Na 6ª Etapa do programa de concursos públicos para desprecarização na USP inscreveram-se somente 11 dos 20 docentes em regime precário lotados no Instituto de Física de São Carlos (IFSC). O resultado difere bastante do que foi observado no restante da universidade. Enquanto no IFSC o número de precários inscritos representa 55% do total, no cômputo total da USP esse índice foi de 95%.

Nos dois departamentos que compõem o instituto, a procura pelo programa também foi desigual. No Departamento de Física e Ciências dos Materiais (FCM), só dois dos 9 professores “precários” aceitaram participar dos concursos, enquanto no Departamento de Física e Informática (FFI) inscreveram-se 9 professores, em um total de 11 “precários”.

Normas departamentais

O professor Francisco Alcaraz, chefe do FCM, atribui a baixa procura pelo programa a um conjunto de normas “aprovado já há algum tempo no conselho do departamento”, que estabeleciam “o que mais ou menos se esperava dos docentes ‘precários’, que culminava com a livre-docência, em um período de seis anos”. Segundo o professor, “essa cultura no departamento fez com que as pessoas sempre pensassem na efetivação depois da livre-docência, então as pessoas se sentem constrangidas em prestar o concurso sem ser livre-docentes”. O diretor do IFSC, professor Glaucius Oliva, tem a mesma avaliação: para ele, “muitos optaram por não fazer a efetivação por este histórico departamental”.

Alcaraz chega a considerar o fenômeno positivo: “É um sinal de maturidade dos nossos docentes, querem entrar no concurso em condições de imbatibilidade”. A professora Débora Gonçalves, docente que não se inscreveu no programa, apresentou ao Informativo Adusp uma justificativa semelhante: teria decidido “fazer primeiro o concurso de livre-docência, para ter mais segurança”.

Insegurança

Porém, outros docentes apresentam causas diferentes para a baixa participação. É o caso do professor Esmerindo Bernardes, que representa os docentes do IFSC no Conselho de Representantes da Adusp. Ele também está entre os precários que não se inscreveram: “A maioria ficou insegura sobre como seria conduzido o processo: devido à ausência de informações, ninguém quer pôr seu cargo à disposição sem ter uma garantia”, afirma.

Ele acrescenta que “em muitos casos isso poderia ser uma forma de substituição de docentes: suponha que você seja um professor precário indesejável para algum grupo, em um concurso desses você pode ser excluído”.

O chefe do FCM rebate a crítica. “Não houve nenhum problema de esclarecimento sobre o procedimento”, diz Alcaraz. “O que eu não fiz, e nem poderia fazer, é dizer para um professor que poderia pedir abertura de concurso, que seria com o CIC e RG dele”, afirma o chefe do FCM.

Candidatos externos

Outro precário que preferiu não se inscrever é o professor Paulo Miranda, para quem o modo como os concursos são conduzidos pode atrair muitos concorrentes de fora da instituição. “Normalmente esses concursos de efetivação são bem específicos, de maneira a minimizar o número de inscritos externos, mas aqui no departamento ficou decidido que não seria esse o formato”, revela Miranda, “então a maioria de nós decidiu esperar um momento mais adequado da carreira”.

O diretor Glaucius Oliva também acredita que os concursos podem atrair candidatos externos, “não pela amplitude dos editais, mas pela existência de competição”. Para ele, “há muitos doutores sem emprego, com excelentes currículos”.

A Adusp reafirma que a situação de insegurança a que estão submetidos esses colegas é de responsabilidade da universidade.

 

Matéria publicada no Informativo n° 245