O reitor M.A. Zago enviou mensagem à comunidade acadêmica, em 10/6, a respeito das posições de destaque obtidas pela USP em alguns rankings internacionais. Repleto de clichês, o texto reitoral comemora o fato de que “apesar de oscilações comuns nessas abordagens semiquantitativas, os bons resultados vêm se repetindo nas diferentes e independentes classificações”. Mas uma passagem, em especial, merece atenção dos docentes.

“Quero, em primeiro lugar, em nome da USP e em meu próprio nome, cumprimentar os responsáveis por esses resultados: nossos professores, funcionários e estudantes”, diz o reitor. “Apesar da importância relativa de instalações e equipamentos, em especial em algumas áreas, a excelência de uma Universidade é fruto do trabalho das pessoas que a constituem. Nenhum prédio suntuoso transformará um professor medíocre em um pesquisador respeitado.”

Esta passagem admite diferentes leituras. Uma delas, à la Poliana, é de que M.A. Zago finalmente admite que aquele corpo docente que ele, em entrevista à revista Veja há pouco mais de um ano, reduziu a “acomodado” na verdade executa um trabalho acadêmico notável. Outra leitura, talvez mais sintonizada com a realidade atual da USP, é de que o reitor continua disposto a enquadrar e caçar (com cedilha mesmo) “professores medíocres”. Pior ainda: de que para ele o oposto de “professor medíocre” é “pesquisador respeitado”, dando a entender que a pesquisa situa-se num plano superior à docência. 

Podemos dar nossa contribuição à reflexão do reitor, se lembrarmos a ele que suntuosos prédios de Reitoria, como o que lhe foi legado por seu antecessor J.G. Rodas, não melhoram o desempenho de gestões ruinosas e dissociadas do melhor espírito público.

De qualquer modo, tudo indica que a gestão M.A.Zago-V. Agopyan continuará a fornecer à comunidade acadêmica alguns enigmas, na melhor linha da charada da Esfinge: “Decifra-me ou devoro-te!”.