A Diretoria da Adusp enviou carta ao jornal Folha de S. Paulo em resposta ao editorial “Sanear a USP”, publicado em 18/2 e que atribui a crise financeira da Universidade à “iniquidade” dos vencimentos integrais pagos aos seus aposentados, bem como à “falta de flexibilidade” do seu regime de trabalho (http://goo.gl/UG7pyQ). Leia a seguir a carta enviada à Folha de S. Paulo em 20/2, para publicação (assinada apenas pelo presidente da Adusp para atender às normas do jornal):

Sanear a USP”

O enviesado editorial Sanear a USP (18/2, A2) incorre em graves equívocos ao abordar a crise financeira da instituição de modo superficial, sem examinar o contexto em que ela surgiu. No início da gestão do reitor J. G. Rodas, em janeiro de 2010, a USP encontrava-se em razoável saúde financeira, com a folha de pagamentos comprometendo 80% do orçamento e cerca de R$ 2 bilhões em caixa! O descontrole da gestão de J.G. Rodas (alvo de ação do Ministério Público Estadual por improbidade administrativa) é que lançou a universidade na crise em que se encontra.

Os benefícios integrais que a USP sempre pagou aos docentes e funcionários aposentados, portanto, nada têm a ver com as atuais dificuldades financeiras; a aposentadoria integral, ademais, não é iníqua, pelo contrário: é um fator de justiça, uma garantia fundamental para bom desempenho do serviço público.

Por outro lado, existe sim flexibilidade no seu regime de trabalho, desde 1988, causa aliás de forte distorção, por dar ensejo à proliferação de fundações privadas ditas
de apoio”, responsáveis por cursos pagos e outras atividades lucrativas que desviam a universidade de suas finalidades. De modo que a USP não precisa de “outras fontes de receita, nem de choque de saneamento”, mas de seriedade administrativa, com gestão transparente e democrática dos recursos repassados pelo Tesouro estadual.


Ciro Correia
Presidente da Adusp