo era de denúncia e crítica à violência sexual e de gênero. Durante a produção desse material, docentes e representantes de movimentos sociais fizeram uso da palavra.

Jupiara Castro, do Núcleo de Consciência Negra (NCN), ponderou que este grupo vem, desde 1987, chamando a unidade por parte dos movimentos sociais na questão da violência sexual e de gênero. A questão da violência contra a mulher muitas vezes deixa de lado a questão étnico-racial, invisibilizando a violência contra a mulher negra: “Quando falamos de violência contra as mulheres, a crítica fica direcionada à violência sofrida pelas estudantes e professoras, mas não podemos nos esquecer de que existe uma violên­cia cotidiana, que é dirigida con­tra as trabalhadoras negras, que estão nos piores postos de trabalho nesta universidade”.

fotos: Daniel Garcia

Acolhimento

Para a professora Heloísa Buarque de Almeida, da rede Não Cala!, a USP é pouco efetiva no acolhimento das vítimas de violência em seus campi. Segundo Heloísa, são necessárias ações mais efetivas em relação aos casos denunciados: “É preciso ter uma assistência social efetiva que acolha e proteja a estudante agredida. Ela precisa ter atendimento médico, psicológico e uma série de coisas que a Universidade não oferece. Os casos de violência no Crusp [Conjunto Residencial], por exemplo, são muito graves”.

Por falta de proteção eficiente às vítimas, as denúncias formais representam 10% ou menos dos casos. “Eu sei de 10 casos na FFLCH e só um virou denúncia formal, porque não existe atendi­men­to correto para isso”.

A professora Vima Martin, também da Rede, esclarece que, por enquanto, as denúncias são encaminhadas para a diretoria da unidade onde se deu o caso de violência e para a Ouvidoria da universidade, mas tais medidas são insuficientes, já que em muitas das unidades os diretores e a equipe administrativa desencorajam a vítima a formalizar a denúncia e levar o caso adiante. “Muitas vezes, mesmo com esse desencorajamento, a vítima faz a denúncia, mas o processo não vai para frente. Então, o que temos hoje é uma sensação de impunidade em relação a esses agressores”.

Emocionante

Após a oficina, a passeata saiu da FFLCH e seguiu pela Biblioteca Brasiliana, Administração Central e Crusp, atravessando a Praça do Relógio em direção à Reitoria. Ali, o chefe de gabinete do reitor, Thiago Liporaci, recebeu das manifestantes cópia do manifesto direcionado, entre outros dirigentes, ao reitor M.A. Zago e ao vice-reitor V. Agopyan.

“Foi emocionante caminhar com colegas docentes, funcionárias e estudantes da USP e secundaristas, num protesto vibrante contra a violência sexual e de gênero nas universidades e em defesa das creches da USP”, relatou a professora Adriana Tufaile, diretora da Adusp.

Informativo nº 414